Césio-137 em Goiânia: a história completa do acidente que chocou o Brasil
Césio-137 em Goiânia: a história completa do acidente que chocou o Brasil
Setembro de 1987. Goiânia, Goiás.
O que começou com a retirada de uma peça metálica de um prédio abandonado acabaria se transformando em uma das maiores tragédias radiológicas da história.
Homens que não sabiam que estavam diante de uma fonte radioativa desmontaram parte de um equipamento de radioterapia. O material foi levado para um ferro-velho, desmontado, vendido e levado para diferentes lugares.
Dentro daquela peça havia uma substância que, para quem a encontrou, parecia apenas um estranho pó azul brilhante.
Era cloreto de césio-137.
Durante vários dias, pessoas tiveram contato direto com o material sem saber que estavam sendo expostas a níveis perigosos de radiação.
Quando as autoridades finalmente compreenderam o que estava acontecendo, o material radioativo já havia passado pelas mãos de dezenas de pessoas e contaminado casas, objetos, roupas, terrenos e outros locais.
O acidente atingiu diretamente centenas de pessoas e provocou quatro mortes reconhecidas oficialmente como consequência direta da exposição ao césio-137.
Mas os efeitos da tragédia não terminaram em outubro de 1987. O acidente deixou marcas físicas, psicológicas, sociais e ambientais que continuaram por décadas.
O equipamento que ficou para trás
A história começou alguns anos antes da descoberta da contaminação.
O Instituto Goiano de Radioterapia, em Goiânia, utilizava um equipamento de teleterapia contendo uma fonte de césio-137 para tratamento médico.
Por volta de 1985, o instituto mudou de endereço. O equipamento de radioterapia permaneceu nas antigas instalações.
O problema foi que a fonte radioativa não foi devidamente retirada e armazenada.
O antigo prédio acabou parcialmente demolido e ficou em condições inadequadas de segurança.
A fonte, entretanto, continuava extremamente radioativa.
O fato de o aparelho estar abandonado não significava que seu conteúdo tivesse deixado de oferecer perigo.
O césio-137 continuava emitindo radiação.
Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica, a fonte continha cloreto de césio, uma forma química altamente solúvel e facilmente dispersável.
13 de setembro de 1987: a peça é retirada
Entre os dias 10 e 13 de setembro de 1987, dois homens, identificados nos registros oficiais pelas iniciais, entraram no antigo local do Instituto Goiano de Radioterapia.
Eles acreditavam ter encontrado uma peça que poderia ser desmontada e vendida como sucata.
O que chamava atenção era justamente o chumbo existente no equipamento.
O chumbo possuía valor comercial.
Depois de algumas tentativas, os homens conseguiram retirar parte do aparelho.
Na noite de 13 de setembro, transportaram o conjunto, que pesava aproximadamente 200 quilos, para a residência de um deles, na Rua 57, em Goiânia.
Eles não sabiam que haviam retirado uma fonte radioativa.
Também não sabiam que a blindagem de chumbo existia justamente para proteger as pessoas da radiação.
A tentativa de desmontar a cápsula
A peça começou a ser desmontada.
Durante o processo, a cápsula que continha a fonte radioativa acabou sendo rompida.
Foi nesse momento que o material radioativo começou a se espalhar.
O cloreto de césio tinha uma característica especialmente perigosa: podia se dispersar com facilidade.
A partir daí, pequenas quantidades do material começaram a ser levadas para outros lugares.
O acidente deixou de estar restrito a um único ponto.
O ferro-velho de Devair Ferreira
Parte da peça foi levada para um ferro-velho pertencente a Devair Alves Ferreira, no Setor Aeroporto.
Devair comprou o equipamento porque havia interesse no chumbo e em outras partes metálicas.
Foi ali que ocorreu uma das etapas mais importantes da tragédia.
Ao desmontar a peça, o material radioativo ficou cada vez mais acessível.
Ninguém sabia exatamente o que era aquela substância.
E havia algo particularmente fascinante para quem a observava:
o pó brilhava em um tom azul.
O brilho acabou despertando curiosidade.
Fragmentos foram manipulados, levados para casas e mostrados a familiares e amigos.
O que parecia misterioso e bonito era, na realidade, uma fonte de radiação extremamente perigosa.
O estranho e mágico pó azul
O chamado "pó azul" tornou-se um dos símbolos do acidente de Goiânia.
Pequenas partículas do material foram levadas para diferentes ambientes.
Pessoas chegaram a tocar na substância.
Alguns tiveram contato com as mãos, roupas e objetos.
