quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Catacumbas de Paris

A cidade secreta nas Catacumbas de Paris

Em agosto de 2004, a Polícia de Paris entrou em pânico. A crise foi durante uma busca nas galerias que ficam debaixo da Praça do Trocadéro. Sim, a praça por onde passam milhões de pessoas por ano, afinal o lugar oferece a melhor vista da Torre Eiffel. Ao entrarem nas galerias, que teoricamente são de acesso proibido ao público, os policias encontraram algo inesperado: um cinema.
Ocupando uma área de 400 metros quadrados, o cinema clandestino tinha até bar e restaurante e parecia ser usado com frequência. Pelo menos é o que indicavam as garrafas de whisky, os filmes e a ligação elétrica em funcionamento. Os oficiais saíram em busca de reforços. Ao voltarem, não encontraram nada – tudo tinha sido removido. No lugar, apenas um bilhete: “Não procurem”.


Essa é uma história real e pode ser encontrada em diversos jornais e sites de notícias, embora um ou outro aspecto varie de acordo com a fonte consultada. Há quem diga que a descoberta foi por acaso, durante uma operação de rotina do esquadrão de Polícia especializado em patrulhar o subterrâneo de Paris. Por outro lado, os donos do cinema garantem que a descoberta só foi possível porque um ex-membro do grupo deu com a língua nos dentes.


E os policiais? Fizeram o quê? “Eles ficaram completamente loucos. Chamaram o esquadrão antibombas, cães farejadores, o esquadrão antiterrorismo. Levaram o caso para a rede nacional de TV, mas não tinham uma pista sequer de quem nós eramos”, declarou Lazar Klausmann ao The Guardian, duas semanas depois. Desde então, Lazar Klausmann – provavelmente um pseudônimo – virou o porta-voz da sociedade secreta que ergueu o cinema e organizou festivais clandestinos lá por anos.

Os membros do La Mexicaine de Perforation, uma braço de um grupo secreto muito maior e que existe há mais de 30 anos em Paris, o UX, abreviatura de Urban eXperiment. Naquele ano, o La Mexicaine de Perforation organizava um festival de cinema clandestino debaixo do Trocadéro.
Na programação estavam clássicos como “Um Homem com uma Câmera”, do cineasta russo Dziga Vertov, filmes franceses das décadas de 1950 e 1960 e até obras dos anos 90, como “Clube da Luta”. Mas antes de falarmos mais sobre as atividades dessa sociedade secreta, um parênteses. Para entender melhor essa história, é preciso saber mais sobre outro segredo de Paris: as catacumbas.


O cinema ficava no subsolo dessa praça, vista do alto da Torre Eiffel


“Pare! Este é o Império da Morte”. É isso que você lê quando se aproxima de uma das principais entradas das Catacumbas de Paris, ponto turístico tradicional da cidade. Eu já te contei essa história aqui no blog, mas, caso você não tenha lido o relato, vou fazer um resumão.
Paris foi uma cidade do Império Romano. Após dois milênios de ocupação humana, a capital da França chegou ao século 18 com um problema de superlotação nos cemitérios. Em alguns casos, até 1.500 corpos dividiam a mesma tumba. Com isso, a cidade sofria com doenças. E, vamos concordar, epidemias só aumentavam o problema da falta de moradia dos mortos.

Entrada de um dos túneis das Catacumbas de Paris

A solução encontrada pelo Rei Luís 16 – sim, aquele que mais tarde foi decapitado pela Revolução Francesa – foi juntar um problema com o outro: ele ordenou a remoção dos ossos de milhões de parisienses, que foram abruptamente retirados dos cemitérios. Não há registros de como foi a conversa entre o responsável pela obra e o Rei.
Paris tem 300 quilômetros de galerias subterrâneas. Conhecidas há séculos, elas foram um problema na mesma época em que os mortos aterrorizavam a cidade. No caso das galerias, a causa foi uma série de desabamentos. Essas galerias foram construídas por antigas mineradoras, que retiraram dali as pedras para construir Paris. Que cresceu, cresceu, cresceu… até ocupar toda a área acima das galerias.
É claro que nem todos os 300 quilômetros são cobertos por ossos – a maior parte desse lado B de Paris não virou morada de mortos. Ainda assim, é fácil entender porque o termo “catacumbas” passou a designar todas as galerias subterrâneas da cidade, não apenas a parte que virou o maior ossuário do planeta. Essa imagem abaixo tem mais impacto do que um corredor escuro, estreito e sem nada além de pó.


Ossos em trecho oficial das Catacumbas de Paris. Não, o subterrâneo de Paris não é todo assim.
As galerias tiveram diversos usos ao longo dos últimos dois séculos. Um dos mais divertidos deles foi inventado por estudantes universitários, principalmente os que viviam no Quartier Latin, um bairro de Paris. Eles usavam as galerias para organizar festas de arromba. Sim, o povo ia para debaixo da terra só para encher a cara.
O escritor norte-americano Ernest Hemingway, que viveu em Paris após a Primeira Guerra Mundial, fala até de bares que davam acesso às Catacumbas. O relato está no livro “Paris é uma Festa”.
Tantas festas de vivos no Império dos Mortos acabaram incomodando o Governo, que na década de 1950 proibiu o acesso às Catacumbas. Hoje, só pode ser visitado o trecho oficial, de dois quilômetros. Todo o resto é proibido e constantemente monitorado pelo esquadrão de polícia que existe só para isso. O que não significa que ninguém passe pela parte proibida das catacumbas, como fica claro pela descoberta do cinema clandestino, em 2004.
Segundo estimativas extra-oficiais, cerca de 300 parisienses vagam pelas catacumbas semanalmente. Quem é pego andando por essas bandas paga uma multa de 60 euros, mas logo é liberado. Há quem diga que os policias não se preocupam nem em confiscar os mapas usados pelos exploradores do submundo.


Trecho das catacumbas que pode ser vistado legalmente
Os cataphiles

As pessoas que vagam (ilegalmente) pelas Catacumbas de Paris têm nome e até verbete na Wikipédia: são os cataphiles. Eles entram por bueiros, estações de metrô ou até entradas criadas por outras gerações de exploradores.
Não é difícil achar relatos de quem se aventura assim. No site RFI, o jornalista Marco Oved conta como foi a experiência dele ao cometer uma contravenção em Paris. “A primeira coisa que você precisa é um guia”, explica ele. E isso não é fácil de achar, mesmo com a grande quantidade de sites que existem sobre o assunto. Afinal de contas, os verdadeiros peritos nas catacumbas estão num grupo secreto.
Após pesquisar durante meses, o telefone do Marco tocou. Era uma sexta-feira, quase noite. “Vamos descer em uma hora. Se quiser ir, esteja pronto”, falaram com ele. Que topou, lógico. “O lugar é apertado e úmido, mas não é sujo. E, para o meu alívio, não vi ratos nem insetos. Alguns túneis tem dois metros de altura, outros a metade disso”.


Túnel alagado, nas catacumbas. 

Para ser guiado até lá, o cara teve que prometer nunca contar onde fica a entrada. Apesar do segredo, todo fim de semana as Catacumbas lotam de exploradores. “Nós encontramos um grupo de pessoas jantando ao redor de uma pequena mesa de pedra, iluminada por um candelabro. Eles tinham queijo e escutavam música”, escreveu ele.
Outro relato interessante está no site Les Secrets de la Ville de Lumiere, disponível aqui. Nele, um casal de turistas norte-americanos conta como foram guiados por cataphiles ao subterrâneo de Paris. “Nós encontramos um cara vestindo uma camiseta haviana e sandálias. Ele estava tomando cerveja e disse que era um CataHawaiian”, escreveram eles.

Segundo o site The Independent, os cataphiles têm três regras:

1) O que vem para baixo precisa subir novamente. Ou seja, nada de descartar lixo nas Catacumbas.

2) “Nunca fale sobre sua vida acima da terra”. Os cataphiles mantém muitos dos aspectos de suas vidas em segredo.

3) “Nunca confie em ninguém”. Por isso, não espere ser convidado para visitar as catacumbas durante uma passagem rápida por Paris. Ao contrário do que rola na superfície, turistas são raros por ali.


