terça-feira, 17 de janeiro de 2017

QUEM ASSASSINOU JONBENÉT RAMSEY?




A capa de 22 de agosto de 2016 da revista People. Time Inc.


A foto que acompanha a recente reportagem de capa da revista People sobre JonBenét Ramsey mostra uma coroa de cachos loiros, uma fileira de dentes de leite reluzentes e um par de olhos grandes olhando fixamente por trás de cílios escuros grossos.
Aos 6 anos, JonBenét não só havia ganho o corte de cabelo, roupas e maquiagem de uma mulher adulta, mas também havia sido ensinada a ter a imobilidade de uma. Ela não é registrada em movimento, como geralmente crianças o são em fotografias. Ela parece alheia a qualquer desejo ou distração que a impeça de permanecer imóvel enquanto sua imagem é capturada. Ela nos deixa olhar para ela.



Pelos últimos 20 anos, o público americano nunca deixou de olhar para JonBenét Ramsey e nunca parou de clamar por justiça em nome dela: em especiais e filmes na TV em horário nobre, em best-sellers de não ficção sobre o crime e artigos furiosos publicados independentemente, em comunidades on-line formadas nos primórdios da internet discada e que ainda prosperam e nas matérias de várias páginas em revistas e tabloides. Todos eles incitam os leitores a entrarem em luto ano após ano, como se fosse sempre um novo ataque contra os EUA, uma DESCOBERTA SINISTRA, uma HISTÓRIA SECRETA, o ASSASSINATO DE UMA BELA MENININHA.
Em 1996, os americanos ainda estavam atordoados pelo julgamento de Susan Smith, uma mulher da Carolina do Sul que havia sido presa em julho de 1995 acusada de afogar seus filhos pequenos. O caso de O.J. Simpson também ainda era recente. O julgamento de Simpson havia aberto o caminho para o ciclo de notícias de 24 horas e provou que os telespectadores aparentemente assistiriam a qualquer coisa, não importa o quão entediante ou inconclusiva ela fosse, desde que fosse relacionada a um crime que os fascinasse.



Apesar de se saber pouco mais hoje em dia do que em 1996 sobre como a pequena miss de 6 anos morreu, uma nova onda de conteúdo relacionado à JonBenét começou a crescer em antecipação ao aniversário de 20 anos de seu assassinato.


No início deste mês, Dr. Phil transmitiu uma entrevista com o irmão de JonBenét, Burke Ramsey, que tinha 9 anos na época da morte dela, e cuja família penosamente dedicou-se a protegê-lo das acusações dos tabloides de que ele era o assassino da sua irmã.
Apesar da entrevista no Dr. Phil em si ter feito notícia, ela simplesmente requentou informações que já era públicas há muito tempo.
A mesma semana também viu a estreia da série da A&E O Assassinato de JonBenét: A Verdade Revelada e Quem Matou JonBenét no Dateline, apesar desses especiais serem apenas o prelúdio de uma série em duas partes da CBS chamada O Caso de: JonBenét Ramsey, que foi transmitida em 18 e 19 de setembro.
Mesmo assim, até agora, apesar de painéis de investigação terem sido montados e dos telespectadores continuarem a esperar por uma reviravolta no caso, nenhuma das nossas visitas de retorno a essa história trouxeram o tipo de informação que a tornariam menos paradoxal.


Revisitar crimes tem sido há muito tempo uma das bases da mídia americana e, pelo lado positivo, pode oferecer ao público uma nova compreensão ou mesmo um desfecho.
No entanto, mesmo quando estreou nos noticiários, o assassinato de JonBenét Ramsey nunca foi apresentado ao público em uma narrativa única e coerente. As pistas às quais o público se agarrava vinham de boatos e tabloides. O que era fato em um dia poderia ser provado mentira no dia seguinte, e geralmente era isso o que acontecia. Os suspeitos do caso frequentemente sofriam menos com a pressão da polícia do que com a atenção do público.


A mãe de JonBenét, Patsy Ramsey, nunca foi oficialmente indiciada ou julgada, mas, para muitos telespectadores, a culpa dela nunca esteve em dúvida. A feminilidade precoce de JonBenét só agravava a fúria dos tabloides, assim como a ideia arraigada de que seu assassinato estava de alguma forma inexoravelmente ligado à sua cidadania parcial na terra da feminilidade adulta — e à mulher que alguns argumentavam tê-la empurrado para lá. Tal história combinou o sensacionalismo com a inocência de uma forma que forçou os americanos a imaginarem o inimaginável.

O pedido de resgate. The Washington Post / Getty Images

JonBenét Ramsey tinha 6 anos quando foi assassinada em sua casa em Boulder, no Estado do Colorado (EUA), na noite de Natal em 1996. A mãe de JonBenét, Patsy Ramsey, disse aos investigadores que começou a notar que havia algo de errado quando ela acordou cedo na manhã seguinte e encontrou um bilhete com um pedido de resgate na escada.


Ouça com atenção!, instruía o bilhete. Somos um grupo de indivíduos que representam uma pequena facção estrangeira (…) Neste momento, temos sua filha em nossa posse. Ela está a salvo e ilesa, e se você quiser que ela veja 1997, você precisa seguir nossas instruções ao pé da letra.
JonBenét Ramsey tinha 6 anos quando foi assassinada em sua casa em Boulder, no Estado do Colorado (EUA), na noite de Natal em 1996.


Patsy Ramsey e seu marido, John, alegaram ter dormido a noite toda sem interrupções. Patsy disse à polícia que havia acordado primeiro e que ainda não havia olhado o quarto de sua filha quando encontrou o pedido de resgate. “E então”, conforme o escritor de não-ficção criminal Carlton Smith mais tarde colocaria em seu livro A Morte de uma Princesinha, “em um desses momentos nos quais o tempo parece parar, o coração de Patsy Paugh Ramsey, ex-Miss Virgínia Ocidental, prestes a completar quarenta anos, a esposa feliz de um homem de negócios bem-sucedido, foi partido por um raio de medo aterrador e impensável, o primeiro passo de uma estrada que mudaria sua vida para sempre”.


O bilhete de resgate encontrado no lar dos Ramsey era chocante não apenas por seus termos, mas por sua especificidade. Ele exigia 188 mil dólares em troca da vida de JonBenét — a mesma quantia do bônus salarial que John Ramsey havia recebido recentemente como presidente e diretor-executivo da Access Graphics, a subsidiária bilionária da Lockheed Martin. O bilhete também era destinado apenas a John.

Qualquer desvio das minhas instruções irá resultar na execução imediata de sua filha, continuava o bilhete de resgate. Os restos mortais dela para um enterro digno também lhe serão negados (…) Você tem 99% de chance de matar sua filha se tentar ser mais esperto que nós. Siga nossas instruções e você terá 100% de chance de tê-la de volta. Você e sua família estão sob vigilância constante, assim como as autoridades. Não tente ser espertinho, John (…) Não nos subestime, John (…) Só depende de você agora, John!

Vitória!

S.B.T.C.

