quarta-feira, 30 de setembro de 2026

HIROSHIMA E NAGASAKI: AS CIDADES ATINGIDAS PELAS BOMBAS ATÔMICAS

HIROSHIMA E NAGASAKI: AS CIDADES ATINGIDAS PELAS BOMBAS ATÔMICAS E A RECONSTRUÇÃO QUE VEIO DEPOIS

6 e 9 de agosto de 1945. Duas datas que entraram para sempre na história mundial.

Naqueles dias, Hiroshima e Nagasaki, no Japão, foram atingidas por bombas atômicas lançadas pelos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial. O resultado foi uma destruição sem precedentes, com dezenas de milhares de mortes imediatas e consequências humanas que continuaram durante décadas.

Mas existe outro capítulo dessa história que também impressiona: as duas cidades foram reconstruídas e hoje são cidades modernas, movimentadas e habitadas, enquanto alguns dos poucos vestígios que sobreviveram às explosões permanecem preservados como memoriais.


6 DE AGOSTO DE 1945 — HIROSHIMA

Estrutura

Diagrama da arma de fissão do tipo balístico.
  1. Estabilizador;
  2. Estrutura do detonador;
  3. Detonador;
  4. Explosivo (cordite);
  5. Projétil de Urânio-235 (peso total 26 kg);
  6. Entradas para o instrumento de medição e barômetro;
  7. Fuselagem;
  8. Controle de detonação;
  9. Cano de aço de 10 cm de diâmetro e 2 m de comprimento;
  10. Antenas do radar:
  11. Cabos para conexão;
  12. Estrutura de suporte do alvo de urânio;
  13. Urânio-235 alvo com 38 kg;
  14. Refletor de nêutrons de Carboneto de tungstênio;
  15. Iniciador de nêutrons;
  16. Estrutura de suporte do alvo de urânio;
  17. Cavidade para receber o cilindro de boro de segurança.

Às 8h15 da manhã, a bomba atômica lançada pelo bombardeiro B-29 Enola Gay explodiu sobre Hiroshima.

Naquele momento, estima-se que aproximadamente 350 mil pessoas estivessem na cidade, incluindo moradores, militares, trabalhadores mobilizados e pessoas de diferentes nacionalidades.

A explosão produziu uma combinação devastadora de onda de choque, calor extremo e radiação. A Prefeitura de Hiroshima estima que aproximadamente 140 mil pessoas tenham morrido até o final de dezembro de 1945. O número exato não pode ser determinado. 

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UMA CIDADE PRATICAMENTE DEVASTADA

A destruição atingiu uma área enorme de Hiroshima.

Segundo dados oficiais da Prefeitura de Hiroshima, cerca de 92% das edificações da cidade foram destruídas ou queimadas, correspondendo a aproximadamente 70.147 construções. 

Nas proximidades do hipocentro, a situação foi ainda mais terrível.

Muitas pessoas morreram instantaneamente. Outras ficaram gravemente queimadas, feridas pelos escombros ou expostas à radiação.

A Prefeitura de Hiroshima estima que, entre as pessoas que estavam a até aproximadamente 1,2 km do hipocentro, cerca de metade morreu ainda naquele dia. Quanto mais próximo do ponto da explosão, maior foi a taxa de mortalidade. 


O CALOR DA EXPLOSÃO

Um dos aspectos mais impressionantes da explosão foi o calor.

Segundo dados da Prefeitura da Província de Hiroshima, a temperatura ao nível do solo nas proximidades do hipocentro chegou a aproximadamente 3.000 °C a 4.000 °C.

Para comparação, o ferro derrete por volta de 1.500 °C.

O calor provocou incêndios e queimaduras gravíssimas, enquanto a onda de choque derrubou construções e espalhou destroços pela cidade. 





A RADIAÇÃO: A TRAGÉDIA NÃO TERMINOU COM A EXPLOSÃO

A bomba não provocou apenas mortes naquele instante.

A radiação também produziu consequências posteriores. Pessoas que sobreviveram à explosão podiam desenvolver doenças e complicações relacionadas à exposição.