Em determinados casos, o material acabou sendo ingerido ou incorporado ao organismo.
É importante entender a diferença entre irradiação e contaminação radioativa.
Uma pessoa pode ser irradiada por uma fonte externa sem necessariamente carregar material radioativo consigo.
Já na contaminação, o material radioativo entra em contato com o corpo ou é incorporado por inalação, ingestão ou através de ferimentos.
No acidente de Goiânia ocorreram as duas situações.
A família que começou a adoecer
Depois do contato com o material, algumas pessoas começaram a apresentar sintomas.
Náuseas.
Vômitos.
Diarreia.
Tontura.
Fraqueza.
Lesões na pele.
Algumas lesões pareciam queimaduras.
Inicialmente, ninguém entendia a origem daqueles problemas.
As pessoas procuraram atendimento médico, mas a causa permanecia desconhecida.
O acidente continuava acontecendo enquanto médicos tentavam descobrir o que estava provocando os sintomas.
Maria Gabriela percebe que havia algo errado
Uma das figuras mais importantes dessa história foi Maria Gabriela Ferreira, esposa de Devair.
Ela percebeu que várias pessoas próximas estavam adoecendo.
Maria Gabriela passou a desconfiar que os problemas poderiam estar relacionados àquela peça que havia sido levada para o ferro-velho.
Essa suspeita seria decisiva.
Ela acabou levando parte do material até a Vigilância Sanitária de Goiânia.
Foi nesse momento que a história começou a ser compreendida.
29 de setembro de 1987: a descoberta da radiação
No dia 29 de setembro, o físico Walter Mendes Ferreira identificou tecnicamente que havia uma intensa contaminação radioativa.
O acidente foi então comunicado às autoridades e a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) foi acionada.
A partir daquele momento, Goiânia entrou em estado de emergência radiológica.
Segundo a CNEN, Walter Mendes teve papel fundamental na identificação do acidente e no acionamento das autoridades.
O que inicialmente parecia uma série de casos misteriosos de doença revelou algo muito maior:
uma fonte radioativa havia sido desmontada e espalhada pela cidade.
A Operação Césio-137
Uma enorme operação de emergência foi organizada.
Participaram equipes da CNEN, autoridades estaduais e municipais, Defesa Civil, profissionais de saúde, militares e outras instituições.
Era necessário descobrir:
quem havia tido contato com o material;
onde o material havia passado;
quais casas estavam contaminadas;
quais objetos estavam contaminados;
quais pessoas haviam sido irradiadas;
quais pessoas haviam incorporado material radioativo;
até onde a contaminação havia se espalhado.
O trabalho era gigantesco.
E havia um problema adicional:
ninguém sabia exatamente onde estavam todos os fragmentos.
O Estádio Olímpico virou centro de triagem
Um dos locais utilizados para a triagem da população foi o Estádio Olímpico de Goiânia.
Milhares de pessoas foram examinadas.
A situação provocou medo entre os moradores.
Havia receio de que qualquer pessoa pudesse estar contaminada.
A população também passou a temer objetos, roupas, alimentos e até pessoas que haviam tido contato com a radiação.
O Governo de Goiás registra que 112.800 pessoas foram monitoradas durante a operação. Destas, 249 apresentaram contaminação significativa interna e/ou externa.
A contaminação chegou às casas
O césio não permaneceu apenas no ferro-velho.
Ele foi levado para residências.
Objetos contaminados precisaram ser recolhidos.
Roupas foram examinadas.
Casas precisaram ser interditadas.
Em alguns locais, a contaminação foi tão intensa que não bastava limpar.
Era necessário remover materiais.
Paredes.
Telhados.
Solo.
Objetos pessoais.
Construções inteiras.
Casas foram demolidas
Uma das cenas mais marcantes do acidente foi a demolição de imóveis contaminados.
Partes de residências foram destruídas e retiradas como rejeito radioativo.
Para as famílias, aquilo significava muito mais do que perder uma casa.
Era perder fotografias.
Roupas.
Brinquedos.
Móveis.
Documentos.
Objetos de família.
Memórias.
Tudo aquilo que pudesse estar contaminado precisava ser retirado.
O Governo de Goiás registra que a descontaminação exigiu a remoção de grandes quantidades de solo e a demolição de construções em áreas contaminadas.
Leide das Neves: a menina que se tornou símbolo da tragédia
Entre as vítimas estava Leide das Neves Ferreira, uma menina de apenas seis anos.
Leide era sobrinha de Devair e estava entre as pessoas expostas ao material radioativo.