Patsy então ligou para a polícia, que vasculhou a casa dos Ramsey, mas não encontrou nada. À tarde, os policiais tinham tanta certeza que a cena não forneceria mais evidências que pediram a John que desse mais uma última olhada na casa, para ver se ele havia notado alguma coisa fora do comum.
Com um amigo, Fleet White, John então foi até o porão e a uma salinha pequena e sem janelas que ficava ali, que os Ramseys chamavam de adega. Foi aí que John Ramsey encontrou o cadáver de JonBenét. Ela havia sofrido traumatismo craniano. Ela havia sido estrangulada. Suas mãos estavam amarradas. Sua boca havia sido coberta com fita adesiva. E ela havia sido enrolada em um lençol branco.

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John Ramsey tirou a fita adesiva da boca de sua filha e carregou seu corpo escada acima. A polícia disse a John que informasse sua esposa sobre a morte, e ele deitou o corpo da criança junto à árvore de Natal da família.

A imagem de JonBenét Ramsey estava estampada em dezenas de fichários de investigação policial. Ray Ng / Getty Images
Após as primeiras notícias sobre o assassinato, as teorias da polícia e da imprensa sobre o autor do pedido de resgate se proliferaram: Patsy Ramsey acordou para encontrar o bilhete, ou escreveu um, ou sentou-se ao lado do marido enquanto ele escrevia um, ou acordou para encontrar um pedido de resgate escrito por seu marido ou talvez por seu filho de 9 anos, Burke?


“Alguns conhecidos se perguntam se toda a atenção dada à JonBenét, mesmo que inocente e bem-intencionada, não deixou Burke se sentindo de lado”, escreveu Bill Hewitt na revista People. Relatar isso culpabilizava os outros membros da família e também o relacionamento de Patsy com sua filha: Hewitt também citou um fotógrafo que trabalhou com JonBenét e que lembrou de Patsy ter dito: “Ela não é só a minha filha, ela é a minha melhor amiga”. Até o detetive da polícia de Boulder, Steve Thomas, argumentava que era possível que Patsy tivesse perdido o controle de seu temperamento ao castigar JonBenét por ter feito xixi na cama.
Ainda existem sites e fóruns dedicados a discutir os detalhes do assassinato de JonBenét Ramsey. Comentaristas debatem e revisitam tudo, desde a relevância dos pôsteres de filmes no porão dos Ramseys (“acho que A Força do Destino deve ser mais do gosto da Patsy”) ao tamanho e a marca da calcinha que JonBenét estava vestindo quando foi assassinada.
Não demorou para os detetives amadores irem além das evidências presentes. Afinal, os peritos não conseguiram afirmar se a caligrafia no bilhete do resgate combinava com a de Patsy Ramsey, ou se JonBenét havia sido estuprada no passado ou na noite do assassinato, ou mesmo se o assassinato havia sido cometido por um intruso ou por algum dos moradores da casa. Muito era possível, mas pouco era sabido. Como resultado, quase todas as teorias sobre o assassinato tiveram que, uma hora ou outra, fazer uso da pura especulação.

Frequentemente, para aqueles que continuam a debater o caso, isso significa olhar para os suspeitos de sempre, significa analisar fotos e vídeos da família Ramsey, significa perguntar: Eles estavam realmente sofrendo? Eles eram realmente monstros? E eu não deveria ser capaz de distinguir isso somente olhando para eles?


A Enciclopédia do Caso JonBenét Ramsey, site que oferece um banco de dados exaustivamente alimentado com evidências, testemunhos e fóruns onde visitantes podem discutir seus próprios palpites, tem uma página inteira reservada a teorias sobre como e porque Patsy Ramsey matou sua filha.
Há a “Teoria da Fúria pelo Xixi na Cama”, endossada pela polícia de Boulder, mas também a “Teoria da Fúria Conjugal”, “John Pego no Ato”, “Abuso Sexual por Patsy”, “Síndrome de Munchausen por Transferência”, “Círculo de Pornografia Infantil” e “Sacrifício Ritual”.
Levando em conta esse agregado, a especulação parece, finalmente, menos sobre a própria Patsy Ramsey e mais sobre a necessidade das pessoas de criar uma lista de todas as situações, não importa o quão bizarras sejam, que poderiam levar uma mãe a matar sua própria filha de uma forma tão brutal. Uma história na qual a vítima mais inocente imaginável seja presa da mais sombria das forças ainda é melhor do que história nenhuma: por mais sinistra que seja, ela aponta o dedo para uma vilã real. Quanto pior a morte de JonBenét for, maior é o contraste entre sua inocência e a crueldade de sua morte, maior será a recompensa quando o assassino for pego e a justiça for feita, no final da história há muito esperado.


Nos dias seguintes ao assassinato de sua filha, Patsy Ramsey estava quase sempre sedada, às vezes ao ponto do delírio. Em entrevistas daquela época, ela fala pausadamente, com a voz fraca. O simples ato de ordenar uma frase parece exigir toda sua força de vontade. Ela parece simplesmente destruída.
Entrevistados por repórteres que logo afluíram para a cidade, os moradores de Boulder se lembravam de uma mulher bem diferente. Eles descreviam Patsy Ramsey como uma mãe glamourosa e cheia de energia que, mesmo fazendo quimioterapia, trabalhava voluntariamente na escola primária de seu filho e que parecia determinada a fazer de sua filha uma miss tão condecorada em concursos de beleza quanto ela própria havia sido no passado.
“Patsy era dinâmica”, contou Robert Elmore, o pároco da igreja que os Ramseys frequentavam, ao escritor Lawrence Schiller. “Ela era uma pessoa proativa com ideias bem definidas. E ela tinha esse anjo vivo. JonBenét era um anjo de verdade. Não me lembro de ter visto uma criança tão linda antes”.
“Por que ela não pôde crescer?”, teria perguntando Patsy a Kristine Griffin, aluna do ensino médio que competia no circuito de concursos de beleza e que treinava JonBenét, um dia depois do assassinato. “Tudo o que Jonnie B queria era ganhar uma coroa como a sua.”


Ainda assim, houve quem questionou o quão interessada JonBenét realmente estava no passatempo que sua mãe havia escolhido para ela. Até mesmo Griffin já havia notado que JonBenét costumava ceder seus prêmios para as participantes que terminavam no concurso de mãos vazias. Se ela não era forçada a participar desses concursos de beleza, também não parecia vê-los como mais do que um jeito de se divertir, apesar dos títulos que ela rapidamente acumulava: Little Miss Sunburst, Little Miss Merry Christmas, Little Miss Colorado, National Tiny Miss Beauty.
Para Patsy, que foi coroada Miss Virgínia Ocidental em 1977 e competiu como Miss EUA, a participação de JonBenét em concursos de beleza poderia ter sido um jeito de retornar a um mundo que ela conhecia melhor do que qualquer uma — ou pelo menos, ela pensava que conhecia.


Em A Morte da Inocência, as memórias das quais ela foi coautora com seu marido, Patsy ternamente se recorda de como, quando JonBenét se preparava para o concurso Little Miss Sunburst em agosto de 1996 — no mês em que ela fez 6 anos de idade — Patsy pediu à sua mãe e à sua irmã que a ajudassem com uma fantasia. Patsy escreve que elas acharam “uma capa de cetim branco com uma gola que poderia ser transformada em uma fantasia ao estilo das Folias de Ziegfeld, lembrando uma que eu havia vestido no concurso de Miss Virgínia Ocidental uns vinte anos antes. Tal mãe, tal filha”.


