UM BAR, MUITAS TRIBOS E QUASE TRÊS DÉCADAS DE HISTÓRIA
Existem lugares que são lembrados simplesmente porque fizeram parte da vida noturna de uma cidade.
E existem aqueles que acabam se transformando em lugares de memória.
Em Maringá, um desses lugares foi o Tribo’s Bar.
Durante décadas, o nome Tribo’s esteve associado ao rock, ao punk, ao metal, à música independente, aos artistas locais e, principalmente, à chamada cena underground da cidade.
Mas a história do Tribo’s começou antes mesmo de o estabelecimento receber esse nome.
Sua origem está ligada ao Ópera Bar, que funcionava em uma antiga casa de madeira na Avenida Cidade de Leiria.
Foi ali que começou uma trajetória que atravessaria gerações.



ANTES DO TRIBO’S, EXISTIA O ÓPERA BAR

Uma rara fotografia preservada pelo projeto Maringá Histórica mostra o Ópera Bar em 1996, instalado em uma casa de madeira na Avenida Cidade de Leiria.
Segundo o registro histórico, o local deu espaço ao Tribo’s Bar a partir de maio de 1996.
O ambiente já era frequentado por artistas e pessoas ligadas à cena alternativa.
E foi nesse cenário que nasceu oficialmente o Tribo’s.
🎸 1996 — NASCIA O TRIBO’S BAR

O Tribo’s Bar foi inaugurado em maio de 1996, na Avenida Cidade de Leiria, na Zona 4 de Maringá.
Naquele período, a cidade possuía diferentes bares, casas noturnas e espaços de entretenimento.
Mas o Tribo’s acabou ocupando um espaço muito particular.
Era um lugar para quem procurava uma programação diferente.
Shows de bandas locais dividiam espaço com atrações de outras cidades e até do exterior.
O estabelecimento rapidamente passou a fazer parte da vida da juventude alternativa maringaense.
🎤 UM DOS PRIMEIROS REGISTROS: BLUES MELODY, EM 1996
Entre os registros mais preciosos dessa época está uma fotografia de uma apresentação da Blues Melody, realizada em 1996.
A imagem mostra músicos e público reunidos em um ambiente pequeno e bastante próximo do palco.
É exatamente o tipo de fotografia que hoje funciona como um documento da cena musical de Maringá dos anos 1990.
A Blues Melody foi uma das bandas de destaque do rock maringaense na segunda metade daquela década e chegou a produzir um CD independente com seis músicas: “Histórias”, “Noite sem fim”, “Sob o leito das flores”, “Blues (Peso)”, “Funk you” e “Fogo Selvagem”.
O TRIBO’S DA "CASINHA"
Quem frequentou o Tribo’s em seus primeiros anos conheceu uma realidade muito diferente daquela que posteriormente se consolidaria na Avenida Cerro Azul.
O primeiro endereço funcionava em uma antiga casa.
O ambiente era simples, mas justamente essa simplicidade ajudava a formar sua identidade.
A pesquisa histórica realizada pelo projeto Maringá Histórica registra que, durante determinado período, uma grande lona cobria a fachada, porque os shows eram realizados na área externa.
Era um espaço improvisado, mas que acabou se tornando palco de apresentações, festivais, encontros e histórias que ficaram na memória de várias gerações.
AS PAREDES DO TRIBO’S TAMBÉM CONTAVAM HISTÓRIAS
Uma das características mais marcantes do antigo Tribo’s eram suas paredes.
O espaço era recheado de grafites e pinturas, criando uma aparência completamente diferente da maioria dos estabelecimentos tradicionais.
Entre os trabalhos que ganharam destaque estavam três obras atribuídas aos artistas Tchuca e Tião.
As pinturas estavam localizadas nos pilares externos da mureta e também no interior do banheiro.
Essas imagens são importantes porque mostram que a identidade do Tribo’s não era construída somente pela música.
O lugar também incorporava elementos da cultura urbana.
