quarta-feira, 7 de outubro de 2026

RON MUECK

RON MUECK: O ARTISTA QUE TRANSFORMOU O CORPO HUMANO EM ESCULTURAS IMPRESSIONANTEMENTE REAIS

Entre gigantes, figuras minúsculas, rostos adormecidos e corpos que parecem respirar, Ron Mueck criou algumas das esculturas mais perturbadoramente realistas da arte contemporânea.

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Há artistas que procuram representar a realidade.

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

🎸 TRIBO’S BAR — A HISTÓRIA DO LUGAR QUE VIROU SÍMBOLO DO ROCK E DA CENA UNDERGROUND DE MARINGÁ

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UM BAR, MUITAS TRIBOS E QUASE TRÊS DÉCADAS DE HISTÓRIA

Existem lugares que são lembrados simplesmente porque fizeram parte da vida noturna de uma cidade.

E existem aqueles que acabam se transformando em lugares de memória.

Em Maringá, um desses lugares foi o Tribo’s Bar.

Durante décadas, o nome Tribo’s esteve associado ao rock, ao punk, ao metal, à música independente, aos artistas locais e, principalmente, à chamada cena underground da cidade.

Mas a história do Tribo’s começou antes mesmo de o estabelecimento receber esse nome.

Sua origem está ligada ao Ópera Bar, que funcionava em uma antiga casa de madeira na Avenida Cidade de Leiria.

Foi ali que começou uma trajetória que atravessaria gerações.





ANTES DO TRIBO’S, EXISTIA O ÓPERA BAR

Uma rara fotografia preservada pelo projeto Maringá Histórica mostra o Ópera Bar em 1996, instalado em uma casa de madeira na Avenida Cidade de Leiria.

Segundo o registro histórico, o local deu espaço ao Tribo’s Bar a partir de maio de 1996. 

O ambiente já era frequentado por artistas e pessoas ligadas à cena alternativa.

E foi nesse cenário que nasceu oficialmente o Tribo’s.


🎸 1996 — NASCIA O TRIBO’S BAR

O Tribo’s Bar foi inaugurado em maio de 1996, na Avenida Cidade de Leiria, na Zona 4 de Maringá. 

Naquele período, a cidade possuía diferentes bares, casas noturnas e espaços de entretenimento.

Mas o Tribo’s acabou ocupando um espaço muito particular.

Era um lugar para quem procurava uma programação diferente.

Shows de bandas locais dividiam espaço com atrações de outras cidades e até do exterior.

O estabelecimento rapidamente passou a fazer parte da vida da juventude alternativa maringaense. 


🎤 UM DOS PRIMEIROS REGISTROS: BLUES MELODY, EM 1996

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Blues Melody se apresenta no Tribo’s Bar em 1996, em um dos primeiros registros fotográficos da casa. Fonte: Acervo Tribo’s Bar – Antonio Batista / Acervo Maringá Histórica.

Entre os registros mais preciosos dessa época está uma fotografia de uma apresentação da Blues Melody, realizada em 1996.

A imagem mostra músicos e público reunidos em um ambiente pequeno e bastante próximo do palco.

É exatamente o tipo de fotografia que hoje funciona como um documento da cena musical de Maringá dos anos 1990.

A Blues Melody foi uma das bandas de destaque do rock maringaense na segunda metade daquela década e chegou a produzir um CD independente com seis músicas: “Histórias”, “Noite sem fim”, “Sob o leito das flores”, “Blues (Peso)”, “Funk you” e “Fogo Selvagem”.


O TRIBO’S DA "CASINHA"

Quem frequentou o Tribo’s em seus primeiros anos conheceu uma realidade muito diferente daquela que posteriormente se consolidaria na Avenida Cerro Azul.

O primeiro endereço funcionava em uma antiga casa.

O ambiente era simples, mas justamente essa simplicidade ajudava a formar sua identidade.

A pesquisa histórica realizada pelo projeto Maringá Histórica registra que, durante determinado período, uma grande lona cobria a fachada, porque os shows eram realizados na área externa. 

Era um espaço improvisado, mas que acabou se tornando palco de apresentações, festivais, encontros e histórias que ficaram na memória de várias gerações.


AS PAREDES DO TRIBO’S TAMBÉM CONTAVAM HISTÓRIAS


Uma das características mais marcantes do antigo Tribo’s eram suas paredes.