Dias após a morte de JonBenét, os organizadores de concursos de beleza infantis começaram a vender vídeos das performances dela aos seus afiliados. Em especial, as imagens de JonBenét no que Patsy chamou de fantasia das Folias de Ziegfeld cativaram os espectadores: o vídeo mostrava JonBenét fantasiada e apresentando uma coreografia provocativa que teria sido adequada para uma mulher jovem, mas que era inadequada para uma garotinha. Isso também criou uma narrativa ainda mais sensacionalista em torno do assassinato de JonBenét.

“Quando veio à tona que a criança havia sido miss em concursos de beleza”, disse na época Brian Cabell, da CNN, “a história ficou mais sexy”.

Foi nessa mesma época que tabloides começaram a levantar a hipótese de que JonBenét Ramsey poderia ter sido estuprada na noite do assassinato e talvez até mesmo por meses ou anos antes disso.
Uma edição de janeiro de 1997 da revista National Enquirer prometeu contar “A História Secreta” de “Como a Garotinha do Papai Realmente Morreu”, com a manchete acompanhada por uma foto em baixa resolução de JonBenét olhando fixamente para um vulto oculto, como se estivesse assustada. “Estamos descobrindo mais sobre o cordeirinho inocente que foi abatido”, prometia um especial do Hard Copy a seus leitores antes de passarem um clipe exclusivo da aparição de JonBenét no concurso Little Miss Charlevoix County.


A história não era uma campeã de audiência até deixar de ser sobre uma criança assassinada e passar a ser sobre uma menina-moça assassinada. Só então os repórteres dos tabloides convergiram para Boulder no que um jornalista descreveu como “estupro coletivo”; só aí a história passou de tragédia absurda a um teatro moralista.
Enraizada na fascinação duradoura do público pelas participações de JonBenét em concursos de beleza, estava a ideia de que seu assassinato estava inevitavelmente conectado à sua aparente feminilidade: que uma mulher era, inerentemente, ainda mais vulnerável do que uma criança.


As notícias que focavam no envolvimento de JonBenét em concursos de beleza — o que uma matéria de capa da Newsweek chamou de “O Estranho Mundo de JonBenét” — insinuavam que Patsy Ramsey havia empurrado sua filha para dentro de um mundo perigoso. E que ela deveria ter tido consciência disso.
Nos casos de mulheres brancas desaparecidas que o público americano conhece tão bem (Chandra Levy, Natalee Holloway e Brooke Wilberger, para citar algumas) e cuja influência na imaginação americana permanece intacta, é impossível fugir do simbolismo da luz contra as trevas. Ele está na manchete dos tabloides, nos comentários do detetive à imprensa, no noticiário noturno. A garota caminhou pela noite, adentrou a escuridão e então se foi. Ela cresceu só o bastante para deixar seu lar protegido e, assim que ela andou mundo faminto adentro, foi devorada. Essas são histórias aterrorizantes, mas nessas histórias existem regras: Fique onde você está e você não será ferida. No entanto, JonBenét Ramsey, jovem demais para entrar nesse mundo sombrio além da porta de sua casa, foi devorada pelas trevas mesmo assim. À medida que vídeos de suas performances em concursos de beleza eram reproduzidos em todos os canais, tornou-se difícil para os telespectadores não se perguntarem se Patsy Ramsey, ao transformar sua menininha em uma mulherzinha, havia convidado essas trevas para dentro de sua casa.


Desde o momento em que o assassinato de sua filha virou notícia em rede nacional, as atitudes de John e Patsy Ramsey só serviram para fazer com que eles parecessem mais suspeitos.
Em vez de esperarem que a polícia assumisse o controle sobre o caso, eles recorreram a seus advogados para aconselhamentos sobre seus direitos e sobre como fazer o possível para garantir que não dessem nenhuma declaração ou divulgassem qualquer evidência para a polícia que depois pudesse ser usada contra eles em um julgamento. Majoritariamente, aqueles que começaram a suspeitar dos Ramseys apontaram para esta estratégia como prova de sua culpa. Menos amplamente discutido foi o fato de que contratar um advogado no início de uma investigação que quase inevitavelmente apontaria você como um suspeito era, simplesmente, a única coisa sensata a se fazer.


John e Patsy Ramsey ainda tinham que dar um depoimento formal para a polícia enquanto se preparavam para transportar o corpo de JonBenét para o enterro em Atlanta. Enquanto os Ramseys planejavam o funeral de sua filha, John Eller, da Polícia de Boulder, teve a ideia que parecia a solução ideal: reter o corpo de JonBenét até que seus pais concordassem em depor. Não passou pela cabeça de Eller, talvez, que o bilhete de resgate que Patsy Ramsey encontrou em sua casa fazia a mesma ameaça. Qualquer desvio das minhas instruções irá resultar na execução imediata de sua filha. Os restos mortais dela para um enterro digno também lhe serão negados.
O corpo de JonBenét Ramsey foi finalmente liberado sem que seus pais tivessem que depor. Ela foi enterrada usando uma das suas coroas de miss.


A Polícia de Boulder dedicou todos seus recursos para solucionar o assassinato de JonBenét Ramsey, investindo em novas tecnologias, testes, uma força-tarefa e peritos que conseguiriam lidar com a atenção sem precedentes da mídia que o crime havia provocado.

Ainda assim, cada resposta que os investigadores descobriam parecia levá-los para cada vez mais fundo em um emaranhado de incertezas. Um perito disse que o corpo de JonBenét indicava abuso sexual prévio; outro disse o contrário. Havia vidro quebrado em uma das janelas do porão na noite do assassinato, mas não havia pegadas frescas na neve. “SBTC”, a sigla usada no fim do pedido de resgate poderia significar “Subic Bay”, a base naval onde John havia servido, ou poderia significar “Saved By The Cross” (“salva pela cruz”), uma referência à suposta crença de Patsy Ramsey de que a fé havia curado seu câncer de ovário, ou poderia significar outras mil coisas. Não havia evidências suficientes na cena do crime para indicar a presença de um intruso e não havia motivo suficiente concebível para explicar porque alguém de dentro da casa poderia ter cometido o assassinato.
Quando John e Patsy Ramsey apareceram na CNN no dia do Ano Novo em 1997, enfrentando suspeitas crescentes de serem os responsáveis pela morte de sua filha, o estado emocional deles à medida que respondiam às perguntas do entrevistador Brian Cabell foi mais analisado do que as respostas que eles deram.

“A polícia disse que não há assassino algum à solta”, disse Cabell. “Você acredita que tenha sido alguém de fora da sua casa?”

“Existe um assassino à solta”, disse Patsy. “Não sei quem é. Não sei se é ele ou ela. Mas se eu morasse em Boulder, eu diria a meus amigos para manter — mantenham seus filhos perto de vocês”. A voz de Patsy era frágil, baixa, chorosa. Mas ela olhou diretamente para a câmera ao sussurrar “Tem alguém à solta lá fora”.


Era difícil olhar para Patsy Ramsey nos dias e semanas seguintes ao assassinato de sua filha. Às vezes era literalmente difícil olhar para ela; difícil encarar o fantasma do sofrimento dela sem imediatamente encaixá-lo em uma teoria na qual ela houvesse assassinado sua filha mais nova. Quem mais entraria em luto de forma tão extravagante, mostrando a si mesma ao mundo em um estado tão vulnerável e traumatizado? Seria possível que essa também fosse uma forma de tortura à qual os inocentes não estavam imunes?

