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sábado, 4 de janeiro de 2014

O Pontilhismo- TATTO



Nascido no século 19, na França, o pontilhismo (pointillisme, em francês, e dotwork ou stippling, em inglês) é uma técnica, como o nome mesmo diz, que consiste em criar uma imagem usando apenas pontinhos ou pequenas manchas, que provocam, pela justaposição, um efeito óptico. O pontilhismo veio do movimento impressionista e teve como base os estudos científicos do químico Michel Chevreul, que demonstram que cada cor ao lado de outra, sem serem mescladas, têm sua aparência original modificada, e são combinadas na retina do observador, formando o tom desejado pelo autor. George Seraut e Paul Signac são os principais nomes relacionados a essa forma de arte.
Na tatuagem, o pontilhismo apareceu no começo dos anos 90, na Europa.
Xed Lehead, de Londres, e Erik Reime, da Dinamarca, são considerados, por muitos, uns dos precursores do uso do pontilhismo na tatuagem, influenciando diversos tatuadores a se aventurar no estilo.
A proximidade dos pontos é o que faz a diferença nesse tipo de tattoo, para criar constrastes, sombreados, texturas e tons e, assim, construir o desenho.
São várias as referências do pontilhismo aplicado à tatuagem: Gregorio Marangoni,Marcio Ramos, Guy Le Tatooer, Nazareno Tubaro, Thomas Hooper, Colin Dale e outros.







domingo, 29 de setembro de 2013

Tatuagens feitas por Xoil

CURIOSIDADES

Um tatuador francês conhecido como “Xoïl” vem fazendo barulho com seu jeito único de rabiscar.
Ele resolveu fugir dos estereótipos e criou o “Photoshop Style”, mais puxado para o design, utilizando formas geométricas não convencionais, fontes espertas e texturas diferentes do que a gente vê por aí nas carcaças da galera.
Assim como os tatuadores japoneses tradicionais, o francês não gosta que os clientes escolham os desenhos e o digam o que fazer. Ele prefere trabalhar solto, deixando suas ideias fluírem naturalmente no corpo dos tatuados.
Quando não está trabalhando no seu estúdio em Thonon les Bains, Xoïl percorre diversos países pelo mundo difundindo sua arte.



















domingo, 14 de julho de 2013

Eyeball por Rafael Leão Dias




Quando Rafael Leão, proprietário do estúdio Dhar Shan Body Art, em Jundiaí, interior de São Paulo, publicou as fotos do primeiro globo ocular tatuado no Brasil, as opiniões ficaram divididas em meio à polêmica: o que faz um profissional ser considerado qualificado para efetuar o procedimento?

Conversando com o Rafael e depois de ler sua entrevista ao Frrrk Guys, posso afirmar que ele tem algo em comum com os outros profissionais que fazem a pigmentação dos olhos: ele estudou e pesquisou. Não foi uma decisão tomada a partir de uma foto e o processo não foi rápido. Segundo contou ao Frrrk Guys, há mais de um ano e meio Rafael se interessou pela técnica e começou a procurar informações sobre como se dá a aplicação. Da procura por luvas confeccionadas em nitrilo, para evitar irritações por contato, à leitura e observação de vídeos e de relatos, ele buscou se preparar com tudo o que havia disponível. Rafael também chama a atenção para o pigmento, que deve ser microprocessado e livre de impurezas que possam resultar em consequências indesejáveis. Para a manipulação do pigmento, ele teve ajuda de uma profissional formada em química e a própria manipulação é realizada em farmácia.

(trabalho por Rafael Leão)

Não há como negar que todos estão sujeitos a críticas variadas. Se um trabalho está exposto, ele vai sofrer críticas e a internet abre ainda mais as portas para que isso aconteça. Eu sou partidária de que, para criticar e falar mal, você deve fazer melhor – ou, no mínimo, saber como se pode fazer melhor. E, é claro, se quem critica é uma pessoa muito mais experiente, com mais anos de prática e de atividade no ramo, a opinião dela não pode ser deixada de lado. Ao mesmo tempo, ao falar, essa pessoa não deveria se esquecer – ou ignorar – como começou a exercer a modificação profissionalmente.
Voltando à questão da experimentalidade da técnica do eyeball tattooing – e de qualquer outra técnica, pois considero que todas estão em constante desenvolvimento, mesmo as que parecem solidamente estabelecidas –, todos os profissionais que foram citados até agora chegaram ao ponto em que estão por meio do experimento. Grandes nomes da modificação corporal no mundo todo só aprenderam porque puderam praticar aquilo que haviam estudado. Às vezes, praticavam em si mesmos! E que atire o primeiro catéter o body piercer que nunca tentou se furar ou que ficou inseguro na hora de colocar o primeiro piercing sem supervisão! Foi assim que a arte no corpo se desenvolveu e foi por meio de situações parecidas que até a medicina evoluiu – procure, no Google, por “lobotomia”, por exemplo.