Ossos humanos em túnel das catacumbas

E ainda bem. Explorar um labirinto de 300 quilômetros não é tarefa para qualquer um. E sim, é perigoso. Ou você acha que a proibição de entrar lá é sem motivo? O maior risco é se perder lá embaixo e nunca mais achar o caminho de volta. Isso já aconteceu. A história mais famosa é de Philibert Aspairt. Em 1793, ele entrou nas catacumbas e se perdeu. Philibert só foi encontrado 11 anos mais tarde. Morto.
Há quem diga que essa história é uma lenda urbana. De qualquer forma, o certificado de óbito é bem real, assim como uma tumba construída para ele lá embaixo. A epígrafe (foto abaixo) diz o seguinte: “Em memória de Philibert Aspairt, que se perdeu nessas galerias no dia 3 de novembro de 1793. Foi encontrado onze anos depois e enterrado no mesmo lugar”. Quer ver essa tumba com seus próprios olhos? Vá na parte oficial das Catacumbas. Basta enfrentar a fila e pagar oito euros.
A conclusão é óbvia: não entre na parte proibida das catacumbas. A não ser que você tenha um guia experiente no assunto, alguém que tenha um mapa. Sim, existem mapas. E muitos deles estão com membros de sociedades secretas de Paris.


Tumba de Philibert Aspairt 

As sociedades secretas do submundo de Paris

Tudo começou em 1981. Naquele ano, seis adolescentes entraram nas Catacumbas. A partir de uma das galerias, conseguiram invadir o subsolo de um prédio do governo. Eles vagaram pelo prédio por horas, até encontrarem um tesouro: mapas que mostravam todos os túneis da cidade.
Esses adolescentes passaram os anos seguintes desbravando o desconhecido. Foram eles que fundaram, ainda na década de 80, o UX, grupo secreto citado no começo do texto – alguns deles não curtem o rótulo de “cataphiles”, afinal eles são mais que isso. Eles são exploradores urbanos. Com os mapas e o conhecimento acumulado durante anos, o grupo, agora formado por centenas de adultos, muitos deles artistas com mais de 40 anos, resolveu ajudar a cultura da cidade.
Hoje, o UX tem vários braços. O Untergunther é um deles, um grupo clandestino que invade prédios públicos e… restaura patrimônios que foram abandonados pelo governo. O trabalho mais famoso deles foi consertar o relógio do Panteão de Paris, que estava sem funcionar há cerca de 40 anos.


Já o La Mexicaine de Perforation é o braço que cuida de eventos culturais em lugares como as catacumbas. O cinema descoberto pela polícia foi apenas um dos muitos montados pelo grupo. Enquanto você lê este texto, com certeza existem outros cinemas do tipo, espalhados pelos subterrâneos da cidade.
Lazar Klausmann, o porta-voz do grupo, diz que as investigações da polícia nunca vão impedir o avanço das ações nos subterrâneos de Paris. E garante: eles têm certeza que não fazem nada de errado. “Com aquele cinema, nós deveríamos ter sido premiados por restaurar e preservar uma parte do patrimônio subterrâneo da França. As cavernas estavam em péssimo estado”, explicou ele, ainda em 2004. Eu concordo. Fora isso, a dúvida é saber como ser convidado para uma sessão de cinema nas catacumbas de Paris.











Foto: Moeqrie/Flickr

Foto: Laika ac/Flickr


quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Incêndio no Edifício Joelma


Incêndio no Edifício Joelma



O edifício em 2014. Foto de André Luiz Pereira Nunes
Localização São Paulo, Brasil
Data 1 de fevereiro de 1974(42 anos)
Resultado 191 mortos, 300 feridos


Incêndio no Edifício Joelma foi um incêndio ocorrido em 1 de fevereiro de 1974 em um edifício em São Paulo, que provocou a morte de 191 pessoas e deixou mais de 300 feridas.


O incêndio

Concluída sua construção, em 1972, o Edifício Joelma foi imediatamente alugado ao Banco Crefisul de Investimentos. No começo de 1974 a empresa ainda terminava a transferência de seus departamentos quando, no dia 1 de fevereiro, uma chuvosa sexta-feira às 8h45 da manhã, um curto-circuito em um aparelho de ar condicionado no 12° andar deu início a um incêndio que rapidamente se espalhou pelos demais pavimentos. As salas e escritórios do Joelma eram configurados por divisórias, com móveis de madeira, pisos acarpetados, cortinas de tecido e forros internos de fibra sintética, condição que contribuiu sobremaneira para o alastramento incontrolável das chamas.


Quinze minutos após o curto-circuito era impossível descer as íngremes escadas que, localizadas no centro dos pavimentos, não tardaram a serem bloqueadas pelo fogo e a fumaça. Os corredores, por sua vez, eram estreitos. Na ausência de uma escada de incêndio, muitas pessoas ainda conseguiram se salvar ao contrariar as normas básicas e descer pelos elevadores, mas estes também logo deixaram de funcionar, quando as chamas provocaram a pane no sistema elétrico dos aparelhos e a morte de uma ascensorista no 20° andar.
Nos braços da mãe, que saltou para a morte no 15° andar, uma criança de um ano e meio foi salva em um dos episódios mais dramáticos do incêndio. A multidão acompanhou o salto bem em frente ao prédio. 


O choro da criança, levada imediatamente ao Hospital das Clínicas, foi ouvido logo após o impacto da queda. No último andar do prédio, segundo o depoimento de Ivã Augusto Pires, coordenador do Serviço de Transportes da Câmara, um rapaz jogou-se ao chão e aproximou-se de gatinhas da borda do terraço. Mas uma labareda fez com que ele escorregasse e ficasse suspenso no ar, segurando no parapeito até não mais aguentar e despencar na rua.
Sem ter como deixar o prédio, muitos tentaram abrigar-se nos banheiros e parapeitos das janelas. Outros sobreviventes concentraram-se no 25° andar que tinha saída para dois terraços. Lembrando-se de um incidente similar ocorrido no Edifício Andraus, dois anos antes, em que as vítimas foram salvas por um helicóptero que pousou em um heliporto no topo do prédio, elas esperavam ser resgatadas da mesma forma.


Na rua os bombeiros tentavam agir em meio à confusão estabelecida pela Polícia Civil, curiosos, PMs, médicos, enfermeiros, soldados do Exército e até escoteiros. Homens e mulheres, alguns em trajes menores, os rostos escurecidos pela fuligem, agitavam-se freneticamente nas janelas tentando chamar a atenção. Mas os helicópteros não conseguiam pousar no terraço escaldante e seus cabos de aço pendiam inutilmente. As escadas Magirus, de 40 metros, não chegavam aos andares mais altos.


No 20° andar, seis pessoas equilibravam-se em um pequeno patamar. Quase não havia lugar para todas. Um rapaz de terno azul agarrava-se muito precariamente a uma parte saliente, uma das pernas já do lado de fora do edifício, como se fosse saltar. Embaixo, os bombeiros acenavam e pediam calma. O fogo acabou, só um pouco mais de paciência, gritava um policial por um megafone. Outros pintaram num amarelo muito vivo, sob grandes faixas de pano - O fogo já apagou! e Coragem, vamos salvá-los! O som do megafone aparentemente não chegou a eles, mas ao ver as faixas um dos rapazes fez um sinal positivo com o polegar, puxou um lenço verde e acenou.

Resgate


O Corpo de Bombeiros recebeu a primeira chamada às 9h03 da manhã. Dois minutos depois, viaturas partiram de quartéis próximos, mas devido a condições adversas no trânsito só chegaram no local às 9h10, quando as chamas já atingiam o 20° andar e várias pessoas começaram a se atirar do prédio.


O socorro mobilizou 1.500 homens, entre bombeiros e tropas de segurança, as equipes de cinco hospitais estaduais e outros particulares, quatorze helicópteros, trinta e nove viaturas e todas as ambulâncias da rede hospitalar. Todos os carros-pipa da Prefeitura e vários particulares, além de um grande número de voluntários que antecederam os pedidos das autoridades para doação de sangue. Afim de garantir o livre acesso de ambulâncias e de veículos dos bombeiros ao prédio incendiado, convocaram-se tropas de choque do Regimento 9 de Julho, do Exército e da Polícia Militar, além da Companhia de Operações Especiais e do Departamento do Sistema Viário. Um esquema de emergência foi armado nas imediações do prédio onde se concentraram milhares de curiosos.
Aos 250 bombeiros da capital, juntou-se o reforço de um destacamento de Santo André. Policiais Militares especializados, da Companhia de Operações Especiais (COE) também participaram do trabalho de socorro. Quando a primeira guarnição chegou, comandada pelo sargento Rufino, o fogo consumia só o centro do prédio, mas avançava rapidamente para tomar toda a estrutura. O sargento lamentou não ter podido vir de helicóptero para lançar cordas e escadas pelas laterais ainda intactas do edifício. Como estavam de carro-tanque e as escadas Magirus ainda não haviam chegado, começaram a atirar cordas para subir. O sargento conta que ao chegar ao 12° andar, sua primeira providência foi apagar três corpos em chamas. Logo que uma das quatro escadas Magirus foi instalada, organizou a descida.