“Essa criança era a coisa mais preciosa da minha vida”, disse Patsy Ramsey à polícia após consentir em dar um depoimento. “Parem de perder tempo me perguntando essas coisas e vamos achar a pessoa que fez isso.”

Mas não havia respostas. A polícia de Boulder testou todas as evidências que tinha e só encontrou resultados inconclusivos. Eles pediram ajuda ao FBI, mas os resultados do FBI não foram melhores. Aparentemente, todos os suspeitos fora da casa tinham um álibi incontestável. Havia pouco a se fazer além de suspeitar dos pais. A investigação continuou. A indignação do público cresceu.


“Vocês precisam saber que hoje à noite vocês podem se sentir seguros”, disse a diretora da escola de JonBenét a seus alunos logo após sua morte. “O que aconteceu geralmente não acontece em Boulder”.

“Os pais da JonBenét diriam a mesma coisa para ela também”, retrucou uma criança.

Alguns adultos tentaram tranquilizar seus filhos. Outros admitiram que isso era tudo o que eles poderiam tentar fazer e tranquilizaram a si mesmos. “Quando penso em JonBenét Ramsey”, escreveu James R. Gaines no Time, “não é uma questão de curiosidade lasciva; me pergunto no que acreditar…se isso é obra da maldade mais sombria imaginável ou um ato mais ou menos aleatório de malícia e ganância que saiu de controle. O mal nessa escala é impossível de compreender. Descobrir quem matou JonBenét Ramsey é descobrir em que mundo vivemos, onde estamos”.
Na sua aparição na CNN, até Patsy Ramsey descreveu a morte de JonBenét como não apenas uma perda pessoal, mas como parte de uma sensação geral de que os americanos haviam perdido algo maior, provavelmente de forma irrevogável.

“Sabe, a América acabou de ser ferida tão profundamente”, diz Patsy, “com as — esta — as coisas trágicas que têm acontecido. A moça que jogou o carro com seus filhos na água, e não sabemos o que aconteceu com O.J. Simpson — digo, a América está sofrendo porque perdemos a fé na família americana”.

“A moça que jogou o carro com seus filhos na água” era Susan Smith, uma mulher de 23 anos da Carolina do Sul que, em outubro de 1994, afogou seus filhos pequenos e depois alegou que um negro havia roubado seu carro. Quando a caça ao suspeito terminou e a culpa pela morte das crianças pulou de um homem negro para uma mulher branca, o julgamento de Susan Smith tornou-se uma das histórias criminais mais amplamente acompanhadas daquele ano.


Smith tornou-se o símbolo vivo de tudo o que uma mãe jamais deveria fazer com seus filhos, de tudo o que um ser humano simplesmente não poderia ser. Após ser considerada culpada, o Entertainment Tonight promoveu uma pesquisa de opinião por telefone na qual os telespectadores, por 50 centavos o voto, poderiam dizer se acreditavam que ela merecia morrer na cadeira elétrica. Ainda assim, apesar do quão “inimagináveis” seus crimes foram, Smith acabou com uma sentença à prisão perpétua. No fim da história, os espectadores puderam se tranquilizar de que o mal havia sido encontrado e derrotado, que a ordem havia sido restaurada.
Vinte anos após a morte de JonBenét Ramsey, o público americano permanece convencido de que as autoridades de Boulder fracassaram. Aqueles que assistiram ao desdobramento da investigação esperavam que, inevitavelmente, um suspeito fosse nomeado, levado a julgamento, considerado culpado e afastado da sociedade para sempre. Essa era a história à qual os americanos estavam acostumados, a história que parecia menos com algum tipo de entretenimento oferecido pelos tabloides do que com um direito constitucional.

We're Getting Even More of JonBenét Ramsey on TV:

No entanto, a investigação da morte de JonBenét Ramsey falhou em prover essa história. E, apesar dos recursos legais e financeiros dos Ramsey talvez terem evitado seu indiciamento, isso tampouco serve como prova da culpa deles. Se eles fossem menos astutos, não tivessem bons contatos e fossem menos ricos, os investigadores talvez tivessem uma margem maior para corroborar suas teorias com evidências inconclusivas e agir de acordo não com os fatos, mas com a indignação e o medo do público. E isso também poderia ter levado a uma sentença injusta. Havia um número suficiente de pessoas dispostas a acreditarem que qualquer resposta era melhor do que nenhuma.


Independentemente de Patsy ser ou não culpada de amar JonBenét de uma forma que a objetificava e a desumanizava, o público americano certamente o é.
Durante o frenesi da mídia que cercou o assassinato de JonBenét Ramsey, os americanos deram o melhor de si para inventar uma história que forçasse sua morte a fazer sentido, e deram a ela um papel como símbolo angelical de tudo o que as trevas tomarão de nós, se permitirmos. Uma sociedade não consegue ter certeza de suas habilidades em impor a ordem e em derrotar monstros se esses monstros não fizerem uma vítima de vez em quando.


“Do roses know their thorns can hurt?” - JonBenet Ramsey (1990-1996):

Privado de um julgamento, privado de um veredicto e privado até mesmo de uma história coerente, o público americano não teve como transformar o horror de um infanticídio no começo de um conto de fadas. Por isso, o desespero por um fim para a história ainda persiste — um fim no qual JonBenét, a mais bela de todas, ainda está morta, mas todos os valores que ela simboliza estão novamente a salvo, já que o monstro maligno que os ameaçou foi abatido. A compreensão do caso que o público ainda procura, e o qual a mídia tenta desesperadamente oferecer com uma ofensiva de conteúdo relacionado ao aniversário do caso, é aquela na qual a história acaba, onde a ordem é restaurada e onde os americanos finalmente asseguraram “justiça para JonBenét”.
Hoje em dia, nos Estados Unidos, “justiça” pode significar quase qualquer coisa. Neste caso, não significa que JonBenét Ramsey irá voltar à vida, que ela irá crescer e vivenciar a infância que ela mal havia começado. Na verdade, significa que sua morte irá finalmente fazer parte de uma história que faça sentido e que dê ao público a sensação de conforto que só uma história assim consegue oferecer. Essa é a versão da justiça que o público tem procurado pelos últimos 20 anos: justiça não apenas para JonBenét Ramsey, mas para nós mesmos.
A obra de não-ficção de Sara Marshall apareceu nas publicações The Believer, The New Republic, The Best American Nonrequired Reading 2015 e The Week, da qual ela é colaboradora.

QUEM MATOU, JONBENÉT RAMSEY

3 CAPÍTULOS




EPISÓDIO 3, DISPONÍVEL EM OUTRO SITE. 







segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

STONEHENGE


O Stonehenge é uma estrutura composta, formada por círculos concêntricos de pedras que chegam a ter cinco metros de altura e a pesar quase cinquenta toneladas, onde se identificam três distintos períodos construtivos:
O chamado Período I (c. 3100 a.C.), quando o monumento não passava de uma simples vala circular com 97,54 metros de diâmetro, dispondo de uma única entrada. Internamente erguia-se um banco de pedras e um santuário de madeira. Cinquenta e seis furos externos ao seu perímetro continham restos humanos cremados. O círculo estava alinhado com o pôr do Sol do último dia do Inverno, e com as fases da Lua.
Durante o chamado Período II (c. 2150 a.C.) deu-se a realocação do santuário de madeira, a construção de dois círculos de pedras azuis (coloridas com um matiz azulado), o alargamento da entrada, a construção de uma avenida de entrada marcada por valas paralelas alinhadas com o Sol nascente do primeiro dia do Verão, e a construção do círculo externo, com 35 pedras que pesavam toneladas. As altas pedras azuis, que pesam quatro toneladas, foram transportadas das montanhas de Gales a cerca de 24 quilômetros ao Norte.