(trabalho por Rafael Leão)

A confiança de uma pessoa próxima que aceite “doar” seu corpo para que a prática ocorra é também crucial. Inspirado pelo trabalho de Luna Cobra, Jefferson Silva foi quem confiou seus olhos a Rafael para que a primeira aplicação brasileira fosse realizada. Cientes dos riscos, Rafael e Jefferson decidiram fazer, inicialmente, apenas um olho, para observar as reações e o resultado.
Rafael confirma que o procedimento não é fácil; pelo contrário, a falta de domínio natural sobre as córneas faz com que os olhos se movam involuntariamente, exigindo extremo cuidado por parte do aplicador. Em relação ao pós-procedimento, Jefferson disse ao site Frrrk Guys que teve uma sensação de desconforto e de maior pressão no olho. Passados alguns meses, os olhos dele parecem estar indo bem, assim como os das outras pessoas que tiveram a aplicação realizada por Rafael.
Algo que também já falei antes (desculpem-me pela repetição, acho que certas coisas devem ser reforçadas sempre que possível) é que, até o momento, todas as pessoas que decidiram ter a cor do “branco” de seus olhos modificada são indivíduos já adeptos da modificação, que já têm a body art completamente inserida em suas vidas. Mudar a cor dos olhos é, portanto, só uma parte do processo de construção de seus corpos.
Atualmente, no Brasil, apenas Rafael Leão realiza o eyeball tattooing. Elefaz questão de enfatizar que “não é para qualquer um”, afinal, além de todos os riscos já descritos aqui, a mudança é radical e permanente. Se ele qualificados ou não para o procedimento, a decisão parte de cada um. O importante é estar ciente dos riscos que envolvem a pigmentação do globo ocular e de que essa é uma técnica que ainda precisa ser muito desenvolvida!

Tatuagem nos olhos e a medicina

A tatuagem do globo ocular, como vimos, não é propriamente uma tatuagem. É uma injeção de pigmento para modificar a cor do chamado “branco dos olhos”. Ainda assim, existe algo que podemos chamar de tatuagem nos olhos e que é um processo mais parecido com o da tatuagem propriamente dita: a tatuagem feita na córnea.
Em inglês, ela é chamada de “corneal tattooing” e, obviamente, é realizada na região da córnea, que cobre a íris (veja a figura abaixo). É nessa região que mais comumente ocorrem lacerações e feridas por contato que podem deixar cicatrizes, estas aparecendo como uma leve descoloração por cima da íris.


A função da tatuagem na córnea é puramente estética, para encobrir lesões, calcificações ou partes removidas. São casos em que o espaço no qual a tinta é aplicada não tem mais sua funcionalidade total, ou seja, o olho tatuado é parcialmente ou completamente cego. A primeira descrição da tatuagem da córnea, pasmem, data de 150 a.C.! Alguns fisicistas desenvolveram a prática por meio da cauterização, que tornava a área afetada mais escura, portanto, “disfarçando” o defeito. Desde então, foram realizadas muitas pesquisas diversas, sugerindo diferentes métodos, mas, ao que parece, a maioria não gerou resultados satisfatórios.
Uma oftalmologista sul-africana, Dra. Jeanette Carlisle, no entanto, decidiu pedir conselhos a um tatuador depois de tentativas frustradas de cobrir o olho acinzentado de um paciente. Médica e tatuador treinaram, durante meses, em olhos de porcos, a fim de estabelecer a melhor técnica para se fixar a tinta no olho com uma máquina de tatuagem tradicional. Eventualmente, a médica conseguiu a permissão de um hospital para efetuar o procedimento num olho humano e, surpreendentemente, em aproximadamente cinco minutos, o olho do paciente foi satisfatoriamente corrigido.
A Dra. Carlisle é assertiva quanto à prática: é possível tatuar o branco do olho também, mas ela jamais tatuaria nem a córnea nem a esclera de um olho funcional, pois não valeria correr o risco de infecção e futura cegueira.