Ele carregava pela escada uma menina desmaiada quando uma pessoa se jogou do 19° andar e bateu no corpo de uma outra, que também se jogara do 16°. O peso dos dois arrancou a garota de suas costas e ele só não caiu porque seu pé se enganchou num dos ferros laterais da escada. Na queda morreram dois, mas o que pulou do 19° andar se salvou com ferimentos graves. Os bombeiros usaram quatro jatos de água combatendo o fogo, mas logo de início tiveram problemas, pois os hidrantes da região estavam com defeito. A solução chegou quando a Prefeitura enviou ao local trinta caminhões-pipa. A exemplo do que ocorrera no incêndio do edifício Andraus, faltavam equipamentos, embora desta vez tenham podido usar duas novas escadas de 45 metros que foram anexadas às menores para chegar ao 16° pavimento.


Enquanto um grupo de bombeiros tentava penetrar no prédio, outros procuravam salvar pessoas que se encontravam nas janelas pela parte externa com as Magirus. Um helicóptero do SAR, da FAB, fazia o resgate dos sobreviventes que se encontravam no telhado e que eram auxiliados por homens do COE e pelos tripulantes. Outros treze helicópteros do Governo e de empresas particulares não puderam aproximar-se muito, mas atiraram cordas, sacos de leite e água e tubos de oxigênio aos que se achavam no teto. Depois participaram do transporte dos feridos para os hospitais.
De acordo com o testemunho de um bombeiro, passava das dez da manhã quando os corpos começaram a cair como moscas. Todos queriam sair do edifício de qualquer maneira. Alguns chegaram a pular três andares, com o risco de despencar, para alcançar os andares inferiores onde chegavam as Magirus. O primeiro a se atirar estava no 15° andar. Durante mais de uma hora ele gritou por socorro, desesperado, as vezes encoberto pela fumaça. Pessoas apavoradas tentavam fazer cordas com tiras de pano, que acabavam arrebentando, não resistindo ao peso do corpo humano. Uma mulher, só de calcinha e sutiã, morreu assim, a cabeça esmigalhada na calçada.
Os cadáveres se amontoavam na rua cobertos por cobertores, jornais e capas de chuva. Vários minutos depois, um caminhão da polícia e algumas ambulâncias recolheram os primeiros cadáveres e os levaram ao Instituto Médico Legal. No 8° andar os bombeiros encontraram pelo menos onze cadáveres abraçados. O fogo tinha praticamente soldado os corpos.


No 12° andar, dezessete pessoas que o capitão Mazzelli, comandante do COE, pretendia salvar, já estavam mortas quando ele chegou. O oficial subiu com um destacamento especializado. Diante do quadro trágico, cinco mortos no banheiro e doze no saguão, o batalhão começou a sentir-se mal e teve que ser retirado pelo helicóptero. Em outra tentativa de salvamento pelo pessoal da FAB, os bombeiros não conseguiram descer no telhado, não somente pelo intenso calor, mas pelo forte cheiro de carne incinerada. 


Em volta do edifício a multidão rompia os cordões de isolamento e os militares precisaram muitas vezes usar da força para conter os curiosos. As operações eram orientadas pelo próprio Comandante-Geral da Polícia Militar, Coronel Teodoro Cabette, e pelo Secretário de Segurança Pública, General Sérvulo Mota Lima, que foram para a área logo que tomaram conhecimento da tragédia. Policiais e bombeiros lamentaram que muitas pessoas tenham morrido por falta de calma ao se atirarem do prédio.


Apenas uma hora e meia após o início do fogo é que o primeiro bombeiro conseguiu, com a ajuda de um helicóptero do Para-Sar, o único potente o suficiente para se manter pairando no ar enquanto era feito o resgate, chegar ao telhado. Já então muitos haviam perecido devido à alta temperatura no topo do prédio, que chegou a alcançar 100 graus celsius. A maioria dos sobreviventes conseguiu se salvar por se abrigar sob uma telha de amianto. Quinze bombeiros ficaram intoxicados pela fumaça e muitos fizeram críticas por conta do parco equipamento que dispunham, além dos regulamentos então vigentes de prevenção a incêndios na capital. O Código de Obras do Município de São Paulo, datado de 1934, não dispunha da obrigação de instalações de equipamentos contra o fogo e nem exigia a construção de escadas de emergência. Os recursos concedidos ao Corpo de Bombeiros eram insuficientes, assim como o efetivo da corporação era bastante diminuto.
Por volta de 10h30 da manhã o fogo já havia consumido praticamente todo o material inflamável do prédio. O incêndio foi finalmente debelado com a ajuda de doze autobombas, três autoescadas, duas plataformas elevatórias e o apoio de dezenas de veículos de resgate.
Apenas às 14h20, todos os sobreviventes haviam sido resgatados.