No chamado Período III (c. 2075 a.C.), as pedras azuis foram derrubadas e as pedras de grandes dimensões (megálitos) - ainda no local - foram erguidas. Estas pedras, medindo em média 5,49 metros de altura e pesando cerca de 25 toneladas cada, foram transportadas do Norte por 19 quilômetros. Entre 1500 a.C. e 1100 a.C., aproximadamente sessenta das pedras azuis foram restauradas e erguidas em um círculo interno, com outras dezenove, colocadas em forma ferradura, também dentro do círculo.
Estima-se que essas três fases da construção requereram mais de trinta milhões de horas de trabalho.
Recolhendo os dados a respeito do movimento de corpos celestiais, as observações de Stonehenge foram usadas para indicar os dias apropriados no ciclo ritual anual. Nesta consideração, é importante mencionar que a estrutura não foi usada somente para determinar o ciclo agrícola, uma vez que nesta região o Solstício de Verão ocorre bem após o começo da estação de crescimento; e o Solstício de inverno bem depois que a colheita é terminada. Desta forma, as teorias atuais a respeito da finalidade de Stonehenge sugerem seu uso simultâneo para observações astronômicas e a funções religiosas, sendo improvável que estivesse sendo utilizado após 1100 a.C..
A respeito da sua forma e funções arquitetônicas, os estudiosos sugeriram que Stonehenge - especialmente os seus círculos mais antigos - pretendia ser a réplica de um santuário de pedra, sendo que os de madeira eram mais comuns em épocas Neolíticas.

No dia 21 de Junho, o Sol nasce em perfeita exatidão sob a pedra principal.

Segundo dados mais recentes, obtidos por arqueólogos chefiados por Mike Parker Pearson, Stonehenge está relacionada com a existência do povoado Durrington. Este povoado formado por algumas dezenas de casas construídas entre 2600 a.C. e 2500 a.C., situado em Durrington Walls, perto de Salisbury, é considerada a maior aldeia neolítica do Reino Unido. Segundo os arqueólogos foi aí encontrada uma espécie de réplica de Stonehenge, em madeira.

Origem

Sol sobre o Stonehenge, durante o solstício de inverno.

Denominado pelos Saxões de "hanging stones" (pedras suspensas) e referido em escritos medievais como "dança dos gigantes", existem diversas lendas e mitos acerca da sua construção, creditada a diversos povos da Antiguidade.
Uma das opiniões mais populares foi a de John Aubrey. No século XVIII, antes do desenvolvimento dos métodos de datação arqueológica e da pesquisa histórica, foi quem primeiro associou este monumento, e outras estruturas megalíticas na Europa, aos antigoscionadas, difundiram-se na cultura popular do século XVII, mantendo-se até aos dias atuais.
Na realidade, os Druidas só apareceram na Grã-Bretanha após 300 a.C., mais de 1500 anos após os últimos círculos de pedra terem sido erguidos. Algumas evidências, entretanto, sugerem que os Druidas encontraram os círculos de pedra e os utilizaram com fins religiosos.
Outros autores sugeriram que os monumentos megalíticos foram erguidos pelos Romanos, embora esta idéia seja ainda mais improvável, uma vez que os Romanos só ocuparam as Ilhas Britânicas após 43, quase dois mil anos após a construção do monumento.


Somente com o desenvolvimento do método de datação a partir do Carbono-14 estabeleceram-se datas aproximadas para os círculos de pedra. Durante décadas não foram formuladas explicações plausíveis para a função dos círculos, além das suposições de que se destinavam a rituais e sacrifícios.
O mais famoso monumento da pré-história pode ter sido um centro de cura, para onde iam peregrinos há mais de 4.500 anos. A afirmação é de um grupo de arqueólogos que trabalha nas primeiras escavações em mais de 40 anos no monumento. O grupo acredita ter encontrado indícios que podem, finalmente, explicar os mistérios da construção de blocos de pedra. A equipe descobriu um encaixe que, no passado, abrigou as chamadas pedras azuis, rochas vulcânicas de tom azulado, a maioria já desaparecida, que formava a primeira estrutura construída no monumento. Eles acreditam que as pedras azuis podem confirmar a tese de que Stonehenge era um local onde as pessoas iam em busca de cura.
Em 2013, um grupo de estudos da Universidade College London levantou uma nova teoria de que Stonehenge pode ter surgido como um cemitério para famílias de elite por volta do ano 3000 A.C. Estudos de restos humanos encontrados no local, indicam que antes do monumento ser o que hoje se conhece, havia ali um grande círculo de pedras construído como um cemitério.

A arqueoastronomia

Nascer do Sol sobre o Stonehenge numa manhã de um solstício de verão (21 de junho de 2005).

Nas décadas de 1950 e de 1960, o professor Alexander Thom, coordenador da Universidade de Oxford e o astrônomo Gerald Hawkins abriram caminho para um novo campo de pesquisas, a Arqueoastronomia, dedicado ao estudo do conhecimento astronômico de civilizações antigas. Ambos conduziram exames acurados nestes e em outros círculos de pedra e em numerosos outros tipos de estruturas megalíticas, associando-os a alinhamentos astronômicos significativos às épocas em que foram erguidos. Estas evidências sugeriram que eles foram usados como observatórios astronômicos. Além disso, os arqueoastrônomos revelaram as habilidades matemáticas extraordinárias e a sofisticação da engenharia que os primitivos europeus desenvolveram, antes mesmo das culturas egípcia e mesopotâmica. Dois mil anos antes da formulação do teorema de Pitágoras, constatou-se que os construtores de Stonehenge incorporavam conhecimentos matemáticos como o conceito e o valor do {\displaystyle {\pi }} (Pi) em seus círculos de pedra.


A explicação científica para a construção está no ponto em que o monumento tenha sido concebido para que um observador em seu interior possa determinar, com exatidão, a ocorrência de datas significativas como solstícios e equinócios, eventos celestes que anunciam as mudanças de estação. Para isto basta se posicionar adequadamente entre os mais de 70 blocos de arenito que o compunham e observar-se na direção certa. Esta descoberta se deu em 1960, demonstrando, através da arqueologia, que os povos neolíticos, 3000 anos antes de Cristo, já tinham este conhecimento.
A importância estaria vinculada diretamente à agricultura dos povos da época. Segundo o historiador Johnni Langer, a vida dos povos agrícolas está ligada ao ciclo das estações, e o homem pré-histórico precisava demarcar o tempo para saber quais eram as melhores épocas para colheita e semeadura, e a observação do céu nasceu daí.







Testament - Over The Wall

sábado, 14 de janeiro de 2017

Museu de Ocultismo dos Warren e sua macabra coleção


Talvez você não saiba, mas existe um (e apenas um, oficialmente “sério”) museu de objetos assombrados e demonologia no mundo, por acaso fundado pelo famoso casal Lorraine e Ed Warren, que têm sua história romantiza e contada no filme “Invocação do Mal” (ou “The Conjuring”, no original). O local, batizado de “The Warrens Occult Museu” – O Museu de Ocultismo dos Warren – foi fundado em 1952 e fica em Connecticut, coletando centenas de objetos amaldiçoados e mal assombrados por décadas. Até hoje, Lorraine está viva – com aproximadamente 90 anos – e cuida do local.