Para os que tiveram os olhos afetados ou lesados de alguma forma e desejam “corrigi-los”, para que tenham uma aparência normal, o procedimento é oferecido por técnicos em estética, que usam máquinas de tatuagem ou de micropigmentação (“maquiagem definitiva”) e os resultados costumam ser bem sucedidos.

RATTO 

Rafael por sinal é sem dúvida o mais prolífico tatuador globo ocular no Brasil, se não na América do Sul como um todo, e tem feito algumas pessoas interessantes e bem conhecidos microstars de modificação do corpo - por exemplo, Rodrigo Musquito (primeira linha de fotos abaixo, com a tatuagem de caveira full-face), pro lutador de MMA Danver Santos (segunda linha de fotos abaixo), e mega-modded-casal Victor Peralta e Ana Diabolick (que você pode perceber acompanhamento Danver na foto final). Danver luta com o Team Nogueira, sob pesado Minotauro Nogueira, e quando eu conversei com ele sobre as tatuagens olho cerca de um mês atrás, ele me disse que suas tatuagens globo ocular negros estavam dirigindo multidões completamente louca e tinha fãs clamando por fotos! Eles olhar surpreendente, mas a minha única preocupação é que as tatuagens olho pode ser danificado pela pressão e eu não tenho certeza de tatuagens oculares são totalmente compatíveis com o MMA - o tempo dirá.
Jefferson, 22 anos, nos contou que decidiu fazer os seus olhos há um mês, após ver os trabalhos de Luna Cobra. Disse que não teve receio algum sobre os riscos, mesmo sabendo que seria o primeiro procedimento de Rafael. Ambos decidiram por fazer apenas um olho pra ver qual será o resultado e depois preencher os dois.
Questionamos sobre a questão da dor no procedimento e pós, Jefferson nos disse que a sensação é de muita pressão no olho e que ainda agora sente um desconforto.


Rafael Leão, 31 anos, nos contou que tem contato com o body piercing desde 1998. Segundo ele passou a atuar profissionalmente como body piercer em 2007, momento que abriu sua loja, a Dhar-Shan, na cidade de Jundiaí, interior de São Paulo. Desde então, Leão diz que começou a estudar sobre body mods e em 2009 fez sua primeira escarificação e sobre os passos seguintes nas bodys mods acrescentou:
“Foram surgindo as oportunidades de fazê-las e busquei os materiais e ferramentas adequadas para os procedimentos. Recentemente tive o prazer de trabalhar com jóias de implante do Steve Haworth.”
Quando o assunto foi exclusivamente a tatuagem no globo ocular, o profissional nos respondeu:
“O interesse pela técnica de pigmentação ocular já tem 1 ano e meio e foi quando comecei a procurar informações sobre o processo de aplicação, ferramentas e materiais usados. A primeira coisa que tive certeza foi que não deveria usar luvas de látex. Fiquei no espelho analisando meu globo ocular usando luvas de procedimento e elas irritavam muito. Troquei pelas de nitrilo e esse problema se ausentou. Comecei a pesquisar a aplicação olhando vídeos de XRoniX e Luna e outros artigos no BME sobre cicatrização, entre outros problemas futuros. Observei os pontos usados e comecei a me preparar sobre o pigmento. Consegui um pigmento atóxico e livre de impurezas.
O procedimento em si e bem complicado de se fazer pois as pessoas não têm total domínio sobre suas córneas, é automático move-las ao menor contato e até mesmo um cisco já irrita o bastante. Tenho muita confiança no piercer Rodolfo, meu auxiliar aqui no estúdio. Com essa confiança no Rodolfo, nos materiais e insumos de qualidade me preparei para fazer. Mas a confiança maior partiu do Jeff, pois ele já estava a meses querendo fazer. Me dizia que sonhava e se via de olhos negros no espelho.” (sic)


Ficamos curiosos em saber de Leão se já teria outras cores de pigmentos e ele nos contou que já tem e que em breve irá fazer o procedimento em uma outra cor, dessa vez em uma garota.