Sequência da tragédia


8h45 - Início do incêndio no 12° andar. Um curto-circuito no ar condicionado seguido de uma explosão inicia a tragédia. Em pouco mais de 5 minutos as chamas chegariam ao 25° andar.
8h49 - As chamas atingem o 13° andar. Tem início o pânico.
8h55 - Os grandes rolos de fumaça são vistos em todo o centro da cidade. Correria geral. Os bombeiros são informados do incêndio pelos porteiros do Hotel Cambridge.
9h - As chamas tomam conta de praticamente todo o miolo do prédio e a fumaça é geral.
9h05 - No topo do edifício inúmeras pessoas se aglomeram, enquanto outras conseguem sair pelo andar térreo. As chamas continuam subindo e chegam ao 20° andar. Ao longe se ouvem as sirenes dos bombeiros e das ambulâncias.
9h10 - As duas primeiras viaturas do Corpo de Bombeiros chegam quando algumas pessoas já se atiram do alto do edifício.
9h15 - As primeiras ambulâncias chegam e começam a remover alguns corpos estendidos no asfalto.
9h20 - Inúmeras pessoas se jogam do alto do edifício.
9h25 - Chegam mais ambulâncias e viaturas do Corpo de Bombeiros. Os primeiros carros-tanque aparecem.
9h30 - A confusão é total na área e a polícia coloca cordões de isolamento. A multidão fica nas proximidades do Viaduto do Chá, Vale do Anhangabaú, Praça da Bandeira, Avenida 9 de Julho, Rua Xavier de Toledo e Viaduto Maria Paula. Na Ladeira da Memória as pessoas se ajoelham para rezar.
9h35 - Chegam as unidades móveis de saúde da prefeitura. Os helicópteros da Prefeitura, do Estado, da FAB e de firmas particulares se aproximam, sendo aplaudidos pela multidão. Algumas explosões, talvez de botijões de gás, aumentam o pânico. Caem vitrais do prédio na Rua Santo Antônio. Bombeiros e policiais empurram a multidão. Algumas pessoas improvisam uma corda, com uma cortina, e descem até a escada Magirus. Do 14° andar um corpo cai na Rua Santo Antônio.
9h40 - Diversas pessoas se jogam dos andares e os bombeiros lançam quatro grandes e longos jorros d'água sobre o prédio já totalmente tomado pelas chamas. Os primeiros destroços caem no asfalto, misturando-se aos corpos estendidos. O trânsito da cidade está completamente engarrafado e já pode ser calculado em torno de 500 mil o número de pessoas que se aglomeram no centro para ver o incêndio. Uma mulher que descia por uma corda improvisada, cai, escorregando de cabeça para baixo, até atingir o primeiro grupo de pessoas que trabalham no resgate e que detêm sua queda. Um estrondo no centro do edifício produz uma luz azulada. Outro corpo cai.
9h45 - A confusão é total e o Corpo de Bombeiros coloca uma escada Magirus, conseguindo salvar do 13° andar pelo menos treze pessoas que descem rapidamente. Uma garota se joga do alto do edifício.
9h50 - No local já se encontram o Secretário da Segurança Pública do Estado, o Comandante da Polícia Militar e o prefeito Miguel Colasuonno. Um corpo de homem cai na calçada da Avenida 9 de Julho junto às viaturas do bombeiros. A seguir, outro corpo, justamente quando três helicópteros sobrevoavam o local, tentando o salvamento.
9h55 - No topo do edifício a confusão é total. A multidão implora e frases são escritas no asfalto pedindo calma, muita calma. Algumas pessoas ameaçam se jogar. Outras atiram roupas e sapatos. Alguns são vistos nas janelas dos banheiros de alguns andares à espera de socorro. Uma mulher, no 13° andar, ao lado de mais três pessoas, faz o sinal da cruz, e salta para a escada dos bombeiros que chegava apenas ao 12° andar. É salva.
10h - Os bombeiros começam a retirar através de escadas alguns sobreviventes nas janelas do prédio e nos vãos dos andares. As operações de salvamento duram entre 20 e 30 minutos. Os helicópteros tentam encostar-se mais nas paredes para salvar pessoas nas janelas e no topo do edifício. Um rapaz, no 16° andar, tira as roupas e faz uma corda para chegar ao 13°. Por ela descem outras pessoas. Quando chegou sua vez, despencou para a morte. No asfalto, em letras enormes, brancas e amarelas, lê-se: "Deitem-se e esperem o salvamento".
10h05 - Chegam helicópteros particulares, do Governo do Estado e da Força Aérea Brasileira que usam como base de operações o heliporto da Câmara Municipal, distante cerca de 100 metros do local da tragédia.
10h10 - Um rapaz, que tinha tentado descer pela corda improvisada do 16° ao 13° andar, despenca-se por cima da Magirus, e derruba na queda mais três pessoas, inclusive um bombeiro. Todos morreram. Os bombeiros tentam levar a Magirus até o 19° andar, onde se encontram quatro pessoas. Não conseguem. Jogam água e pedem calma.
10h15 - Chegam ambulâncias do INPS e de instituições particulares. Litros de leite, medicamentos e cobertores chegam também para atender aos pedidos feitos pelos médicos que assistem os feridos no heliporto da Câmara. Soros, antibióticos, seringas hipodérmicas são recebidas. Junto ao marco da Bandeira é instalado um posto ao ar livre para doadores de sangue. Centenas de pessoas formam duas grandes filas. Mais duas pessoas se atiram do alto do edifício.
10h20 - Os helicópteros se movimentam rapidamente, enquanto a Praça da Bandeira é transformada num campo de feridos, sobreviventes e pessoas que são medicadas e depois levadas aos hospitais e pronto-socorros. A escada Magirus chega ao 19° andar, retirando 12 pessoas. O helicóptero da FAB transporta, pendurado num cabo, o oficial Caldas, da Polícia Militar. Não consegue resgatar ninguém, mas chega junto às janelas ocupadas por pessoas, no lado da Rua Santo Antônio, e procura encorajá-las.
10h25 - Árvores são derrubadas a machadadas para permitir o pouso de helicópteros na praça. Bombeiros, com megafones, gritam para os que estão descendo pela Magirus: "Atenção! Atenção! Segurem-se bem na escada! Desçam com firmeza!" Nesse momento, com o fogo já reduzido, outro corpo cai.
10h30 - Bombeiros intoxicados são recolhidos pelas ambulâncias. No 19° andar, cinco pessoas começam a se desesperar. Tentam-se atirar pela janela porque o fogo se aproxima. Bombeiros pedem calma. Surgem problemas com as mangueiras, pois muitas delas estavam furadas.
10h40 - Um helicóptero pousa no prédio vizinho, o San Patrick e salva duas pessoas. A multidão aplaude.
10h50 - O fogo diminui, mas ainda é intenso, principalmente no interior do edifício. Do 18° andar em diante. Os bombeiros continuam jogando água. O chão do topo do edifício arrebenta. Mais uma pessoa salta da laje.
10h55 - Há muita gente ainda no 19° e no 20° andar. No 14°, um rapaz, Celso Bidinger, evita que uma moça se atire. Foram salvos pela Magirus.
11h - Os bombeiros conseguem penetrar até o 11° andar. O médico, Vanderlei Peixoto, do Hospital das Clínicas, que atendia às vítimas no local, é removido para o próprio hospital, intoxicado pela fumaça.
11h10 - Alguns bombeiros por cordas descem no terraço do edifício para acalmar algumas pessoas. Mas é tarde demais. Dezessete pessoas estão mortas no topo do Joelma. Um reforço de 50 homens da cavalaria é acionado para afastar a multidão.
11h30 - O edifício é um imenso rolo de fumaça e já não se veem mais chamas. A preocupação maior é salvar os sobreviventes, operação que começa logo depois com os bombeiros entrando no prédio para retirar as vítimas fatais.
11h35 - Bombeiros tentam retirar no 19° andar um senhor de terno marrom que estava encostado à janela, demonstrando tranquilidade.
11h40 - Surgem rumores de que o edifício vai desabar. Correria geral.
11h45 - Os primeiros corpos carbonizados aparecem e são levados para o Instituto Médico Legal (IML).
11h50 - Mais um carro funerário sai do local, com sete corpos. Correm rumores de que mais de 30 pessoas saltaram do prédio.
11h55 - Um grupo de seis pessoas é retirado das janelas.
12h00 - Continua o esforço dos bombeiros em resgatar, no 19° andar, o isolado sobrevivente.
12h30 - Somente o helicóptero da FAB consegue se aproximar do prédio devido ao forte calor.
12h35 - Outras sete pessoas, que ainda estavam no 19° andar, são salvas. Até agora o número de salvos é de 80.
12h40 - Enquanto os corpos continuam sendo retirados, outro homem é salvo.
13h - A fumaça só é intensa quando os helicópteros sobrevoam o edifício. Novos corpos saem.
13h45 - Joel Correia afirma ter visto de seu escritório, localizado no 31° andar do edifício Conde Prates, na Rua Libero Badaró, 239, algumas pessoas com vida, no 21° andar do edifício.
14h - Os dois últimos sobreviventes são retirados das janelas pelos bombeiros. O fogo já está sob controle e continua a operação de retirada dos corpos queimados que vai até o início da noite. Os bombeiros afirmam não haver mais ninguém com vida no prédio.
14h10 - Bombeiros resgatam mais três pessoas no 21° andar, confirmando-se as declarações de Joel.
14h15 - Dezessete pessoas mortas são encontradas no 12° andar.
14h30 - Mais nove mortos são retirados do 15° andar.
15h - Os bombeiros dão por encerrada a remoção de sobreviventes.
15h45 - Os bombeiros chegam ao topo do edifício, encontrando mais de 20 mortos, na maioria carbonizados.
16h45 - Um padre chega ao topo do Joelma e administra a extrema-unção. A seu lado, policiais, médicos e bombeiros iniciam a remoção e identificação dos cadáveres.
17h - Os bombeiros retiram os dezessete corpos no telhado e descobrem sessenta mortos sob o telhado na ala da Rua Santo Antônio e mais trinta e cinco sob a cobertura da ala voltada para a Avenida 9 de Julho. Os carros são retirados das garagens do edifício.
17h30 - Carros-guincho chegam ao local para auxiliar na limpeza da área.