As paredes acabaram funcionando quase como um álbum visual.
Quem entrava no bar encontrava música, cartazes, pinturas, grafites e diferentes manifestações da cultura alternativa.
🤘 UM PONTO DE ENCONTRO DAS "TRIBOS"
O nome parecia combinar perfeitamente com a proposta.
Diferentes grupos encontravam no mesmo espaço um ponto de encontro.
Rock.
Punk.
Heavy metal.
Hard rock.
Música independente.
Bandas autorais.
E várias outras vertentes da música alternativa.
Um estudo acadêmico da Universidade Estadual de Maringá chegou a descrever o Tribo’s como um ponto de encontro das diferentes “tribos” presentes na cidade e como um importante espaço da contracultura maringaense.
🎶 O PALCO PEQUENO QUE RECEBEU GRANDES HISTÓRIAS
Ao longo dos anos, o palco do Tribo’s recebeu uma quantidade enorme de bandas.
Algumas estavam começando.
Outras já possuíam público em diferentes regiões do país.
E algumas chegaram a Maringá vindas do exterior.
O próprio acervo histórico registra que o espaço recebeu shows locais, estaduais, nacionais e internacionais.
Essa mistura foi uma das características que fizeram a casa permanecer relevante durante tantos anos.
CÓLERA NO TRIBO’S
Apresentação do Cólera em Maringá, em registro realizado no Tribo’s Bar.
Um dos registros fotográficos encontrados mostra uma apresentação da banda Cólera em Maringá.
A fotografia revela a proximidade entre público e músicos, característica dos pequenos espaços de shows.
O Tribo’s recebeu a banda em uma época em que o punk e o rock independente continuavam encontrando no local um importante ponto de apresentação.
🎸 NEVILTON E A CENA INDEPENDENTE
Outro registro interessante vem de 2011, quando o Tribo’s recebeu um show envolvendo Nevilton e Brian Oblivion & Seus Raios Catódicos.
A fotografia mostra o baixista em pleno palco, praticamente diante do público.
Esse tipo de registro demonstra como o Tribo’s funcionava como um espaço intimista para a música independente.
🔥 ROCK, PUNK E METAL
A programação da casa não ficou restrita a uma única vertente.
Ao longo de sua história passaram pelo espaço bandas associadas ao rock, punk e metal.
Entre os nomes mencionados em registros sobre a história do estabelecimento estão Brujeria, Cólera e Varukers, Ratos de porão, Krisun e muitos outros.
Isso fez com que o Tribo’s fosse conhecido por diferentes públicos.
🌎 QUANDO BANDAS DE FORA CHEGAVAM A MARINGÁ
Uma das funções culturais do Tribo’s era justamente possibilitar que bandas de fora encontrassem público em Maringá.
Isso ajudava a conectar a cidade a circuitos independentes de outras regiões.
Um exemplo ocorreu com a Sonic Flower Club, iniciativa que durante anos trabalhou para trazer bandas alternativas de diferentes lugares para a cidade.
Em uma edição comemorativa realizada no Tribo’s, passaram pelo palco a banda alemã Tusq e o grupo carioca The Outs.
2005: O PRIMEIRO ENDEREÇO CHEGA AO FIM
Depois de aproximadamente nove anos na Avenida Cidade de Leiria, uma fase importante da história chegou ao fim.
No final de 2005, o bar deixou aquele endereço.
Mas o Tribo’s não desapareceria.
Ele estava prestes a começar uma nova fase.
📍 2006: O TRIBO’S MUDA PARA A AVENIDA CERRO AZUL
Em maio de 2006, o Tribo’s passou a funcionar na Avenida Cerro Azul.
Foi nesse endereço que o bar consolidou definitivamente sua imagem perante novas gerações.
O endereço da Cerro Azul se tornaria, durante anos, uma referência para quem procurava música independente em Maringá.