O espaço era recheado de grafites e pinturas, criando uma aparência completamente diferente da maioria dos estabelecimentos tradicionais.

Entre os trabalhos que ganharam destaque estavam três obras atribuídas aos artistas Tchuca e Tião.

As pinturas estavam localizadas nos pilares externos da mureta e também no interior do banheiro. 

Essas imagens são importantes porque mostram que a identidade do Tribo’s não era construída somente pela música.

O lugar também incorporava elementos da cultura urbana.

As paredes acabaram funcionando quase como um álbum visual.

Quem entrava no bar encontrava música, cartazes, pinturas, grafites e diferentes manifestações da cultura alternativa.


🤘 UM PONTO DE ENCONTRO DAS "TRIBOS"

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O nome parecia combinar perfeitamente com a proposta.

Diferentes grupos encontravam no mesmo espaço um ponto de encontro.

Rock.

Punk.

Heavy metal.

Hard rock.

Música independente.

Bandas autorais.

E várias outras vertentes da música alternativa.

Um estudo acadêmico da Universidade Estadual de Maringá chegou a descrever o Tribo’s como um ponto de encontro das diferentes “tribos” presentes na cidade e como um importante espaço da contracultura maringaense. 


🎶 O PALCO PEQUENO QUE RECEBEU GRANDES HISTÓRIAS

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Ao longo dos anos, o palco do Tribo’s recebeu uma quantidade enorme de bandas.

Algumas estavam começando.

Outras já possuíam público em diferentes regiões do país.

E algumas chegaram a Maringá vindas do exterior.

O próprio acervo histórico registra que o espaço recebeu shows locais, estaduais, nacionais e internacionais. 

Essa mistura foi uma das características que fizeram a casa permanecer relevante durante tantos anos.


CÓLERA NO TRIBO’S

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Apresentação do Cólera em Maringá, em registro realizado no Tribo’s Bar.

Um dos registros fotográficos encontrados mostra uma apresentação da banda Cólera em Maringá.

A fotografia revela a proximidade entre público e músicos, característica dos pequenos espaços de shows.

O Tribo’s recebeu a banda em uma época em que o punk e o rock independente continuavam encontrando no local um importante ponto de apresentação.

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

MACHU PICCHU — A CIDADE DE PEDRA ESCONDIDA NAS MONTANHAS

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Erguida em meio às montanhas dos Andes peruanos, a mais de 2.400 metros de altitude, Machu Picchu é uma das construções arqueológicas mais impressionantes do planeta. Suas enormes pedras perfeitamente encaixadas, seus terraços, templos, escadarias, canais de água e sua localização aparentemente impossível fizeram do lugar um dos grandes símbolos da civilização Inca.

Mas Machu Picchu também é cercada de perguntas.

Por que foi construída naquele lugar? Quem realmente vivia ali? Qual era sua função? Por que foi abandonada? Como os Incas conseguiram construir uma cidade tão sofisticada em uma montanha tão íngreme?

Mesmo depois de mais de um século de pesquisas, algumas dessas perguntas continuam sem uma resposta definitiva. A própria UNESCO afirma que ainda existem aspectos da função religiosa, cerimonial, astronômica e agrícola do complexo que permanecem parcialmente desconhecidos. 


O QUE SIGNIFICA MACHU PICCHU?

O nome Machu Picchu vem do quéchua e costuma ser traduzido como “Montanha Velha”.

A montanha situada diante dela é chamada Huayna Picchu, geralmente traduzida como “Montanha Jovem”.

Assim, o cenário apresenta duas montanhas com nomes que parecem formar um interessante contraste:

Machu Picchu — Montanha Velha
Huayna Picchu — Montanha Jovem

O complexo está localizado na região de Cusco, no Peru, entre o ambiente andino e a região amazônica.

A UNESCO considera o Santuário Histórico de Machu Picchu um patrimônio de importância cultural e natural excepcional. 


COMO MACHU PICCHU FOI CRIADA?

A imagem que muitas pessoas têm é a de uma cidade simplesmente construída sobre uma montanha.

A realidade é muito mais impressionante.

Os construtores precisaram transformar uma estreita crista montanhosa em uma área habitável.

Machu Picchu foi construída durante o período de expansão do Império Inca, provavelmente no século XV. Pesquisas utilizando datação por radiocarbono indicam ocupação aproximadamente entre 1420 e 1532, mostrando que o local pode ter começado a ser utilizado décadas antes da data tradicionalmente associada ao imperador Pachacuti. 