Personagens


A ampla cobertura da imprensa tirou do anonimato muitas das vítimas do incêndio e pessoas envolvidas diretamente nas operações para seu salvamento. Diversos veículos de comunicação reproduziram seus relatos e histórias da tragédia, que reunidos ajudaram a reconstruir os momentos dramáticos do incêndio.
Capitão Hélio Barbosa Caldas - Comandante do Serviço de Salvamento do Corpo de Bombeiros, um veterano de muitos incêndios e coragem que ele mesmo acreditava próxima da loucura, rodopiou longos minutos preso a uma corda de 12 metros pendente de um helicóptero, na tentativa de repetir o feito de há dois anos, quando foi o primeiro a descer no terraço do Edifício Andraus para organizar o salvamento dos refugiados. Não foi possível, pois o pequeno helicóptero da FAB não teve condições de se aproximar do prédio, o qual não contava com heliporto. Portanto, teve de providenciar a colocação de um cabo, ligando o terraço do Joelma ao Edifício Saint Patrick, na rua Santo Antonio, para finalmente chegar ao terraço. Faleceu a 20 de junho de 1999.
Joel Correia - Instalado com seu telescópio numa das extremidades do Viaduto do Chá, comunicou à rádio Jovem Pan a existência de sobreviventes no edifício, mesmo com o incêndio dominado e os pilotos de helicóptero não avistando mais feridos a serem resgatados. Foi o responsável pelo fim do pavor em que se encontravam José Ferreira Couto Filho, Ivan Bezerra, Ibar Rezende, Mauro Ligeli Filho, Hiroshi Shimuta e Luiz Carlos Gonzalez. Ele tinha ido visitar um amigo, o gerente da construtura Ferreira Guedes, no 31° andar do edifício Conde Prates. Com o início do incêndio, passou a acompanhar a operação de salvamento com um telescópio. Ao ouvir no rádio a informação de que não havia mais ninguém no prédio, entrou em contato com a Jovem Pan e a informação chegou ao comandante do Corpo de Bombeiros que deu o alarme. O comandante ligou para o escritório onde Joel estava, e ele orientou a localização dos seis homens, no 20° andar, usando o telescópio. Mais tarde o comandante do Serviço de Salvamento do Corpo de Bombeiros reconheceu a ajuda, afirmando que as vítimas estavam realmente vivas e foram salvas.
Idek Butchi - 34 anos, nissei, sobrevivente do incêndio anterior no Edifício Andraus, não só salvou a sua vida como também evitou a morte de mais sete pessoas. Ficou na sacada do 22° andar durante quase cinco horas orientando e acalmando aos que se encontravam com ele, pois esse foi o seu principal ensinamento de sua primeira experiência quando foi salvo por um helicóptero da FAB. Estava no Departamento de Produção e Ações, da Crefisul, no 17° andar, quando ouviu os primeiros gritos. Pensou em descer rapidamente, mas percebeu que o fogo vinha debaixo para cima. Então, começou a subir as escadas e quando chegou ao 22° andar, percebeu que não dava mais para prosseguir. Segundo ele, duas pessoas tentaram descer para o andar inferior, mas ele as convenceu de que isso iria provocar a morte para eles. E todos ficaram incentivados por uma placa escrita Coragem, nós estamos com vocês!mostrada por pessoas que estavam no asfalto. Às 14h20 todos foram resgatados e seguiram para o Hospital Municipal. Embora sem quase poder falar, os oito comemoraram o salvamento dentro da ambulância com abraços e lágrimas.
Rolf Victor Heuer - Gaúcho, então com 54 anos, passou mais de três horas sentado em um dos parapeitos do edifício esperando para ser resgatado. Enquanto aguardava fumava vários cigarros, e sua imagem de aparente tranquilidade foi captada pelas câmeras dos noticiários de televisão e amplamente reproduzida. Antes de ser salvo, ainda conseguiu subir ao 19° andar, onde acalmou uma mulher que ameaçava se jogar de uma janela. De terno e gravata, dono de uma calma absoluta, ficou em pé do lado de fora do edifício, perto de uma janela. De vez em quando secava o suor do rosto com um lenço. A certa altura o Capitão Caldas, pendurado por um cabo, que por sua vez pendia de um helicóptero, aproximou-se para salvá-lo, mas não conseguiu. Alguns minutos antes de ser resgatado, não aguentou mais o calor e tirou o paletó, a gravata e a camisa. Não se perturbou um só instante, mas quando pisou o chão, começou a chorar. Levou 25 minutos para descer a escada Magirus até chegar à rua.
José Roberto Viestel - Gerente do estacionamento do edifício, estava em casa quando foi acordado com a notícia do incêndio. Tentou chegar ao local e, impedido pelo trânsito caótico, deixou as chaves de seu carro com um guarda e seguiu a pé. Lá chegando, ajudou os manobristas na retirada dos veículos guardados para evitar o risco de mais explosões, e quando as mangueiras dos bombeiros começaram a falhar providenciou as do estacionamento, que ele mesmo testava uma vez por semana, para o combate ao fogo.
Augusto Carlos Cassaniga - Sargento do Corpo de Bombeiros. Pulou de uma altura de quatro metros de um helicóptero sobre o telhado, quebrando as telhas de amianto e o tornozelo. Conseguiu fixar uma corda no telhado e a lançou até o prédio vizinho, por onde atravessaria o capitão Hélio Caldas, que já tinha sido herói no incêndio anterior do Edifício Andraus.
Celso Bidinguer - 22 anos, estava no 16° andar quando se refugiou no banheiro com outras seis pessoas. Todas as que estavam com ele morreram, mas Celso conseguiu salvar-se porque ao ver da janela do 13° andar, sozinha e amedrontada, a funcionária Tarsila de Souza, que ameaçava se jogar. Ao se aperceber do risco, decidiu salvá-la. Ele amarrou um pedaço de cortina, que levara para o banheiro, na janela e pelo lado de fora do edifício conseguiu descer três andares até chegar junto a Tarsila, com quem ficou mais de duas horas à espera de socorro, vendo as pessoas se jogarem. A escada dos bombeiros só chegava até o 12° andar, portanto, os dois tiveram que descer por cordas. Ambos sobreviveram.
René Contieri - 56 anos, gerente administrativo da Crefisul, conseguiu evitar que algumas pessoas se matassem, simplesmente mantendo o sangue frio e observando a lógica elementar de que, jogando-se pelas janelas, eliminariam qualquer possibilidade de sobrevivência. Estava no 12º andar, quando recebeu o alerta do detector de fumaça. Ao invés de descer, subiu para pegar o paletó e alguns documentos importantes. No meio do caminho, ainda encontrou com o eletricista que tentava consertar a fiação. Só deu tempo de pegar seus pertences e avisar as nove meninas que trabalhavam no andar para que descessem. Mas a labareda já tomava conta da escada. Recuaram e conseguiram se proteger do lado de fora da janela, em uma laje de dois palmos de largura. O vidro protegia do fogo. Por sorte, o vento estava contra e a janela não estourou. Só faltava a eles a chegada dos bombeiros. Por ser um grupo grande, foi o primeiro a ser resgatado. Cavalheiro, desceu a escada Magirus depois das moças. Faleceu aos 93 anos a 18 de abril de 2010.
Benedito Ferreira França - Fazia uma visita a um amigo que trabalhava no banco Crefisul quando começou o incêndio. Conseguiu descer três andares carregando uma moça. Declarou que quando passou pelo corredor viu várias pessoas encostadas na parede e apenas rezando, sem fazer nada. Queimado nos braços e no rosto e cansado de levar a moça, desmaiou e acordou apenas no hospital.
Antonio Carlos Capobianco - Atribui a sua sobrevivência ao karatê. O mineiro alegou que a filosofia da luta marcial o ensinou a encarar tudo, mesmo a morte, com naturalidade, embora se deva aproveitar todas as oportunidades para viver. Ele aconselhou os circunstantes a não falar muito para não desperdiçar oxigênio. Foi resgatado com mais cinco rapazes no 21° andar.
Carlos Trafaniuc - 23 anos, salvou-se descendo dois andares pendurado em cortinas.
José Flávio Gouveia - Chegou atrasado ao serviço, às 9 horas, quando o fogo já havia começado. O atraso pode lhe ter salvado a vida. Horas depois, no Hospital Municipal, doou sangue para os feridos.
Nílton Antonio de Oliveira - Estava na tesouraria do banco Crefisul, no 13° andar, com mais onze colegas. Todos ficaram espremidos numa marquise por mais de duas horas, mas conseguiram se salvar.
João Alberto Moretti - Se notabilizou nas filmagens do incêndio por ter escalado a marquise e descido do 17° andar até o 12°. Neste, aguardou até que fosse encostada a escada Magirus. Feriu-se apenas levemente e foi levado ao Hospital das Clínicas.
Vítor Manoel Gonçalves Teixeira - Liderou um grupo de nove pessoas quando a permanência na sala do 13° andar em que trabalhavam ficou impossível. Ele abriu o banheiro, quebrou os vidros da janela e, quando a água das torneiras havia esgotado, e já estavam se confortando mutuamente, surgiu uma escada Magirus a 25 centímetros de suas mãos.
Deise Previato - Assessora jurídica da Crefisul. Salvou-se por conta do rompimento da rotina. Ao invés de chegar às 8h30, chegou uma hora mais tarde, quando o fogo já havia começado. Viu a secretária do seu chefe, Linda Passaro, saltar para a morte da Avenida 9 de Julho. O chefe, Attilio Corigliano Jr., era procurado pela mulher, Elizabeth, em vão.
José Gomes Ferreira - 49 anos, motorista de táxi e ex-bombeiro. Parou o carro no momento do incêndio e com boa vontade, sem camisa e com um lenço encharcado cobrindo o rosto, ajudou os seus ex-companheiros de profissão no socorro às vítimas.
Rodolfo Manfredo Júnior - 20 anos. Estava datilografando em um escritório do 21° andar quando soube do incêndio. Subiu com dezenas de pessoas para o terraço do prédio, pois os elevadores já não mais funcionavam. Havia cerca de duzentas pessoas comprimidas e aterrorizadas. Ele conta que viu várias se jogarem, outras tirarem a roupa, pois não suportavam mais o calor, além de cerca de trinta que se contorciam em chamas. Ele conta que teve que dar tapas na cara de alguns que pareciam paralisados, incitando-os a se salvarem. Quando a situação ficou mais dramática surgiu um helicóptero da FAB que pairou no terraço. Rodolfo pulou e agarrou-se à aeronave. Ficou com as pernas ao ar, mas foi salvo ao ser puxado para dentro.
José dos Santos - 20 anos, residente no Jardim Peri, foi o penúltimo funcionário da Crefisul a ser resgatado e salvo pelos bombeiros. Estava no 18° andar quando ocorreu o incêndio e foi para a janela, onde teve que esperar por cerca de quatro horas. Para resgatá-lo os bombeiros tiveram que estender a escada de 45 metros até o 12° andar e prosseguir depois com uma pequena até o 16° andar. Depois, o próprio José amarrou uma corda nas travas da janela e desceu do 18° ao 16° andar, chegando então à escada dos bombeiros numa operação que durou meia hora.
João Aparecido Frutuoso - 24 anos, analista de contas do Banco Crefisul, tinha organizado o grupo que deixou o 15° andar improvisando cortinas para a descida até o 13°, de onde todos passaram à escada com a ajuda dos bombeiros. Ele conta que viu muita gente cair do patamar do 14° andar, além de muitos que perderam os sentidos por conta da inalação da fumaça. Ficou com as mãos e pés queimados.