A menina acabou se tornando o símbolo mais conhecido do acidente.
Ela havia tido contato com o pó radioativo e ingerido partículas do material.
Sua exposição foi extremamente grave.
Leide morreu em 23 de outubro de 1987.
Tinha apenas seis anos.
Sua história permanece como uma das imagens mais dolorosas do acidente de Goiânia.
Maria Gabriela Ferreira
No mesmo dia, 23 de outubro, morreu Maria Gabriela Ferreira, esposa de Devair.
Ela tinha 37 anos.
Maria Gabriela foi uma das pessoas que tiveram contato intenso com o material.
Sua participação na descoberta do problema também marcou a história do acidente.
Ao perceber que havia alguma relação entre o material e os sintomas das pessoas, ela ajudou a levar o caso ao conhecimento das autoridades.
Mas não conseguiu sobreviver às consequências da exposição.
Israel Batista dos Santos
Outra vítima foi Israel Batista dos Santos, jovem que trabalhava no ferro-velho de Devair.
Israel teve contato direto com a fonte durante o processo de desmontagem.
Morreu em 27 de outubro de 1987.
Admilson Alves de Souza
A quarta vítima fatal foi Admilson Alves de Souza, também funcionário do ferro-velho.
Ele tinha apenas 18 anos.
Morreu em 28 de outubro de 1987.
Os quatro mortos foram vítimas de graves efeitos da exposição à radiação e desenvolveram a Síndrome Aguda da Radiação.
A Síndrome Aguda da Radiação
A radiação em doses muito elevadas pode destruir células e tecidos do organismo.
Um dos sistemas mais vulneráveis é a medula óssea.
Quando a medula é gravemente afetada, o organismo perde parte de sua capacidade de produzir células sanguíneas.
Isso pode provocar:
queda das células de defesa;
anemia;
problemas de coagulação;
hemorragias;
infecções;
falência de órgãos;
comprometimento de diversos sistemas do corpo.
No acidente de Goiânia, as quatro mortes ocorreram aproximadamente quatro a cinco semanas após a exposição, em consequência de complicações da Síndrome Aguda da Radiação.
O tratamento dos sobreviventes
Os pacientes precisaram passar por procedimentos rigorosos de descontaminação.
Entre as técnicas utilizadas estavam banhos mornos com sabão neutro, métodos para remover o material da pele e procedimentos específicos para descontaminação das mãos e dos pés.
Alguns pacientes precisaram permanecer isolados.
Os casos mais graves foram encaminhados para o Hospital Naval Marcílio Dias, no Rio de Janeiro.
Segundo a Secretaria de Saúde de Goiás, 14 pacientes em estado grave foram transferidos para o Rio de Janeiro.
28 pessoas tiveram lesões provocadas pela radiação
O acidente provocou também graves lesões na pele.
Segundo os registros oficiais, 28 pessoas desenvolveram, em maior ou menor intensidade, a Síndrome Cutânea da Radiação, também conhecida como radiodermite.
As lesões podiam parecer queimaduras, mas sua origem era completamente diferente.
A radiação havia provocado danos celulares profundos.
O impacto psicológico
O acidente não provocou apenas doenças físicas.
Também provocou medo.
Muitos moradores de Goiânia passaram a temer a radiação e qualquer pessoa associada ao acidente.
Houve preconceito contra sobreviventes e familiares.
Pessoas contaminadas ou simplesmente relacionadas às vítimas passaram a ser vistas com desconfiança.
Em alguns casos, a população tinha medo até de se aproximar delas.
Esse preconceito acabou se tornando uma segunda tragédia.
As vítimas não precisavam apenas lidar com os efeitos da radiação.
Precisavam também enfrentar o estigma social.
Os caixões das vítimas
O sepultamento de Leide das Neves e Maria Gabriela foi marcado por tensão e medo.
Os corpos das vítimas precisaram ser tratados dentro de protocolos específicos.
Quando os caixões chegaram a Goiânia, houve forte presença de autoridades e militares.
A população estava assustada.
Havia medo de que os corpos pudessem continuar emitindo radiação.
Os caixões utilizados foram reforçados com chumbo.
O enterro tornou-se uma das cenas mais dramáticas de toda a tragédia.
Afinal, o que aconteceu com o pó azul?
A substância era cloreto de césio-137.
O césio-137 é um radioisótopo produzido artificialmente e emite radiação beta e gama.
Sua meia-vida física é de aproximadamente 30 anos — o valor frequentemente usado em registros oficiais é cerca de 30,1 anos.