🖤 A FACHADA QUE VIROU PARTE DA PAISAGEM
A fachada preta da Avenida Cerro Azul acabou se tornando uma das imagens mais conhecidas do Tribo’s.
O letreiro vermelho e branco com o nome TRIBO’S contrastava com a parede escura.
Durante anos, aquela fachada funcionou como um ponto de referência para quem circulava pela região.
A fotografia publicada por Maringá.Com registra justamente essa aparência do estabelecimento em sua fase final.
🎤 O PALCO DA CERRO AZUL
O novo endereço também ganhou sua própria história.
No palco da Avenida Cerro Azul, novas gerações de músicos encontraram espaço.
A casa continuou funcionando como ponto de encontro para quem queria assistir a bandas que muitas vezes não faziam parte da programação das grandes casas de shows.
🎵 UM ESPAÇO PARA BANDAS DE GARAGEM
Talvez um dos maiores legados do Tribo’s esteja justamente aqui.
O palco não serviu apenas para bandas já conhecidas.
Ele também abriu espaço para grupos que estavam começando.
Em depoimento após a morte de Juninho, o secretário municipal de Cultura, Tiago Valenciano, destacou que diversas bandas de garagem começaram no local e conseguiram posteriormente alcançar projeção regional.
Isso transforma o Tribo’s em algo maior do que uma casa de shows.
Ele foi também um ponto de passagem para músicos.
JUNINHO: O NOME POR TRÁS DO TRIBO’S

Quando se fala em Tribo’s, é impossível separar a história da casa da história de Antonio Batista de Souza Júnior, o Juninho.
Ele se tornou a principal figura associada ao estabelecimento.
Juninho esteve à frente da casa durante grande parte de sua trajetória e manteve o bar ligado à cena underground de Maringá.
Reportagens publicadas após sua morte destacaram justamente essa relação com músicos e artistas independentes.
O FIM DE UMA ERA
Em novembro de 2025, veio uma notícia que surpreendeu muitos frequentadores.
O Tribo’s anunciou que encerraria suas atividades em dezembro.
O anúncio informou que a programação de shows continuaria até 20 de dezembro de 2025, quando o imóvel seria entregue.
Juninho agradeceu aos frequentadores e às pessoas que participaram da história da casa.
A notícia provocou manifestações de pessoas que haviam frequentado o bar durante diferentes épocas.
Para muitos, não era apenas o fechamento de um estabelecimento.
Era o encerramento de uma parte da vida noturna alternativa de Maringá.
E ENTÃO VEIO A MORTE DE JUNINHO

Em 19 de junho de 2026, Antonio Batista de Souza Júnior, o Juninho, morreu aos 53 anos.
A notícia trouxe novamente o nome Tribo’s para as páginas de notícias de Maringá.
Amigos, familiares, músicos e pessoas ligadas à cena cultural prestaram homenagens.
O proprietário que durante tantos anos esteve atrás do balcão e acompanhou inúmeros shows havia partido.
UMA HISTÓRIA QUE NÃO TERMINA NO ÚLTIMO SHOW
A morte de Juninho encerrou uma trajetória pessoal, mas a memória do Tribo’s permaneceu entre aqueles que passaram pelo local.
A casa havia atravessado diferentes momentos da cidade.
Os jovens dos anos 1990 deram lugar aos jovens dos anos 2000.
Depois vieram novas gerações.
Novas bandas.
Novos estilos.
Novos públicos.
Mas o endereço continuava carregando histórias.
📸 FOTOGRAFIAS QUE VIRARAM DOCUMENTOS
Hoje, cada fotografia antiga do Tribo’s possui um valor especial.
Uma imagem de uma banda tocando pode mostrar:
como era o palco;
quais instrumentos eram utilizados;
como o público se vestia;
como eram os cabelos;
os cartazes;
as paredes;
os grafites;
a iluminação;
a decoração;
e até como era a própria juventude maringaense daquela época.
Por isso, fotografias como as preservadas pelo Maringá Histórica são importantes registros da história cultural da cidade.