Consequências

A parte do edifício que compreendia os escritórios da Crefisul foi totalmente destruída, mas estava segurada na Companhia Seguradora Santa Cruz. Os sete primeiros andares, de garagens, não foram atingidos pelas chamas. Essa parte, administrada pela Joelma, formava um bloco quase isolado do restante do edifício, tendo portas de emergência e de interligação. Todos os dezessete empregados do estacionamento se salvaram. Dos aproximadamente 756 ocupantes do edifício, 191 morreram e mais de 300 ficaram feridos. A grande maioria das vítimas era formada por funcionários do Banco Crefisul de Investimentos.
Segundo o vice-presidente do Crefisul, Garrett Bouton, 1.016 funcionários trabalhavam no edifício. Desse total, 861 ficavam nos andares superiores à garagem e cerca de 600 já haviam chegado quando o incêndio começou. A firma de limpeza Continental tinha 77 funcionários no prédio.


Até as 18 horas do dia da tragédia 125 dos 179 mortos no incêndio do edifício Joelma já tinham sido retirados do Instituto Médico Legal depois de identificados por parentes e amigos. Restaram 54 corpos, dos quais 12 identificáveis e o restante completamente carbonizado. Em 30 horas, do meio-dia até às 18 horas, aproximadamente 8 mil pessoas foram ao local, no bairro de Pinheiros, para reconhecer os cadáveres. O ambiente era de tristeza e até os funcionários não conseguiam esconder a emoção. Cinco mulheres desmaiaram enquanto faziam a identificação. O IML comprou 200 caixões e 50 coroas de flores para facilitar a retirada dos corpos. 


As vítimas foram colocadas no chão de quatro salas e pela manhã já exalavam um mau cheiro que os funcionários tentaram aliviar colocando incenso. O secretário dos Serviços Municipais, engenheiro Werner Zalouf, afirmou que cerca de 30 pessoas que morreram no incêndio e permaneceram no prédio não foram identificadas. 


Acredito que o calor durante o incêndio tenha superado 900 graus e nessa temperatura um corpo fica totalmente destruído, restando no máximo um quilo e meio de cinzas. A água que os bombeiros jogaram pode ter transformado tudo em lama.
A tragédia do Joelma, que ocorreu apenas dois anos após o incêndio do Edifício Andraus, reabriu a discussão popular com relação aos sistemas de prevenção e combate a incêndios nas metrópoles brasileiras, cujas deficiências foram evidenciadas nas duas grandes tragédias. Na ocasião, o Código de Obras do Município de São Paulo em vigor era de 1934, um tempo em que a cidade tinha 700.000 habitantes, prédios de poucos andares e não havia a quantidade de aparelhos elétricos dos anos 70.

A investigação sobre as causas do acidente, concluída e encaminhada à justiça, em julho de 1974, apontava a Crefisul e a Termoclima, empresa responsável pela manutenção elétrica, como principais responsáveis pelo incêndio. Afirmava que o sistema elétrico do Joelma era precário e estava sobrecarregado. Além disso, os registros dos hidrantes do prédio estavam inexplicavelmente fechados, apesar do reservatório contar na ocasião com 29.000 litros de água.
O resultado do julgamento foi divulgado a 30 de abril de 1975. Kiril Petrov, gerente-administrativo da Crefisul, foi condenado a três anos de prisão. Walfrid Georg, proprietário da Termoclima, seu funcionário, o eletricista Gilberto Araújo Nepomuceno, e os eletricistas da Crefisul, Sebastião da Silva Filho e Alvino Fernandes Martins, receberam condenações de dois anos.
Após o incêndio, o prédio ficou interditado para obras por quatro anos. Com o fim das reformas, em outubro de 1978, foi rebatizado edifício Praça da Bandeira.

Repercussão na mídia


Pouco depois da tragédia, uma pequena produtora norte-americana produziu o curta-metragem Incendio, contando as causas e consequências do fogo, utilizando técnicas de animação gráfica e imagens da cobertura da imprensa.
Em 1978, foi lançado o filme norte-americano Catastrophe, um documentário de Larry Savadove, narrado por Willian Conrad, o qual versava sobre tragédias mundiais conhecidas, entre elas, a do edifício Joelma.
Em 1979, foi rodado o filme Joelma 23º Andar, baseado no livro Somos Seis, do médium Chico Xavier, no qual é narrada a história de uma moça que morreu no incêndio chamada Volquimar Carvalho dos Santos. Contudo, no filme ela era intitulada Lucimar. O papel da protagonista foi interpretado por Beth Goulart.
A 30 de junho de 2005, o programa Linha Direta, da Rede Globo, exibiu o quadro Linha Direta Mistério, cujo tema era o edifício Joelma.


A 5 de julho de 2008 foi transmitida no Jornal da Record uma reportagem da série Bombeiro: Herói de Todos que relembrou o acontecimento, mostrando várias cenas e o difícil salvamento. Nessa mesma reportagem foi abordado o incêndio do Edifício Andraus, ocorrido em 1972, o desastre do Bateau Mouche, barco que afundou na Baía de Guanabara, a 31 de dezembro de 1988, além da queda de parte do Elevado Paulo de Frontin, o qual desabou sobre carros e ônibus em 1971, matando mais de 40 pessoas.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

A Lenda do Boneco do Fofão (c/ Entrevista com o Criador do Boneco!!!)

Os 30 Lugares Mais Assustadores da Terra

Eles são os lugares mais assustadores do mundo... ou por serem muito perigosos, ou por terem sido palco de tragédias....


O Resort de San Zhi


Resort San Zhi

Desenhado como um resort turístico de luxo no norte de Taiwan, a cidade futurista de San Zhi goi abandonada antes de ser acabada. Relatos dizem que muitos trabalhadores morreram durante a construção, dentro das casas-cápsulas e governo decidiu suspender a obra. Pior de tudo é que as autópsias nos corpos não revelavam nenhum motivo, que pudesse ter causado as mortes. Então San Zhi tornou-se uma cidade fantasma. Reza a lenda que lá existia um antigo cemitério.


Caverna Gomantong, Malásia




  
Caverna Gomantong

Como em um filme de terror, nessa caverna a escuridão se move! Se os milhões de morcegos não te assustam, os milhões de baratas que fervilham no chão da caverna certamente farão isso. Elas se alimentam principalmente do "guano', as fezes dos morcegos, mas se qualquer animal, inclusive um ser humano, cair no meio das baratas é devorado rapidamente, restando apenas os ossos.

Antártica



Antártica

Durante o inverno, a Antártica fica no escuro. Desde o fim de março até setembro o Sol simplesmente não aparece lá e a temperatura chega, em média, a 60 graus Celsius negativos. A estação Vostok, uma estação russa no local, gravou a temperatura mais baixa já sentida na face da Terra, 89,2 graus Celsius negativos. Isso explica porque a Antártica é o único continente sem população humana nativa.


Ilha de Queimada Grande, São Paulo, Brasil


Ilha da Queimada Grande

A Ilha de Queimada Grande fica a 35 km de Itanhaém, litoral sul de Paulo, e foi apontada como o verdadeiro inferno na Terra. Ela só é bonita numa foto tirada de bem longe. De perto, na verdade, é impossível tirar uma foto e sobreviver para mostrá-la. Por quê? Ela possui a incrível média de 9 cobras por metro quadrado, cerca de 4 mil no total. 



Não tem como andar por lá e não ser picado, e não são cobras inofensivas, são do tipo Jararaca-Ilhoa ( Bothrops Insularis ) com um veneno capaz de matar uma pessoa em poucos instantes. Para se ter uma idéia do quanto esse lugar é perigoso, ninguém pode entrar na ilha sem autorização da Marinha.


A Estrada de Yungas


Estrada de Yungas

A estrada Yungas, que liga La Paz a Coroico, na Bolívia. Ela tem 56 metros de extensão e contorna a Cordilheira dos Andes, a mais de 3 mil metros de altitude! Ela é sinuosa, não possui asfalto, e acredite, não tem guard rail, mureta, nada. Além de ser deserta. Se o carro quebrar ou cair penhasco abaixo, ninguém jamais vai saber a causa do seu desaparecimento.Em alguns trechos, a largura permite apenas a passagem de um carro da largura de um Gol.Ah, e tem uma neblina eterna também. Resultado; 200 a 300 mortes, todo ano, nesse recantinho infernal...