Isso significa que, após aproximadamente 30 anos, metade da atividade radioativa inicial permanece.
Depois de mais 30 anos, resta metade da metade, e assim sucessivamente.
Por isso, o problema não terminou quando o material foi retirado de Goiânia.
Era necessário armazená-lo de maneira segura por longo período.
Milhares de toneladas de rejeitos
A descontaminação produziu uma quantidade gigantesca de resíduos.
Segundo a CNEN, aproximadamente 6 mil toneladas de rejeitos radioativos resultaram da operação.
Esses resíduos foram acondicionados em estruturas apropriadas.
O material foi levado para Abadia de Goiás, município localizado próximo a Goiânia, onde permanece sob controle e monitoramento.
O Governo de Goiás também registra que o depósito definitivo passou a ser monitorado pelo Centro Regional de Ciências Nucleares do Centro-Oeste.
O depósito de Abadia de Goiás
O local escolhido para receber os rejeitos transformou-se em uma instalação permanente de armazenamento e monitoramento.
O objetivo era impedir que o material radioativo voltasse ao ambiente.
Os rejeitos foram colocados em recipientes e estruturas especialmente preparados.
O local continua sendo acompanhado pelas autoridades responsáveis.
Assim, uma parte da história do acidente permanece literalmente armazenada em Abadia de Goiás.
O acompanhamento das vítimas
Depois da fase emergencial, surgiu outro desafio:
o que aconteceria com as pessoas expostas à radiação ao longo dos anos?
Em fevereiro de 1988 foi criada a Fundação Leide das Neves Ferreira, destinada ao acompanhamento das vítimas e à realização de estudos relacionados ao acidente.
Posteriormente, outras estruturas assumiram essas funções.
Atualmente, o Centro Estadual de Assistência aos Radioacidentados Leide das Neves (CARA) realiza acompanhamento das pessoas atingidas e mantém atividades relacionadas à memória e aos estudos sobre o acidente.
O acidente mudou a forma de pensar a segurança radiológica
Goiânia deixou uma lição que ultrapassou as fronteiras do Brasil.
Equipamentos médicos que utilizam fontes radioativas precisam ser controlados durante toda a sua vida útil.
Não basta controlar o aparelho enquanto ele está funcionando.
É necessário saber:
onde está a fonte, quem é responsável por ela e para onde ela irá quando o equipamento for desativado.
O acidente mostrou de maneira dramática o que pode acontecer quando uma fonte radioativa é abandonada sem controle adequado.
Não foi um acidente nuclear
É comum encontrar o episódio descrito como um "acidente nuclear de Goiânia".
Tecnicamente, isso está incorreto.
O caso foi um acidente radiológico.
Não houve uma usina nuclear, reação em cadeia ou explosão nuclear.
O problema foi provocado por uma fonte radioativa utilizada em um equipamento de radioterapia.
Essa diferença é importante para compreender corretamente o episódio.
O acidente de Goiânia foi único?
Não exatamente.
Acidentes envolvendo fontes radioativas já ocorreram em outros países.
Mas o acidente de Goiânia tornou-se um dos mais importantes acidentes radiológicos da história justamente pela combinação de fatores:
fonte radioativa abandonada;
equipamento desmontado por pessoas sem conhecimento do risco;
material altamente dispersável;
distribuição do material entre diferentes pessoas;
contaminação de residências;
contaminação de áreas urbanas;
exposição interna e externa;
grande número de pessoas monitoradas;
necessidade de demolição de imóveis;
produção de milhares de toneladas de rejeitos.
Em 2026, a própria CNEN continua tratando o episódio como um marco histórico da radioproteção brasileira e o descreve como o maior acidente radiológico ocorrido em área urbana.
O que aconteceu com Devair Ferreira?
Devair Alves Ferreira, proprietário do ferro-velho onde uma parte importante da contaminação ocorreu, também sofreu forte exposição.
Ele sobreviveu ao acidente, mas sofreu consequências físicas e psicológicas.
O contato com o material mudou completamente sua vida.
A tragédia também atingiu sua família.
A história de Devair é importante porque mostra que o acidente não terminou com as quatro mortes.
Muitos sobreviventes carregaram consequências durante anos.
Uma tragédia que começou com algo aparentemente insignificante
Talvez uma das características mais assustadoras do caso de Goiânia seja justamente sua origem.
Não começou com uma explosão.
Não começou com uma guerra.
Não começou com um reator nuclear.
Começou com uma peça velha.
Um equipamento abandonado.
Uma busca por sucata.