RAFAEL LEÃO E RODRIGO ( MOSQUITO )


DANVER SANTOS 


JEFFERSON SAIINT - O primeiro a ser tatuado por Rafael Leão

MARY JO 

PEP TREZE 



CAIQUE LÉON 

WIDSON SANTOS 


ANA DIABOLIK 

KARINE GUIMARÃES 



GUILHERME TROIANO

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Gerson De Araújo -Urea, o primeiro brasileiro a realizar o Eyeball Tatto em si própio


Brasil - O fascínio pela prática da modificação corporal fez o jovem paraibano Gerson de Araújo, o popular Urea, natural da cidade de Patos, a cerca de 480 km da capital João Pessoa, tatuar seus próprios olhos. Urea mora em Rio Branco, capital do Acre, desde 2009 e realizou o procedimento, conhecido como 'eyeball tatoo', sozinho nos dias 6 e 7 deste mês.

A técnica, de acordo com ele, já existe no mundo há quase oito anos e desde então a estudava para conseguir fazer em si próprio. Urea trabalha como tatuador e tem quase 80% do corpo marcado com desenhos e escritas, além de implantes no braço esquerdo, também colocados por ele mesmo. Ele acredita ser o primeiro da América Latina a pintar os próprios olhos sozinho.

"Tem uma pessoa em Londres que conseguiu pintar sozinho seus olhos há seis anos, existem relatos disso. Fora isso, desconheço alguém que fez o procedimento só. Minha meta, de todos os meus trabalhos, é fazer em mim mesmo. Depois de sete anos consegui", comenta.

Segundo Urea, a realização do procedimento, se feito normalmente por um profissional em outra pessoa, dura cerca de 15 minutos. Os efeitos sentidos, ele garante, não são nada de outro mundo.
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"Quinze minutos é o tempo médio. Mas como fiz só, passei dois dias para poder pintar os dois olhos. Uma madrugada inteira para pintar a metade de um e no outro dia foi que consegui pintar a outra metade e o outro olho. Fiz sem anestesia, com técnica própria. A sensação é meio tensa por fazer em você mesmo. Os olhos ficam sensíveis à luz por uns três, quatro dias. Dá um pouco de dor de cabeça, como enxaqueca, e uma pressão ocular normal. Mas, nada de outro mundo", relata.

Para concretizar sua vontade, Urea utilizou uma tinta especial, trazida de Nova Iorque por um amigo. Destacando se tratar de um processo irreversível, ele diz que contou com a colaboração de amigos médicos que analisaram os riscos e somente depois disso liberaram para prosseguir com sua intenção.

"É uma tinta que foi mandada manipular, sem chumbo, sem metal, especial para esse tipo de atividade. Não há reversão do processo. Tem risco, mas é algo que daqui 30, 40, 50 anos, vamos saber. Se tiver de acontecer alguma coisa vai ser na hora de furar. A tinta é injetada em três, quatro pontos do olho. Como é colocada abaixo do vaso, é ele quem vai fazer ela correr pelo olho, então geralmente são de oito a dez dias para fechar totalmente. Tenho uma equipe de médicos que trabalha comigo, vários médicos amigos, então debatemos muito até chegar em um consenso, até que eu fizesse o procedimento", ressalta.


Segundo maior êxtase da vida
Urea não pensa em arrependimento. Para ele, alcançar seu objetivo foi o segundo maior êxtase da vida, superado somente pelo momento em que fez os seus implantes no braço.
"Nunca me arrependi de nada. Quando o olho fechou foi uma das minhas maiores felicidades. Chega me arrepio de falar", diz apontando para o braço direito. "Era um sonho que sempre tive. São sete anos estudando e quando consegui foi o segundo maior êxtase na minha vida. O primeiro foi quando coloquei os implantes no meu braço", complementa.
Questionado sobre o risco de sofrer preconceito por conta da imagem que para muitos pode ser considerada assustadora, Urea garante não se importar com o que os outros vão pensar.
"Fiz uma coisa para que eu me sentisse bem, não para os outros. É a realização pessoal de cada um. Tem gente que sonha em passar no vestibular, meu sonho é me modificar, é conseguir fazer os procedimentos em mim mesmo. Isso é minha meta de vida", destaca, ressaltando existir outros procedimentos que pretende fazer, mas não agora, por enquanto.
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"Existem outros implantes que quero fazer, mas no momento vou dar um tempo, estudar mais, desenvolver mais a técnica", afirma.
Como mora distante de seus familiares, Urea diz que a relação com seus pais hoje é tranquila quando se trata de suas decisões em modificar seu corpo. "O pessoal em casa não critica, respeita. Hoje em dia já existe o respeito. Antigamente não, era o preconceito. Por eu ser do interior do Paraíba, você já tira o preconceito que já existe em cada um. Meu pai me botou para fora de casa com 14 anos porque eu falei que queria trabalhar com tatuagens e piercings. Desde criança eu já sabia o que queria. É como você nascer para aquilo. Me sinto assim, que nasci para isso. Eu sou a modificação, vivo isso", enfatiza.
Ele orienta quem tiver interesse em fazer o procedimento a ter certeza do que deseja, conhecer o material que será utilizado e a técnica em si. "Saiba que é uma coisa irreversível, que vai fazer e terá que arcar com as consequências para o resto da vida, sejam elas quais forem", declara.