🎸 O TRIBO’S COMO CÁPSULA DO TEMPO
Imagine entrar no Tribo’s em 1996.
Uma banda tocando.
Pessoas reunidas em volta do palco.
Paredes cobertas de desenhos.
Cartazes.
Amplificadores.
Fumaça.
Luzes.
Conversas.
E uma música que provavelmente não tocava nas rádios mais populares.
Agora imagine voltar ao mesmo lugar vinte anos depois.
Muita coisa teria mudado.
Mas a essência continuaria reconhecível: um palco para quem queria tocar e um espaço para quem queria ouvir.
🤘 QUASE 30 ANOS DE TRIBO’S
INÍCIO DOS ANOS 1990
O espaço funcionava como Ópera Bar, na Avenida Cidade de Leiria.
🎸 MAIO DE 1996
Nasce oficialmente o Tribo’s Bar.
🎤 1996
Shows de bandas locais passam a fazer parte da história da casa, incluindo a apresentação da Blues Melody.
🎨 ANOS 2000
Os grafites e pinturas tornam-se parte marcante da identidade visual do estabelecimento.
🚚 FINAL DE 2005
O primeiro endereço é encerrado.
📍 MAIO DE 2006
O Tribo’s passa a funcionar na Avenida Cerro Azul.
🎶 ANOS 2000–2020
A casa recebe inúmeras bandas locais, nacionais e internacionais.
🚪 NOVEMBRO DE 2025
É anunciado o encerramento das atividades.
🎸 DEZEMBRO DE 2025
Chega ao fim a programação anunciada para o último período da casa.
🕯️ JUNHO DE 2026
Morre Juninho, aos 53 anos.
🖤 MAIS DO QUE UM BAR
Talvez a melhor maneira de explicar o que foi o Tribo’s seja dizer que ele não pertenceu somente a quem o administrava.
Pertenceu também a quem tocou.
A quem produziu shows.
A quem fotografou.
A quem vendeu discos.
A quem encontrou amigos.
A quem conheceu uma banda ali.
A quem assistiu ao primeiro show.
A quem tocou pela primeira vez diante de um público.
E a quem simplesmente entrou pela porta sem imaginar que, anos depois, lembraria daquela noite.
📻 UMA PARTE DA HISTÓRIA MUSICAL DE MARINGÁ
O Tribo’s atravessou uma época em que a maneira de descobrir música mudou completamente.
Nos anos 1990, CDs, fitas e revistas ainda eram fundamentais.
Depois vieram os arquivos MP3.
A internet.
As redes sociais.
O streaming.
Mas o bar continuava oferecendo algo que nenhuma tecnologia substitui:
a experiência de ouvir uma banda ao vivo junto de outras pessoas.
🎸 O LEGADO



O legado do Tribo’s não está somente nas paredes que existiram, nos cartazes que foram colados ou nos shows que foram realizados.
Está nas pessoas que passaram por ali.
Nas bandas que encontraram espaço.
Nas amizades.
Nas fotografias.
Nos discos.
Nos vídeos.
Nas histórias contadas anos depois.
E principalmente na memória de uma cidade que teve, durante décadas, um endereço onde diferentes tribos podiam se encontrar.
🖤 QUANDO AS LUZES SE APAGAM, FICAM AS HISTÓRIAS
O Tribo’s Bar começou sua trajetória em uma antiga casa de madeira.
Passou pelo nome Ópera Bar.
Transformou-se em Tribo’s.
Recebeu bandas.
Viu gerações crescerem.
Mudou de endereço.
Ganhou grafites.
Recebeu músicos de diferentes lugares.
Virou referência para a cena underground.
E acabou entrando para a memória cultural de Maringá.
Alguns lugares fecham suas portas.
Outros continuam existindo nas fotografias.
E alguns permanecem principalmente nas lembranças de quem esteve lá.
O Tribo’s é um desses lugares.
ALGUMAS IMAGENS PESSOAIS
COVER KISS
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