JOHN BONHAM: A MORTE QUE SILENCIOU O LED ZEPPELIN
Ele tinha apenas 32 anos.
Bonham morreu na casa de Jimmy Page, em Windsor, na Inglaterra, durante um período em que o Led Zeppelin ensaiava para aquela que seria sua primeira grande turnê norte-americana desde 1977. A banda pretendia voltar aos Estados Unidos em outubro daquele ano.
O último dia
Na manhã de 24 de setembro de 1980, Bonham foi buscado pelo assistente da banda, Rex King, para participar dos ensaios.
Durante o caminho, ele pediu para parar para tomar café. Segundo os registros do inquérito, começou a beber vodka e continuou consumindo álcool durante o dia.
Ao longo das aproximadamente 12 horas seguintes, Bonham teria ingerido cerca de 40 doses de vodka, quantidade estimada entre 1 e 1,4 litro de bebida a 40% de álcool.
Mesmo assim, participou dos ensaios do Led Zeppelin.
No final do dia, os integrantes foram para a residência de Jimmy Page, chamada Old Mill House, em Windsor.
Bonham estava extremamente alcoolizado.
Depois da meia-noite, ele adormeceu. Foi levado para um quarto e colocado de lado, aparentemente para que pudesse dormir e se recuperar.
Ninguém imaginava que aquela seria a última vez que ele seria visto com vida.
A descoberta
Na tarde de 25 de setembro, John Paul Jones e o empresário da turnê, Benji LeFevre, perceberam que Bonham ainda não havia aparecido.
Foram até o quarto.
Encontraram o baterista inconsciente.
Um médico foi chamado, mas Bonham já estava morto.
O Led Zeppelin registraria oficialmente aquela data como o momento em que Bonham foi encontrado morto por asfixia durante o sono.
O que realmente aconteceu?
O inquérito realizado posteriormente concluiu que Bonham havia ingerido uma quantidade extremamente elevada de álcool.
Ele vomitou enquanto dormia e acabou aspirando o próprio vômito, provocando asfixia. O legista classificou a morte como acidental.
Um detalhe importante: os exames não encontraram outras drogas recreativas no organismo de Bonham.
Portanto, apesar das inúmeras teorias que surgiram posteriormente, a conclusão oficial não foi assassinato, suicídio ou ritual, mas uma morte acidental relacionada ao consumo excessivo de álcool.
O homem por trás da bateria
A tragédia foi ainda maior porque Bonham não era simplesmente o baterista do Led Zeppelin.
Ele era considerado parte fundamental da identidade sonora da banda.
Seu estilo combinava força, velocidade, precisão e um enorme peso sonoro. Músicas como “Whole Lotta Love”, “Immigrant Song”, “Kashmir”, “When the Levee Breaks” e “Moby Dick” ajudaram a transformar sua bateria em uma das marcas registradas do rock.
Seu famoso solo de bateria em “Moby Dick” podia durar vários minutos nas apresentações ao vivo.
Bonham tinha uma maneira extremamente física de tocar. Ele literalmente fazia a bateria parecer um instrumento de impacto.
Por isso, quando morreu, surgiu imediatamente uma pergunta:
Quem poderia substituí-lo?
A resposta dos integrantes do Led Zeppelin foi praticamente unânime:
ninguém.
O FIM DO LED ZEPPELIN
A banda poderia ter contratado outro baterista.
Havia músicos capazes de ocupar aquela posição.
Mas para Robert Plant, Jimmy Page e John Paul Jones, Led Zeppelin sem John Bonham não seria mais Led Zeppelin.
A turnê norte-americana foi cancelada.
E, em 4 de dezembro de 1980, os três integrantes sobreviventes anunciaram oficialmente o fim da banda. Eles afirmaram que a perda de Bonham e o respeito por sua família tornavam impossível continuar como antes.
Foi um dos finais mais abruptos da história do rock.
Uma banda que havia vendido milhões de discos e lotado estádios simplesmente deixou de existir.
O detalhe mais triste
Bonham deixou esposa, Pat Phillips, e dois filhos, Jason e Zoe.
Seu filho, Jason Bonham, seguiria os passos do pai e também se tornaria baterista.
Décadas depois, Jason chegou a tocar com os integrantes sobreviventes do Led Zeppelin, inclusive na famosa apresentação de 2007, no tributo a Ahmet Ertegun, no O2 Arena, em Londres.
Foi um momento carregado de simbolismo:
o filho de John Bonham ocupando o lugar atrás da bateria.
E as teorias sobre a morte?
A morte de Bonham também alimentou histórias envolvendo o interesse de Jimmy Page pelo ocultismo e pelas obras de Aleister Crowley.
Algumas publicações e fãs chegaram a especular que a morte poderia estar relacionada a algum tipo de ritual ou magia negra.
Entretanto, não existe evidência confiável de que um ritual tenha causado a morte de Bonham. O inquérito oficial determinou morte acidental por asfixia após a aspiração de vômito, associada ao consumo excessivo de álcool.
Essa diferença é importante para uma matéria: a teoria pode ser apresentada como parte do folclore que surgiu em torno do Led Zeppelin, mas não como fato comprovado.
A última ironia
John Bonham passou a vida fazendo uma das coisas mais barulhentas possíveis:
tocando bateria.
Mas sua morte, em setembro de 1980, acabou produzindo um silêncio ainda maior.
Sem Bonzo, o Led Zeppelin não quis continuar.
E assim, a morte de um único integrante encerrou a história de uma das maiores bandas da história do rock.
Bonham foi cremado, e suas cinzas foram enterradas no cemitério da St. Michael's Church, em Rushock, Worcestershire, em outubro de 1980.
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