Por isso, quando se fala nas vítimas de Hiroshima e Nagasaki, é importante lembrar que a tragédia continuou muito depois de o fogo desaparecer.

A própria cidade de Hiroshima registra que os efeitos da radiação provocaram sofrimento humano durante décadas. 

Os sobreviventes ficaram conhecidos como hibakusha, termo japonês utilizado para designar as pessoas afetadas pelos bombardeios atômicos.


9 DE AGOSTO DE 1945 — NAGASAKI

Vista da bomba atômica 'Fat Man', do tipo que os EUA lançaram em Nagasaki, no Japão, em 9 de agosto de 1945, matando 40.000 pessoas, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) / Getty Images
1. Fusível de segurança;
2. Radar;
3. Bateria usada para fornecer energia aos detonadores da explosão;
4. X-Unit, uma unidade que gerencia os detonadores;
5. Dobradiças para movimentar a bomba;
6. Explosivo pentagonal (12 unidades ao redor do núcleo, formado por explosivos rápidos e lentos);
7. Explosivo hexagonal (20 unidades ao redor do núcleo, formado por explosivos rápido e lento);
8. Cauda de alumínio estabilizadora;
9. Carcaça Dural com diâmetro de 140 cm;
10. Cones contendo o núcleo;
11. Células rápidas (explosivo rápidos e lentos);
12. A calçadeira de U-238, o fosso de Plutônio-239 e o iniciador de berílio-polonio
13. Placa com os instrumentos (barômetro, radar e relógios);
14. Coletor Barotube.

A detonação

Três dias depois de Hiroshima, outra bomba atômica foi lançada sobre o Japão.

Em 9 de agosto de 1945, às 11h02, Nagasaki foi atingida.

A cidade também sofreu enormes perdas humanas e materiais.

Dados da Província de Hiroshima indicam uma estimativa de aproximadamente 74 mil mortos em Nagasaki até o final de 1945, embora os números históricos apresentem diferentes estimativas conforme o período e o critério utilizado. 

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Nagasaki possuía uma geografia diferente de Hiroshima, com áreas montanhosas que influenciaram a distribuição da destruição.

Mesmo assim, bairros inteiros foram devastados.

Casas, fábricas, escolas, hospitais e outras estruturas foram atingidos.


O QUE ACONTECEU COM AS CIDADES DEPOIS?

Talvez uma das partes mais surpreendentes dessa história seja esta:

Hiroshima e Nagasaki não permaneceram cidades destruídas.

Depois da guerra, começou um longo processo de reconstrução.

Prédios foram erguidos novamente.

Ruas foram reconstruídas.

Pontes e sistemas de transporte foram recuperados.

Novos bairros surgiram.

Árvores foram plantadas.

Parques foram criados.

Pouco a pouco, as duas cidades voltaram a funcionar.

Em Hiroshima, o próprio governo provincial descreve esse processo como uma transformação do local devastado em uma cidade reconstruída. 


O DOMO DA BOMBA ATÔMICA

Entre os vestígios mais conhecidos de Hiroshima está o Domo da Bomba Atômica.

O edifício era originalmente o Hiroshima Prefectural Industrial Promotion Hall.

Quando a bomba explodiu, o prédio estava muito próximo do hipocentro. Grande parte da estrutura foi destruída, mas suas paredes e a estrutura metálica da cúpula permaneceram parcialmente de pé.

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O prédio foi preservado como testemunho da destruição.

Hoje, o Domo da Bomba Atômica é Patrimônio Mundial da UNESCO. A organização o descreve como a estrutura que permaneceu de pé próxima ao hipocentro e que foi preservada para transmitir às gerações futuras a memória do acontecimento. 


O PARQUE MEMORIAL DA PAZ

Onde antes existiam bairros e atividades cotidianas, Hiroshima possui atualmente o Parque Memorial da Paz.

Ali estão monumentos, memoriais e museus relacionados ao bombardeio.

O local reúne:

  • Cenotáfio das Vítimas da Bomba Atômica;

  • Museu Memorial da Paz de Hiroshima;

  • Domo da Bomba Atômica;

  • Memorial Nacional das Vítimas;

  • monumentos dedicados às vítimas;

  • espaços destinados à reflexão e à preservação da memória.