Interessados já procuram

Urea diz que o procedimento ainda não é realizado em qualquer pessoa, como uma tatuagem comum que se chega, paga e é feita em um estúdio.
"Não é um procedimento feito em clientes, em qualquer um. Não é algo que vão chegar na minha porta e dizer que querem fazer e eu vou pintar. É algo restrito para pessoas que trabalham com modificação corporal. Não é bem chegar, pagar e fazer", declara.
No entanto, ele ressalta que já recebeu propostas para realizar a 'eyeball tattoo' em outras pessoas. "Se fosse para pintar em alguém, cobraria entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil, dependendo da pessoa. É uma realização pessoal de cada um. Se eu ver que a pessoa tem realmente uma necessidade de fazer, as vezes nem cobro. Aqui em Rio Branco uma mulher me procurou para querer pintar o olho de azul, só que como falei, não é um procedimento feito em qualquer pessoa. Várias pessoas há anos vêm me procurando, mas não tinha o material adequado e não estava apto a fazer", afirma.

Rondoniense vem a Rio Branco para ter olho tatuado

O rondoniense de Porto Velho Victor Vieira, de 23 anos, que também é tatuador naquela cidade, é um dos que procurou Urea com a intenção de pintar seus olhos. Ele já havia entrado em contato com o tatuador paraibano há cerca de um ano, interessado na 'eyeball tatoo', mas Urea o avisou que não possuía o material adequado e não estava apto a realizar o procedimento.
No entanto, desta vez foi diferente. Ao ver a foto de Urea com os olhos pintados postada em uma rede social, Victor não pensou duas vezes e veio para Rio Branco no dia seguinte.
"É aquela coisa, choca. Quando vi a foto dele (referindo-se a Urea) na internet já cai para cá. Fiz por curtir o estilo do visual, que é tenebroso. Também sem anestesia, só com um colírio. Foram 15 minutos e já era. A gente é tatuador, vivemos disso. É algo muito pessoal. Eu gostei desde quando vi a primeira vez e decidi que faria assim que tivesse a oportunidade. A pessoa pensa que não vai acontecer, mas quando acontece é demais", declara.
Victor diz que apenas um amigo seu, o companheiro de trabalho no estúdio em que atua, sabe qual foi a finalidade da sua viagem para a capital acreana. Ele, que mora com a mãe, afirma não imaginar o que ela irá dizer quando vir seu novo visual. E ressalta ainda que não liga para os possíveis atos de preconceito que possa sofrer.
"Quando ele (amigo) viu a foto e o olho fechado com a cor preta ficou interessado em pintar também. A minha mãe, acredito que vá se espantar. Ela já se acostumou com as tatuagens, fica mais bolada por causa dos alargadores (ele tem um em cada orelha). Agora, com o olho assim, acho que ela vai esperar tudo. Quando chegar lá não tenho nem ideia do que ela vai falar. Não ligo para o preconceito de ninguém. Olham, fazem cara feia, fazem o sinal da cruz, xingam, mas não ligo não", comenta.



Oftamologista alerta para riscos

Para o oftamologista Amsterdan Sandres, o procedimento é novidade e ele alerta para o risco de desenvolvimento de uma reação inflamatória crônica.
"É preciso ver se é uma substância que o organismo pode receber sem reagir contra ela. Está muito cedo para dizer que o organismo não vá reagir. Normalmente se recomenda muito cuidado com os tecidos oculares, porque são tecidos que têm uma forma de defesa que é muito própria e muito tênue. A vascularização é muito pobre e qualquer insulto provoca reações inflamatórias. Não tenho a menor ideia de quem bolou esse negócio de fazer isso no olho. É meio estranho, mas estamos vivos para ver coisas estranhas", diz.