Entre as atrações do local estão a boneca Annabelle, originalmente chamada de “Shadow” (sombra), conhecida pelo filme lançado esse ano e por diversas histórias bizarras que relatam sua movimentação, encarando pessoas e até mesmo atacando um jovem garoto com arranhões no peito.











Também há uma imagem satânica encontrada em um ritual numa floresta, um espelho usado para conjurar espíritos e até mesmo um suposto caixão de vampiro! Além disso, há máscaras usadas em rituais satânicos (fotos) e até mesmo pedras tiradas de crianças sacrificadas em rituais.
Também cabe citar a galeria de itens africanos, em especial os egípcios, que junto com fotografias, livros e bonecos diversos completam o ambiente perturbador e interessante do museu dos Warren.
Dentro do Museu, é proibido tocar nas peças, não podendo também, ser retiradas de seus vidros protetores, já tendo sido considerados autores de mortes – por exemplo, um valente e morto jovem que decidiu encostar em Annabelle.



domingo, 8 de janeiro de 2017

Os 10 objetos mais assombrados já registrados na história

1. A caixa dibbuk contém um antigo espírito malígno




A caixa dibbuk é um armário do vinho que, de acordo com o folclore judaico, é dito ser assombrado por um espírito maligno e inquieto, que é capaz de assombrar e possuir os vivos. A caixa de dibbuk, tornou-se famosa quando foi listada no eBay, juntamente com uma história por trás aterrorizante.
A história começou em setembro de 2001, quando um comprador antigo e pintor, participou da venda de uma propriedade em Portland, Oregon. O leilão foi realizado para vender os pertences de uma mulher de 103 anos de idade, sua neta informou ao antiquário quando ela percebeu que ele tinha comprado o armário do vinho simples de madeira que, sua vó, que era judia, foi a única dos membros de sua família a ter sobrevivido seu tempo em um campo de concentração nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Quando ela emigrou para os Estados Unidos, o armário de vinho e outros dois itens eram as únicas coisas que ela trouxe com ela.
A neta da mulher explicou também que sua avó sempre havia mantido a caixa escondida, e disse que ela nunca, nunca deveria ser aberta porque continha um espírito maligno chamado Dibbuk. Ela pediu que a caixa fosse enterrada com sua avó, mas como isso ia contra a tradição judaica, a família dela não deixou isso acontecer. Quando o antiquário perguntou à neta se ela gostaria de ficar com a caixa por razões sentimentais, a mulher recusou firmemente, ficando muito chateada e dizendo: “Fizemos um acordo! Você tem que leva-la!”
O comerciante levou a compra para sua loja e colocou-a em sua oficina no porão. Imediatamente, coisas estranhas e assustadoras começaram a acontecer. Ele foi chamado por sua assustada assistente de loja, que disse que as luzes tinham apagado, as portas e portões de segurança tinham sido trancados, e ela ouviu sons terríveis que vinham do porão. Quando ele investigou, descobriu um terrível odor de urina de gato persistente no ar, e cada lâmpada no lugar tinha sido esmagada.
O vendedor deu a caixa de vinho para sua mãe como um presente, e a mulher sofreu imediatamente um grave acidente vascular cerebral. No hospital, ela soletrou, “H-A-T-E G-I-F-T” (“odeio presente” em português), com lágrimas escorrendo dos olhos incontrolavelmente. Ele tentou dar o presente a várias outras pessoas, mas sempre foi devolvido a ele dentro de alguns dias, geralmente porque as pessoas simplesmente não gostavam dele, ou porque eles sentiram alguma coisa ruim. Ele começou a sofrer de um pesadelo recorrente, e mais tarde ele descobriu que todos os membros da sua família que passaram perto da caixa estavam tendo o mesmo sonho. Ele também começou a ver figuras de sombras que passavam em torno de sua visão periférica.
Depois de finalmente admitir que havia algo paranormal acontecendo, ele foi fazer uma pesquisa on-line e adormeceu em seu computador. Quando ele acordou, ele sentiu como se algo estivesse respirando em seu pescoço, e quando ele virou a cabeça, viu uma sombra enorme correndo para longe dele no corredor. Ele então decidiu listar o item no eBay, juntamente com uma descrição detalhada do que tinha acontecido com ele desde a obtenção da caixa.
Jason Haxton, o curador de um museu de medicina em Missouri, comprou a caixa no leilão do eBay. Mais tarde, ele escreveu um livro que detalhava a estranha história da caixa de dibbuk, e em 2012, um filme de terror baseado no livro intitulado “A Possessão” foi lançado.

2. Annabelle, a boneca possuída por um demônio mentiroso



Em 1970, uma mulher foi fazer compras em um brechó e comprou uma boneca estilo Raggedy-Ann para sua filha, que estava na faculdade. Sua filha gostou e colocou em seu apartamento, mas logo ela e sua companheira de quarto notaram coisas estranhas que acontecendo envolvendo a boneca. Ela movia por si só, muitas vezes, sendo encontrada em um outro quarto, embora ninguém tivesse tocado nela. Elas descobriram pequenos pedaços de papel de pergaminho, que elas nem sequer possuíam, com caligrafia infantil rabiscada sobre eles. Elas também encontraram a boneca de pé sobre as próprias pernas, o que seria impossível em suas pernas feitas de trapo.
Assustadas, entraram em contato com um médium, que disse pra elas que a boneca estava possuída pelo espírito de uma jovem que tinha morrido no prédio de apartamentos. “Annabelle”, disse que gostava das meninas da faculdade, e queria ficar com elas, então elas disseram á boneca que ela podia. Infelizmente, concedendo o espírito permissão para o aumento das atividades paranormais em seu apartamento, incluindo ter um amigo do sexo masculino atacado pela boneca uma noite, deixando marcas fortes arranhões por todo o peito e tronco.
As meninas contactaram renomados investigadores psíquicos, Ed e Lorraine Warren. A dupla, casada, logo descobriu que a boneca não era possuída por um espírito de uma criança; ao contrário, ela é possuída por um demônio que tinha mentido sobre a sua identidade, a fim de chegar perto das meninas, talvez com a intenção de possuir uma ou ambas. As meninas deram “Annabelle” para os Warren, que envolveram-na em um armário de exposição de vidro em seu Museu Occult em Connecticut. O sinal no vidro diz, “advertência: Positivamente Não abra”