Um pedaço de metal que parecia ter algum valor.
E dentro dele havia uma fonte radioativa.
A partir de uma sequência de decisões aparentemente pequenas, o material percorreu casas, ruas, ferro-velhos e famílias.
Linha do tempo do Césio-137
1985 — o Instituto Goiano de Radioterapia muda de instalações e deixa para trás o equipamento de radioterapia.
10 a 13 de setembro de 1987 — homens retiram parte do equipamento abandonado.
13 de setembro — a peça é transportada para uma residência.
Dias seguintes — o equipamento é desmontado e parte dele chega a um ferro-velho.
Setembro de 1987 — o material radioativo começa a ser distribuído e levado para diferentes locais.
29 de setembro — a contaminação radioativa é identificada oficialmente e as autoridades são acionadas.
Final de setembro — começa a grande operação de emergência.
Outubro de 1987 — vítimas gravemente contaminadas são transferidas para o Rio de Janeiro.
23 de outubro — morrem Leide das Neves Ferreira e Maria Gabriela Ferreira.
27 de outubro — morre Israel Batista dos Santos.
28 de outubro — morre Admilson Alves de Souza.
1988 — é criada a Fundação Leide das Neves Ferreira para acompanhamento das vítimas.
Décadas seguintes — o acompanhamento médico, ambiental e social continua.
Quantas pessoas foram atingidas?
Os números ajudam a dimensionar o tamanho da operação.
Mais de 112 mil pessoas foram monitoradas.
249 pessoas apresentaram contaminação significativa interna e/ou externa.
Entre elas, algumas apresentavam contaminação apenas em roupas e calçados e foram liberadas depois da descontaminação.
Outras precisaram de acompanhamento médico.
Ao todo, quatro pessoas morreram diretamente em decorrência da exposição ao césio-137.
O legado de Leide das Neves
O nome de Leide das Neves permaneceu ligado ao acidente.
Sua imagem passou a representar não apenas a tragédia, mas também a necessidade de lembrar o que aconteceu.
O nome da menina foi utilizado em instituições criadas para acompanhar os radioacidentados.
Décadas depois, sua história continua sendo lembrada em estudos, documentos e iniciativas de preservação da memória do acidente.
Goiânia nunca esqueceu
O acidente de 1987 tornou-se parte da história de Goiânia.
Por muitos anos, falar sobre o Césio-137 significava falar sobre medo, sofrimento e preconceito.
Mas também significa falar sobre ciência, medicina, proteção radiológica e responsabilidade.
Em agosto de 2026, a Prefeitura de Goiânia sancionou uma lei criando o Memorial e Museu Césio-137, com o objetivo de preservar a memória das vítimas, reconhecer os profissionais envolvidos e promover conscientização sobre o acidente.
O que o Césio-137 deixou para trás?
O acidente deixou muito mais do que rejeitos radioativos.
Deixou quatro mortos.
Deixou sobreviventes com sequelas.
Deixou famílias destruídas.
Deixou casas demolidas.
Deixou milhares de toneladas de materiais contaminados.
Deixou medo.
Deixou preconceito.
E deixou uma das maiores lições da história brasileira sobre a necessidade de controlar materiais radioativos.
O mais impressionante é que ninguém envolvido no início da história imaginava a dimensão do que estava acontecendo.
Para aqueles que encontraram a peça, era apenas sucata.
Para aqueles que viram o pó azul, era uma curiosidade.
Para a ciência, entretanto, aquilo era uma fonte radioativa extremamente perigosa.
E foi assim que uma peça abandonada em um prédio de Goiânia se transformou em uma tragédia que chamou a atenção do mundo inteiro.
O acidente com o Césio-137 não foi apenas uma história sobre radiação. Foi uma história sobre abandono, desconhecimento, curiosidade, responsabilidade, sofrimento humano e as consequências que uma pequena falha pode provocar quando envolve uma tecnologia de enorme poder.
Uma história que não deve ser esquecida.
Césio-137 — Goiânia, 1987.
Fotos que combinam muito com a matéria
Leide das Neves Ferreira tornou-se o principal símbolo humano do acidente radiológico de Goiânia. Fotos históricas devem ser utilizadas com respeito às vítimas e suas famílias.
A operação de emergência envolveu triagem da população, descontaminação de áreas e retirada de toneladas de materiais contaminados.7
As informações principais acima foram conferidas em registros do Governo de Goiás, CNEN, IPEN e Agência Internacional de Energia Atômica, incluindo documentação histórica produzida a partir do acidente.
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