



Erguida em meio às montanhas dos Andes peruanos, a mais de 2.400 metros de altitude, Machu Picchu é uma das construções arqueológicas mais impressionantes do planeta. Suas enormes pedras perfeitamente encaixadas, seus terraços, templos, escadarias, canais de água e sua localização aparentemente impossível fizeram do lugar um dos grandes símbolos da civilização Inca.
Mas Machu Picchu também é cercada de perguntas.
Por que foi construída naquele lugar? Quem realmente vivia ali? Qual era sua função? Por que foi abandonada? Como os Incas conseguiram construir uma cidade tão sofisticada em uma montanha tão íngreme?
Mesmo depois de mais de um século de pesquisas, algumas dessas perguntas continuam sem uma resposta definitiva. A própria UNESCO afirma que ainda existem aspectos da função religiosa, cerimonial, astronômica e agrícola do complexo que permanecem parcialmente desconhecidos.
O QUE SIGNIFICA MACHU PICCHU?
O nome Machu Picchu vem do quéchua e costuma ser traduzido como “Montanha Velha”.
A montanha situada diante dela é chamada Huayna Picchu, geralmente traduzida como “Montanha Jovem”.
Assim, o cenário apresenta duas montanhas com nomes que parecem formar um interessante contraste:
Machu Picchu — Montanha Velha
Huayna Picchu — Montanha Jovem
O complexo está localizado na região de Cusco, no Peru, entre o ambiente andino e a região amazônica.
A UNESCO considera o Santuário Histórico de Machu Picchu um patrimônio de importância cultural e natural excepcional.
COMO MACHU PICCHU FOI CRIADA?
A imagem que muitas pessoas têm é a de uma cidade simplesmente construída sobre uma montanha.
A realidade é muito mais impressionante.
Os construtores precisaram transformar uma estreita crista montanhosa em uma área habitável.
Machu Picchu foi construída durante o período de expansão do Império Inca, provavelmente no século XV. Pesquisas utilizando datação por radiocarbono indicam ocupação aproximadamente entre 1420 e 1532, mostrando que o local pode ter começado a ser utilizado décadas antes da data tradicionalmente associada ao imperador Pachacuti.
A associação com Pachacuti, um dos mais importantes governantes incas, continua sendo uma das principais interpretações sobre a origem do complexo.
Estudos arqueológicos e históricos indicam que Machu Picchu provavelmente funcionava como uma espécie de propriedade real ou retiro associado à elite Inca, e não simplesmente como uma cidade comum.
UMA CIDADE CONSTRUÍDA COM PEDRAS






Um dos maiores mistérios de Machu Picchu está justamente na sua construção.
Os Incas não possuíam máquinas modernas, guindastes ou equipamentos semelhantes aos utilizados atualmente.
Ainda assim, conseguiram construir paredes extremamente precisas.
Muitas pedras foram cuidadosamente cortadas e encaixadas umas nas outras, formando estruturas resistentes sem depender das técnicas modernas de concreto.
A arquitetura também foi planejada para se adaptar à montanha.
Em vez de tentar dominar completamente a paisagem, os construtores incorporaram a própria montanha à arquitetura.
A engenharia do local inclui:
A American Society of Civil Engineers destaca Machu Picchu como exemplo extraordinário de planejamento urbano, engenharia hidráulica, estabilidade de encostas e construção adaptada ao ambiente.
O SEGREDO ESCONDIDO DEBAIXO DAS PEDRAS
Talvez uma das maiores surpresas de Machu Picchu esteja justamente naquilo que não conseguimos enxergar.
Grande parte da engenharia do complexo está escondida abaixo do solo.
Os terraços não eram simplesmente paredes com terra colocada atrás.
Eles possuíam camadas destinadas a facilitar a drenagem da água.
Isso era fundamental porque Machu Picchu fica em uma região montanhosa com chuvas abundantes.
Pesquisas de engenharia identificaram sistemas de drenagem superficiais e subterrâneos que ajudaram a impedir erosão, deslizamentos e acúmulo de água.
Há também numerosos pontos de drenagem incorporados às estruturas urbanas.
O que parece simplesmente uma parede de pedra pode esconder uma sofisticada obra de engenharia.
A ÁGUA QUE DESCIA PELA MONTANHA








Os Incas desenvolveram um sistema para conduzir água de uma nascente localizada na montanha.
O canal principal tinha aproximadamente 749 metros de comprimento e aproveitava a gravidade para transportar a água.
Ela chegava a uma sequência de 16 fontes de pedra.
O sistema foi cuidadosamente construído para controlar o fluxo da água.
Isso significa que Machu Picchu possuía:
captação → canal → fontes → drenagem
Tudo integrado à topografia da montanha.
OS IMPRESSIONANTES TERRAÇOS






Os grandes degraus que vemos nas encostas são chamados de terraços agrícolas ou andenes.
Eles tinham várias funções.
Serviam para:
O sistema era tão bem planejado que os terraços permaneceram surpreendentemente preservados durante séculos de abandono.
Portanto, aquelas enormes faixas verdes não são apenas bonitas.
Elas ajudavam literalmente a manter a montanha de pé.
O MISTERIOSO INTIHUATANA






Entre as estruturas mais famosas está o Intihuatana.
Seu nome é frequentemente traduzido como “lugar onde se amarra o Sol”.
A pedra possui uma forma cuidadosamente esculpida e está associada às observações solares e às práticas religiosas dos Incas.
Durante muito tempo, o Intihuatana foi apresentado como uma espécie de relógio solar.
Porém, a realidade é mais complexa.
Não existe consenso de que ele funcionasse simplesmente como um “relógio” no sentido moderno.
Sua função provavelmente estava relacionada a observação astronômica, calendário, ritual e simbolismo religioso.
A própria UNESCO considera que aspectos do conhecimento astronômico relacionado ao complexo ainda fazem parte dos mistérios não completamente solucionados de Machu Picchu.