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O Memorial Nacional de Hiroshima também preserva fotografias, nomes e relatos de vítimas e sobreviventes. 


E NAGASAKI?

Nagasaki também transformou parte da região atingida em um espaço dedicado à memória.

Hoje existe o Parque da Paz de Nagasaki, além do Museu da Bomba Atômica de Nagasaki e do Memorial Nacional dedicado às vítimas.

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O Memorial Nacional de Nagasaki mantém registros e testemunhos relacionados às vítimas. Em 9 de agosto de 2026, o número de vítimas falecidas registradas pelo memorial chegava a 204.708.


MAS AINDA EXISTE RADIAÇÃO EM HIROSHIMA E NAGASAKI?

Essa é uma das perguntas mais comuns.

Não existe hoje uma situação de radiação perigosa nas cidades decorrente das bombas de 1945.

A Prefeitura de Hiroshima informa que os níveis atuais de radiação em Hiroshima e Nagasaki estão no nível extremamente baixo da radiação natural de fundo encontrada em outras partes do planeta. 

Isso aconteceu porque a radiação residual das explosões diminuiu rapidamente.

Isso é muito diferente de um acidente envolvendo uma fonte contínua de material radioativo.


HIROSHIMA HOJE

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É difícil imaginar, olhando para Hiroshima atualmente, que aquela mesma região foi devastada em 1945.

Hoje encontramos:

prédios modernos, avenidas, lojas, restaurantes, escolas, universidades, transporte público, parques e uma população vivendo normalmente.

A cidade cresceu e se tornou novamente um importante centro urbano do Japão.

Mas a memória de 1945 continua presente.


NAGASAKI HOJE

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Nagasaki também é uma cidade moderna.

Sua paisagem atual inclui prédios, bairros residenciais, comércio, transporte, portos e áreas turísticas.

A cidade, entretanto, preserva diversos locais relacionados ao bombardeio.

Assim como Hiroshima, Nagasaki transformou parte de sua história em uma forma de educação e preservação da memória.


AS ÁRVORES QUE SOBREVIVERAM

Entre as histórias mais impressionantes estão as das árvores que sobreviveram à explosão.

Algumas árvores existentes em Hiroshima resistiram ao bombardeio e são conhecidas como hibakujumoku, ou árvores sobreviventes da bomba atômica.

Elas se tornaram símbolos de sobrevivência e de continuidade.

Hoje, algumas dessas árvores ainda são cuidadas e identificadas.


1945 × HOJE

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Talvez nenhuma fotografia consiga transmitir melhor essa história do que uma comparação entre 1945 e o presente.

De um lado:

ruínas, incêndios, escombros e destruição.

Do outro:

ruas movimentadas, edifícios, árvores, parques e uma cidade reconstruída.

O contraste é impressionante.


O QUE PERMANECEU?

Apesar da reconstrução, Hiroshima e Nagasaki não apagaram seu passado.

Ao contrário.

Museus, memoriais, fotografias, objetos, ruínas e relatos de sobreviventes continuam sendo preservados.

O objetivo declarado das instituições memoriais é manter viva a memória das vítimas e transmitir os testemunhos às novas gerações. 

O Domo de Hiroshima talvez seja a representação mais poderosa disso:

uma ruína cercada por uma cidade que voltou a viver.


MAIS DE 80 ANOS DEPOIS

Em 1945, Hiroshima e Nagasaki ficaram marcadas pela destruição causada pelas primeiras armas nucleares utilizadas em uma guerra.

Hoje, as duas cidades continuam existindo.

Não são cidades abandonadas.

Não são zonas proibidas.

São cidades japonesas modernas.

Mas caminhar por Hiroshima ou Nagasaki significa também caminhar por lugares onde milhares de pessoas perderam suas vidas.

Por isso, os memoriais, museus e ruínas preservados nessas cidades têm uma função que ultrapassa a própria história japonesa.

Eles mantêm registrada uma das maiores tragédias da história do século XX.

E talvez seja justamente esse o contraste mais impressionante:

as cidades desapareceram em poucos segundos, mas suas histórias continuam sendo contadas mais de oito décadas depois.



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