3. O “quadro possuído do eBay” que causa medo



Em 2000, um vendedor do eBay anônimo listou uma pintura criada pelo artista Bill Stoneham chamado de “As Mãos resistem a ele.” Esta pintura é agora considerada em grande parte a ser uma das obras mais assombradas do mundo da arte.
A pintura caracteriza um menino, e uma boneca de pé assustadora na frente de uma porta de vidro. A pintura foi criada em 1972 e comprada pelo ator de Hollywood John Marley. Em seguida, foi comprada por um casal da Califórnia antes de ir à venda no eBay, juntamente com um terrível aviso sobre os problemas envolvidos possuíndo o objeto.
De acordo com o casal, as figuras na pintura movimentavam-se à noite, às vezes desaparecendo da tela inteiramente. Foi dito até mesmo que o menino na pintura realmente entrou na sala onde a pintura estava pendurada, e todos os que viram a pintura relataram sentir-se doente e fraco. As crianças pequenas que olhavam para a pintura, saiam correndo e gritando quarto. Adultos, sentiam como se mãos invisíveis estivessem agarrando-os, e outros disseram que sentiram uma explosão de ar quente, como se tivessem aberto um forno.
Mesmo aqueles que viram a pintura em online disseram sentir uma sensação de desconforto, medo ou terror quando se olha para a pintura. Uma pessoa chegou a afirmar que a sua nova impressora se recusou a imprimir a foto da pintura, no entanto, ela funcionou bem em todos os outros trabalhos de impressão.
A pintura foi comprada por uma galeria de arte em Grand Rapids, MI. Quando a galeria falou com o artista que o criou, ele ficou surpreso ao ouvir que o seu trabalho estava no centro de uma investigação paranormal, mas ele mencionou que duas pessoas que ele apresentou originalmente para analisar ​​a pintura morreram dentro de um ano depois de ver “As Mãos resistem a ele.”

4. A “Myrtles Plantation” e o Espelho que contém os espíritos de uma mulher e seus filhos



“Myrtles Plantation” é uma casa supostamente assombrada, considerada a casa mais assombrada nos Estados Unidos, bem como uma das casas mais assombradas do mundo. A plantação é de 1796, e foi construída sobre um cemitério indígena. Além disso, há rumores de ser a localização de pelo menos dez assassinatos, e acontecimentos paranormais são uma ocorrência quase diária.
Talvez o item mais assombrado no local seja um espelho que foi adicionado à casa em 1980. Os hóspedes relataram ter visto figuras à espreita no espelho, bem como marcas de mãos de crianças no vidro. A lenda afirma que o espelho contém os espíritos de Sara Woodruff e seus filhos. Os Woodruffs foram envenenados até a morte, e apesar do costume de que os espelhos devem ser cobertos após a morte para evitar que espíritos fiquem presos, esse espelho não foi coberto, portanto, a crença é que as almas Woodruff são presente e ativas dentro do espelho.

5. O vestido de casamento assombrado que dança por si só



Em 1849, uma menina de uma família rica chamada Anna Baker se apaixonou por um ferreiro de baixa classe. O pai de Anna, Ellis Baker, se recusou a deixá-la se casar com seu amado, banindo o jovem de sua cidade natal de Altoona, Pensilvânia e condenando sua filha a uma vida de solteira. Anna estava tão zangada com o pai que ela nunca se apaixonou ou casou, e manteve-se amarga e irritada até sua morte em 1914.
Antes de seu pai enviar o seu verdadeiro amor para longe, Anna tinha escolhido um belo vestido de noiva que ela pretendia usar em seu casamento. Como não ocorreu o casamento, uma outra mulher rica de uma família local, Elizabeth Dysart, usou o vestido, regozijando o tempo todo. Anos mais tarde, o vestido de noiva foi dado a uma sociedade histórica e, eventualmente, a mansão Baker foi transformada em um museu. O vestido de casamento foi colocado em uma caixa de vidro em que foi anteriormente o quarto de Anna Baker. Após sua morte, os visitantes afirmam ver vestido movimentar por conta própria, especialmente durante as luas cheias. O vestido oscila de lado a lado, como se uma noiva invisível estivesse de pé na frente de seu espelho, admirando no vestido.
Os pesquisadores que têm procurado rascunhos e outras circunstâncias naturais que ocorrem vieram de mãos vazias. Ninguém pode ter certeza porque o vestido as vezes se move por si só, embora muitos especulam que a noiva rejeitada, Anna Baker, recuperou seu vestido no final.

6. Cadeiras que empurram as pessoas para fora delas e fazem as pessoas sentirem doente



Newport, Rhode Island é uma das mais antigas cidades dos Estados Unidos. Estabeleceu-se em 1690, no início do século XX, a cidade portuária tornou-se um destino de Verão para algumas das famílias mais ricas da América. As mansões de Newport são lendárias, porém, muitas histórias de fantasmas acompanham edifícios que estão ali a tanto tempo.
O castelo Belcourt foi fundado em 1894, por Oliver Hazard Perry Belmont, um socialite americano rico e político. Há muitas assombrações documentadas dentro desta casa luxuosa, mas talvez os mais famosos objetos assombrados do castelo são duas cadeiras que supostamente têm espíritos ligados a elas. Os visitantes que se sentam nas cadeiras dizem que imediatamente se sentem desconfortáveis, com frio e náusea. Sentem suas mãos como se estivessem sendo picadas por eletricidade estática quando perto das cadeiras, e muitas pessoas têm reclamado que sentem como se estivesse sentando em alguém quando eles tentam se sentar nas cadeiras. Vários visitantes foram efetivamente ejetados das cadeiras por uma força invisível.

7. Assombrado boneco que amaldiçoa aqueles que tiram foto dela sem permissão



Em 1896, este boneco assustador pertencia a uma criança chamada Robert Eugene Otto em Key West, Florida. O boneco teria sido dado a ele por um funcionário que praticava magia negra, e que não gostava de a família do menino. O menino adorava seu boneco, e muitas vezes falava com ele. Servos da casa de Otto ficaram preocupados quando eles juravam poder ouvir uma voz fantasma respondendo o menino, até mesmo os vizinhos afirmavam ver o boneco se movimentando de janela em janela na casa Otto quando ninguém estava em casa.
Logo, o boneco começou a causar o mal, e o menino assustado dizia que ele não tinha nenhuma culpa nisso. Quartos seriam bagunçados, vasos quebrados, e o pequeno Robert era culpado, mesmo parecendo muito assustado e insistindo que seu boneco tinha feito as obras.
Robert herdou a casa e morreu em 1972, assim que a casa foi comprada por outra família. Uma menina que tinha acabado de se mudar para a casa encontrou o boneco no sótão e foi instantaneamente aterrorizada por ele. Ela disse que o boneco estava vivo e queria matá-la. O boneco finalmente acabou em uma galeria de arte e museu histórico, em Key West, onde permanece em exibição até hoje. Curiosamente, os visitantes do museu afirmam que eles devem pedir permissão para tirar uma fotografia do boneco. Se não fizerem isso, a lenda diz que o boneco vai te amaldiçoar. O museu exibe cartas de indivíduos “amaldiçoados” que têm escrito para o boneco, desculpando-se por não pedir para tirar uma foto sua, e pedindo para ser liberado de seu feitiço.