Vale da Morte, EUA


Vale da Morte, EUA

O nome desse lugar tem um motivo: é o local mais quente e seco da América do Norte. Tem 225 km de puro deserto, com temperaturas na casa dos 46,6 graus Celsius- no entanto, em 1913, registros mostram que a temperatura lá chegou aos 56 graus.

República do Azerbaijão


República do Azerbaijão

Muitas localidades do Azerbaijão foram consideradas inabitáveis. E novas localidades são condenadas todos os anos. Isso porque boa parte do território é tomada por centenas de pequenos vulcões de llama - sim, lama. Quando entram em atividade, voa lama para todos os lados. A atividade vulcânica é constante e se você está numa cidade ou vilarejo por lá, corre o risco de acordar nadando num rio de lama. Se pensa que vai conseguir fugir, engano seu! A lama escorre a grande velocidade e mesmo com os veículos mais equipados, é impossível se safar. Afunda mesmo.

Manchac Pântano, Louisiana, EUA


Manchac Pântano

Cenário digno de histórias de terror ( dizem que uma bruxa vodu lançou por lá seus feitiços ) o Manchac criou reputação de assombrado, apesar de só ter praticamente crocodilos. Cenas do filme Colheita do Mal foram rodadas lá. Brrrrrrrr.. Séculos atrás o Pântano da Louisiana era o ponto predileto para práticas de vodu. Era comum relatos sobre zumbis que vagavam pelo pântano e rituais de sacrifícios humanos feitos por senhores de fazendas para manter sua prosperidade. Em todo caso, pode ter sobrado algum zumbi por lá...

Universidade de Ohio, EUA


Universidade de Ohio

Wilson Hall, uma menina famosa por ser uma suposta bruxa, se matou logo após escrever coisas satânicas e sobrenaturais na parede de seu quarto no campus, com seu próprio sangue. Cinco cemitérios formam um pentagrama que circunda o campus, com o edifício administrativo no centro, completando o símbolo conhecido como Sinal do Diabo. Nas catacumbas de Jefferson Hall, cemitério vizinho, já ocorreram inúmeros avistamentos de fantasmas. E um asilo para pessoas insanas, que era conhecido por tratamentos não convencionais e choques elétricos nos pacientes, funcionou nesse lugar, e tendo casos de pacientes desaparecidos. Um deles foi encontrados meses mais tarde, morto e em decomposição, e a mancha que ficou no chão, delineando seu corpo, continua lá até hoje.

Ilha de Ramree


Ilha de Ramree

A ilha de Ramree, em Burma, no sudeste da Ásia, é na verdade um imenso pântano infestado de mosquitos transmissores de malária e de crocodilos gigantescos. Durante a Segunda Guerra Mundial, a ilha foi palco de uma batalha por seis semanas. Os relatos dos soldados japoneses eram macabros. Dos cerca de 1.000 homens designados para o local, somente 20 sobreviveram - os demais foram devorados pelos crocodilos. "Era o som do inferno o som dos gritos dos soldados sendo mastigados pelos crocodilos " relatou um sobrevivente. Os crocodilos sofrem com a variação climática e a falta de comida em certas épocas do ano, por isso ficam famintos e atacam tudo o que se move...


Mansão Winchester


Mansão Winchester

Após a morte de seu marido e filho, Sarah Winchester, esposa do filho do criador do rifle, consultou um vidente. Esse lhe disse que sua família fora morta pelos fantasmas daqueles que morreram de balas das armas Winchester. O vidente sugeriu que apenas a construção permanente da mansão da família poderia acalmar as almas. Assim, Sarah deveria construir quartos para que os espíritos de luz permanecessem em sua casa, para que os barulhos cessassem. Mas não foi o que aconteceu. Os barulhos continuaram a atormentar Sarah, que resolveu construir a casa sem parar até o fim de sua vida. A propriedade de 160 quartos é realmente bizarra. Escadas que não levam a lugar nenhum e portas que abrem para paredes. O chefe de obras chegava pela manhã e Sarah dava as instruções do que deveria ser feito durante o dia. E no ano seguinte ela poderia demolir o que fora feito e reconstruir de outra forma, tudo numa tentativa de despistar os espíritos...


Catacumbas de Paris

Um clássico do turismo francês, as catacumbas abrigam ossos de 7 milhões de pessoas, formando túneis infindáveis dos quais somente um pedaço é aberto ao público. Fica a dúvida: o que se esconde nas profundezas abissais de Paris?


O Portão do Meio de Ikego, Yokohama


O Portão do Meio de Ikego, Yokohama

O portão marca o lugar onde ficava um campo de concentração da Segunda Guerra Mundial. Ali, milhares de chineses e coreanos foram obrigados a trabalhar como escravos, para depois serem mortos pelo exército imperial japonês. Hoje ele serve como base militar dos EUA. Existem cinco incineradores no local e três portas que o separam da comunidade japonesa. No portão, os guardas de patrulha relatam ouvir vozes e passos, e têm a sensação de serem observados por olhos invisíveis. Muitos viram o fantasma de um soldado japonês da Segunda Guerra em uniforme marrom, sem as pernas, que flutua entre as portas do meio e de trás. Existem muitos pontos assombrados no Japão, sendo que a maioria data da época da Segunda Guerra.


A Ponte que Grita, Ohio, EUA


A Ponte que Grita, Ohio, EUA

A estrada Maud Hughes está localizada em Liberty Township, Ohio. Ela tem sido palco de muitos acidentes terríveis e suicídios. A estrada de ferro está a 7, 62 metros debaixo da ponte, e pelo menos 36 pessoas á morreram por lá. Figuras fantasmagóricas, névoas e luzes misteriosas já foram vistas, assim como figuras negras encapuzadas e um trem fantasma.


Estrada de Ballete, Filipinas


Estrada de Ballete, Filipinas

Quezon, Filipinas. É conhecida por aparições de uma mulher de branco e por casas assombradas que foram construídas durante a Era Espanha, nos anos de 1800. New Manila possui em abundância árvores baletes, que segundo reza a lenda, são o local favorito para morada de espíritos errantes e outros seres paranormais. Dizem que a mulher de branco é o fantasma de uma mulher estuprada e morta por soldados japoneses durante a Segunda Guerra Mundial. Os motoristas devem evitar a rua durante a noite, especialmente se estiverem sozinhos Se for preciso viajar por essa rota, eles devem deixar o banco de trás totalmente ocupado, e nunca olhar para trás ou através dos espelhos. A aparição usa um vestido branco esfarrapado, tem cabelo comprido e não tem face.


Abadia de Thelema, Sicília, Itália


Abadia de Thelema

A ex- comuna, proibida por Mussolini após morte acidental, em 1923, de Aleister Crowley, um dos ocultistas mais famosos e sinistros da história, hoje é uma semi-ruína, cheia de mato e objetos bizarros. O local é preservado, não por causa da proibição, mas sim por sua fama de assombrado. Ninguém se arrisca a entrar no local.


Campo Hansen, Portão 3, Okinawa, Japão


Campo Hansen, Okinawa, Japão

Depois do anoitecer, um soldado com ar de cansado e todo ensanguentado, e um cigarro na mão, pergunta ao sentinela no portão: " Tem fogo?" O sentinela diz que sim, acende o cigarro e o soldado desaparece. Logo na estrada abaixo, em tempos remotos, teria ocorrido uma batalha de samurais. Dizem que à noite se pode ouvir os gemidos das almas penadas. Acredite ou não, o portão 3 do Campo Hansen está fechado por causa desses relatos assombrosos. E nenhum japonês se atreve a passar lá durante a noite.


Mansão Akasaka, Tóquio, Japão



Mansão Akasaka, Tóquio, Japão

Muitos hóspedes relatam ter visto espectros em pé ao lado de suas camas, névoa branca entrando pelas saídas de ar e mudanças bruscas de temperatura em seus quartos. Outros sentiram alguém acariciando sua cabeça enquanto dormiam, e uma pessoa afirmou que foi arrastada de sua cama para o outro lado da sala. Marcas de arranhões confirmavam seu relato. Se você está cansado de passar férias entediantes, eis aí uma opção...

Campo de Gettysburg, EU

Campo de Gettysburg

A batalha de Gettysburg durou 3 dias e foi uma das mais sangrentas da história americana, com cerca de 50 mil soldados mortos no conflito. Com tantos homens jovens mortos de forma tão violenta, muitos acreditam que o local é assombrado pelos soldados incapazes de aceitar a morte violenta e prematura. Dizem que essas almas penadas vagam pelos campos da Transilvânia, em busca de seus rifles e companheiros, sem saber que a batalha há muito já acabou...