A associação com Pachacuti, um dos mais importantes governantes incas, continua sendo uma das principais interpretações sobre a origem do complexo.

Estudos arqueológicos e históricos indicam que Machu Picchu provavelmente funcionava como uma espécie de propriedade real ou retiro associado à elite Inca, e não simplesmente como uma cidade comum. 


UMA CIDADE CONSTRUÍDA COM PEDRAS

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Um dos maiores mistérios de Machu Picchu está justamente na sua construção.

Os Incas não possuíam máquinas modernas, guindastes ou equipamentos semelhantes aos utilizados atualmente.

Ainda assim, conseguiram construir paredes extremamente precisas.

Muitas pedras foram cuidadosamente cortadas e encaixadas umas nas outras, formando estruturas resistentes sem depender das técnicas modernas de concreto.

A arquitetura também foi planejada para se adaptar à montanha.

Em vez de tentar dominar completamente a paisagem, os construtores incorporaram a própria montanha à arquitetura.

A engenharia do local inclui:

  • grandes muros de contenção;

  • terraços agrícolas;

  • escadarias de pedra;

  • canais;

  • fontes;

  • sistemas de drenagem;

  • fundações profundas;

  • caminhos;

  • áreas residenciais;

  • espaços cerimoniais.

A American Society of Civil Engineers destaca Machu Picchu como exemplo extraordinário de planejamento urbano, engenharia hidráulica, estabilidade de encostas e construção adaptada ao ambiente. 


O SEGREDO ESCONDIDO DEBAIXO DAS PEDRAS

Talvez uma das maiores surpresas de Machu Picchu esteja justamente naquilo que não conseguimos enxergar.

Grande parte da engenharia do complexo está escondida abaixo do solo.

Os terraços não eram simplesmente paredes com terra colocada atrás.

Eles possuíam camadas destinadas a facilitar a drenagem da água.

Isso era fundamental porque Machu Picchu fica em uma região montanhosa com chuvas abundantes.

Pesquisas de engenharia identificaram sistemas de drenagem superficiais e subterrâneos que ajudaram a impedir erosão, deslizamentos e acúmulo de água. 

Há também numerosos pontos de drenagem incorporados às estruturas urbanas.

O que parece simplesmente uma parede de pedra pode esconder uma sofisticada obra de engenharia.


A ÁGUA QUE DESCIA PELA MONTANHA

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Os Incas desenvolveram um sistema para conduzir água de uma nascente localizada na montanha.

O canal principal tinha aproximadamente 749 metros de comprimento e aproveitava a gravidade para transportar a água.

Ela chegava a uma sequência de 16 fontes de pedra.

O sistema foi cuidadosamente construído para controlar o fluxo da água. 

Isso significa que Machu Picchu possuía:

captação → canal → fontes → drenagem

Tudo integrado à topografia da montanha.


OS IMPRESSIONANTES TERRAÇOS

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Os grandes degraus que vemos nas encostas são chamados de terraços agrícolas ou andenes.

Eles tinham várias funções.

Serviam para:

  • criar áreas relativamente planas;

  • permitir o cultivo;

  • controlar a erosão;

  • estabilizar as encostas;

  • facilitar o escoamento da água.

O sistema era tão bem planejado que os terraços permaneceram surpreendentemente preservados durante séculos de abandono.

Portanto, aquelas enormes faixas verdes não são apenas bonitas.

Elas ajudavam literalmente a manter a montanha de pé.


O MISTERIOSO INTIHUATANA

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Entre as estruturas mais famosas está o Intihuatana.

Seu nome é frequentemente traduzido como “lugar onde se amarra o Sol”.

A pedra possui uma forma cuidadosamente esculpida e está associada às observações solares e às práticas religiosas dos Incas.

Durante muito tempo, o Intihuatana foi apresentado como uma espécie de relógio solar.

Porém, a realidade é mais complexa.

Não existe consenso de que ele funcionasse simplesmente como um “relógio” no sentido moderno.

Sua função provavelmente estava relacionada a observação astronômica, calendário, ritual e simbolismo religioso.

A própria UNESCO considera que aspectos do conhecimento astronômico relacionado ao complexo ainda fazem parte dos mistérios não completamente solucionados de Machu Picchu.