Hiroshima e Nagasaki



Hiroshima e Nagasaki

Não é nenhuma surpresa que esses dois lugares da terrível tragédia nuclear gerem lendas sobre fantasmas. Durante os ataques com bombas nucleares, em agosto de 1945, morreram milhares de pessoas. Lendas locais dizem que vozes fantasmagóricas são ouvidas ao cair da noite, chorando e gritando por socorro. Os moradores dos vilarejos próximos consideram esses dois locais amaldiçoados.



Vilarejo de Pluckley, Inglaterra


Pluckley, Inglaterra

Pluckley é uma pequena vila em Kent, Inglaterra, que se acredita ser a vila mais assombrada do país. Dos fantasmas que se podem ver lá, destacam-se um ladrão de carruagens que é avistado perto da prefeitura, o fantasma de uma cigana que morreu queimada viva, dois enforcados, um monge fantasma, três damas da nobreza, e talvez o mais assustador de todos, os Bosques que Gritam. Essa é uma área fora da cidade, assombrada pelos fantasmas das pessoas que se perderam lá. Os seus gritos podem ser ouvidos vindos de dentro da floresta à noite. Também há relatos de criaturas retorcidas e monstruosas que andam por cima dos telhados das casas... sem contar os desaparecimentos inexplicados.


Praça Berkeley, 50, Londres, Inglaterra


Praça Berkeley

Esta área residencial de Londres é também o lar de um grande número de fantasmas. O número 50 da praça Berkeley possui um grande número de almas penadas, entre as quais a de uma menina assassinada nos anos 1700 por um criado sádico. Ela é frequentemente vista no último andar chorando. Outra mulher, tentando escapar de seu tio caiu de uma janela, e seu fantasma é visto muitas vezes pendurado no peitoril. Enquanto a casa esteve vazia por volta de 1870, os vizinhos ouviam vozes e gemidos oriundos de lá. Também ouviam móveis sendo arrastados, campainhas tocando e JANELAS BATENDO. Anos depois a casa foi ocupada por um certo Sr. Dupre, que trancava seu irmão louco em um quarto no último andar. Atualmente funciona lá uma livraria - estranhas ocorrências têm sido observadas pelos funcionários da loja. O último andar é mantido trancado e ninguém tem permissão para entrar nele.


Quartel 1687, quarto 301, Iwakuni


Quartel 1687, quarto 301, Iwakuni

Há alguns anos atrás, um marinheiro bêbado cometeu suicídio no quarto. Ele quebrou o espelho num ataque de fúria e cortou os pulsos com os cacos de vidro. Desde então, têm havido relatos de outros soldados que se encontravam no quarto e, por vezes, quando se olham no espelho tarde da noite, o marinheiro morto olha de volta. E muitos deles acabam tendo o mesmo fim do marinheiro. O quarto ainda é alugado.


Centralia


Centralia

A Verdadeira Silent Hill - Centralia, Estados Unidos

Uma cidade enevoada, praticamente vazia, ruas fechadas e interditadas...esta é Centralia, localizada no Estado da Pensilvânia, EUA. A cidade tinha 2.000 habitantes lá pelos anos 70, mas agora não passa de uma vila fantasma, habitada por apenas 9 pessoas. Em 1962, uma queimada num depósito de lixo resultou num colapso que condenou a cidade toda. O fogo atingiu uma antiga mina de carvão localizada em quase todo o subsolo de Centralia, que praticamente explodiu, levando gases tóxicos e chamas para a superfície. O controle do incêndio não durou muito, buracos foram abrindo no chão ( um deles engoliu um garoto de 12 anos, que foi resgatado ) fumaça e gases começaram a ser expelidos desenfreadamente, obrigando a cidade a ser evacuada. Apenas alguns corajosos insistiram em ficar. Hoje, Centralia ainda queima. Calcula-se que o carvão contido na mina, de aproximadamente 10 km de extensão, queimará ainda por mais uns 250 anos. Lá a visão é sempre a mesma, uma fumaceira negra cobrindo a cidade fantasma...



Hospital de Campo, Kanagawa


                 
Hospital de Campo, Kanagawa

Localizado na base militar chamada Sagami General Deport, esse hospital tem sido palco de vários acontecimentos inexplicáveis. O prédio é pouco utilizado, mas os controles de segurança noturna revelam janelas sendo abertas, assim como portas que haviam sido previamente trancadas. Militares que patrulham o edifício relataram ouvir alguém ou alguma coisa andando lá dentro. Como bom local horripilante, já inspirou filmes japoneses de terror.

Alcatraz

Alcatraz

Alcatraz foi a mais famosa prisão-ilhado mundo, por anos capturou a imaginação do público em muitos livros e filmes feitos sobre ela. Essa prisão viu muitos assassinatos, rebeliões e suicídios durante os 29 anos em que funcionou. Pessoas ouviram sons inexplicáveis e gritos de desespero, viram celas fecharem sozinhas e aparições sinistras. Essas lendas fizeram os criminosos pensarem duas vezes antes de cometerem um crime e irem para a temida Alcatraz.



A Casa das Irmãs Fox


A Casa das Irmãs Fox

Embora seja menos conhecida que outros lugares assustadores, a pequena casa das irmãs Fox é sem dúvida uma das casas mal-assombradas mais importantes de todas, pois foi o berço da atual Doutrina Espírita, compilada por Allan Kardec. Em 11 de dezembro de 1847 o pai, membro da Igreja Metodista , a mãe e duas das filhas mais novas da família Fox mudaram-se para a casa em Hydesville, em Nova Iork. A casa já era mal-assombrada devido a barulhos estranhos e os inquilinos anteriores teriam saído da casa por conta disso. Depois de algum tempo, as jovem irmãs, Maggie e Katie Fox, supostamente começaram a se comunicar com o fantasma de um vendedor assassinado. Como numa sessão de espiritismo amadora, elas teriam feito perguntas ao espírito. e ele as respondia com batidas nas paredes e na mesa.Muitas pessoas, incluindo a mãe delas, ficaram impressionadas com o que parecia ser um verdadeiro contato com o Além. Mais tarde, as irmãs disseram que fora tudo uma brincadeira, mas estavam lançadas as bases do Espiritismo moderno.



Quartel de Babenhausen


Quartel de Babenhausen


No quartel alemão de Babenhausen, hoje um museu, os fantasmas de soldados alemães, alguns com uniformes da Segunda Guerra Mundial, tem sido avistados.A cidade foi palco da queima de uma bruxa numa estaca, no passado, e diz-se que seu fantasma já seduziu e matou vários soldados desde então. Reza a lenda que luzes se apagam sozinhas e vozes são ouvidas no porão. Passos e vozes de comando também são ouvidos. Os moradores da cidade evitam falar sobre o assunto, mas a atividade paranormal atrai curiosos.



Túnel Screaming, Warner Road


Túnel Screaming

Uma lenda local conta que o túnel é assombrado pelo fantasma de uma jovem que, depois de escapar de uma fazenda local ateia fogo em seu corpo, morrendo dentro do túnel. Outras versões falam de uma menina incendiada por seu próprio pai e de uma jovem estuprada e queimada dentro do local. Em todos os casos, existe fogo, uma menina queimada dentro do túnel e o som dos gritos, que são ouvidos até hoje...



Base Naval de Atsugi Japão


Base Naval Atsugi

Localizada a duas horas do sul de Tóquio, a Base Naval Atsugi tem um passado secreto. É dito que o fantasma de um jovem vaga sem rumo de sala em sala, assombrando o local. Acredita-se que é a alma de um jovem marinheiro morto em um desastre de carro nos anos 1960. Localizado do outro lado da base naval, o hangar está sobre um mais antigo que era usado pelos pilotos Kamikaze do Japão Imperial. Lá, muitos deles se suicidaram com a técnica Seppuku depois da rendição do Japão para os aliados. Diz-se que portas batem e olhos vermelhos fantasmagóricos flutuam no escuro... excelente lugar para passar a noite.



Castelo de Bran


Castelo de Bran

Os vampiros não nasceram lá, mas o mais famoso deles sim. O escritor Bram Stocker baseou seu personagem, o Conde Drácula, no perverso Vlad Dracul Tepes, príncipe e líder guerreiro que no século 15 lutou pela ordem dos Cavaleiros do Dragão ao lado dos cristãos e contra os turcos. Entre as inúmeras barbaridades que teria cometido estariam empalar os inimigos e beber o sangue deles. O castelo tem cerca de dois mil anos e está localizado na Transilvânia, região atualmente localizada na Romênia. O Castelo de Bran é cercado de mistérios sobre passagens secretas e acontecimentos espirituais. Acredita-se que Vlad o Empalador tenha se transformado num vampiro, mas o que mais assusta são as atrocidades cometidas por ele enquanto era humano... se é que ele foi humano um dia.