8. As mulheres da estátua de Lemb que traz morte a todos os proprietários



Apelidado de “A Deusa da Morte,” As Mulheres da estátua de Lemb é uma estátua esculpida em calcário puro que foi descoberta em 1878 em Lemb, Cypruss. O item é de 3500 aC, e acredita-se que representa uma deusa, semelhante a um símbolo fertilidade. A estátua pertenceu pela primeira vez ao Senhor Elphont, e no prazo de seis anos pertencendo a estátua, todos os sete membros da família Elphont tinham morrido de causas misteriosas.
Ambos os próximos dois proprietários, Ivor Manucci e Senhor Thompson-Noel, também morreram junto com suas famílias inteiras em apenas poucos anos depois de colocar a estátua em suas casas.
O quarto proprietário, Sir Alan Biverbrook, morreu, bem como, juntamente com sua esposa e duas de suas filhas. Dois dos filhos de Biverbrook permaneceram, embora eles não fossem grandes crentes do oculto, eles estavam com medo o suficiente por causas das mortes súbitas e estranhas de quatro dos membros de sua família, que eles decidiram doar a estátua para o Museu Royal Scottish em Edimburgo, onde permanece até hoje.
Logo após o item foi colocada no museu, o chefe da seção onde a estátua habitou morreu de repente, bem como, embora nenhum curador do museu vai admitir que a estátua pode ter propriedades sobrenaturais. Ninguém tem encostado na estátua desde que o primeiro funcionário do museu faleceu, o item está em segurança sob vidro, protegido de mãos humanas.

9. “O homem angustiado” capturado em vídeo



Esta pintura amedrontadora, foi mantida no sótão da casa da avó de Sean Robinson durante vinte e cinco anos até que ele a herdou. Ela sempre disse á Robinson que a pintura era do mau, explicando como o artista que o criou tinha usado seu próprio sangue misturado com a pintura, e tinha se matado logo após completá-la. Ela alegou ouvir vozes e choros quando a pintura foi exibida, e ver a figura sombria de um homem em sua casa, que é por isso que ela a trancou no sótão.
Assim que Robinson levou a pintura á sua casa, ele e sua família começaram a ter os mesmos tipos de fenômenos assustadores. Seu filho caiu da escada, sua esposa sentiu algo acariciando seus cabelos, eles viram o homem sombra e o ouviu chorar.
Robinson decidiu colocar uma câmera durante a noite para tentar capturar alguns dos estranhos acontecimentos em fita. Vídeos de Robinson no YouTube mostram portas fechando, fumaça saindo do quadro, e a pintura caindo da parede sem motivo.
Assustado, Robinson em breve colocou a pintura em seu porão, mas ele não está interessado em vendê-la.

10. A amaldiçoada “cadeira da morte” que mata todos os que sentam nela



Em 1702, um assassino condenado chamado Thomas Busby estava prestes a ser enforcado pelos seus crimes. Seu último pedido era para ter sua última refeição servida em seu bar favorito em Thirsk, na Inglaterra. Ele terminou sua refeição, levantou-se e disse: “Que a morte repentina venha para quem ousar sentar na minha cadeira.”
A cadeira permaneceu no pub durante séculos, e os clientes muitas vezes se atrevem uns aos outros a sentar no banco amaldiçoado. Durante a Segunda Guerra Mundial, os aviadores de uma base próxima frequentava o pub, e os moradores perceberam que os soldados que se sentaram na cadeira nunca retornam da guerra.
Em 1967, dois pilotos da Royal Air Force sentaram na cadeira, logo depois bateram seu caminhão em uma árvore logo. Em 1970, um pedreiro testou seu destino na cadeira, morreu naquela mesma tarde ao cair em um buraco em seu local de trabalho. Um ano depois, um carpinteiro que se sentou nela morreu após o telhado em que estava trabalhando entrar em colapso. Quando a senhora de limpeza do pub tropeçou e caiu na cadeira, ela morreu pouco depois de um tumor cerebral.
Esta lista continua, e, finalmente, o proprietário pub moveu a cadeira para o porão. Infelizmente, mesmo no armazenamento a cadeira fez mais uma vítima. Depois que um homem de entrega descansou rapidamente durante a descarga de pacotes na sala de loja, ele foi morto em um acidente de carro no mesmo dia.
Eventualmente, o dono do bar doados a cadeira para o museu local em 1972. O museu exibe a cadeira por enforcamento-lo cinco pés no ar de modo que ninguém pode sentar-se nele por engano novamente. Felizmente, ninguém se sentou na cadeira desde então.

Ku Klux Klan


Ku Klux Klan


Existência
1º Klan 1865–1870
2º Klan 1915–1944
3º Klan Desde 1946
Membros
1º Klan Desconhecido
2º Klan 3 000 000–6 000 000 (pico no período de 1920–1925)
3º Klan 5 000–8 000
Características
Origem Estados Unidos
Ideologia política 1º Klan:
Supremacia branca
Justiceiros
Terrorismo cristão
2º Klan:
Nacionalismo branco
Nativismo
Anticatolicismo
Antissemitismo
3º Klan:
Anticomunismo
Homofobia
Neonazismo
Antimiscigenação
Posição política 3º Klan: Extrema-direita
Religião Protestantismo


Ku Klux Klan (também conhecida como KKK ou simplesmente "o Klan") é o nome de três movimentos distintos dos Estados Unidos, passados e atuais, que defendem correntes reacionárias e extremistas, tais como a supremacia branca, o nacionalismo branco, a anti-imigração e, especialmente em iterações posteriores, o nordicismo, o anticatolicismo e o antissemitismo,historicamente expressos através do terrorismo voltado a grupos ou indivíduos aos quais eles se opõem.Todos os três movimentos têm clamado pela "purificação" da sociedade estadunidense e todos são considerados organizações de extrema-direita.
O primeiro Klan surgiu no sul dos Estados Unidos no final dos anos 1860 e deixou de existir no início da década de 1870. Ele tentou derrubar os governos estaduais republicanos no sul durante a Era da Reconstrução, especialmente através do uso da violência contra líderes afro-americanos. Com inúmeros ataques em todo o sul, o grupo foi suprimido por volta de 1871, através da aplicação da lei federal. Seus membros faziam seus próprios trajes, muitas vezes coloridos: roupões, máscaras e chapéus cônicos, projetados para serem aterrorizantes e para esconder suas identidades.


O segundo grupo foi fundado em 1915 e começou a atuar em todo o país em meados da década de 1920, especialmente nas áreas urbanas do Centro-Oeste e Oeste. Ele se opunha aos católicos e judeus, especialmente os imigrantes mais recentes, sendo que ressaltava sua profunda oposição à Igreja Católica. Esta segunda organização adotou um traje branco padrão e usava palavras de código semelhantes como as do primeiro Klan, além de ter adicionado os rituais de queima de cruzes e de desfiles em massa.
A terceira e atual manifestação da KKK surgiu depois de 1950, sob a forma de grupos pequenos, locais e desconexos que fazem uso do nome KKK. Eles se concentraram na oposição ao movimento dos direitos civis, muitas vezes usando violência e assassinatos para reprimir ativistas. É classificado como um grupo de ódio pela Liga Antidifamação e pelo Southern Poverty Law Center.Estima-se ter entre 5.000 e 8.000 membros em 2012. A segunda e a terceira encarnações do Ku Klux Klan faziam referências frequentes ao sangue "anglo-saxão" dos Estados Unidos, que remete ao nativismo do século XIX.Embora os membros da KKK jurem defender a moralidade cristã, praticamente todas as denominações cristãs oficialmente denunciaram as práticas e ideologias da KKK.

História

Capa do filme O Nascimento de uma Nação (1915)


A primeira Ku Klux Klan na verdade foi fundada pelo general Nathan Bedford Forrest da cidade de Pulaski, Tennessee, em 1865 após o final da Guerra Civil Americana. Seu objetivo era impedir a integração social dos negros recém-libertados, como por exemplo, adquirir terras e ter direitos concedidos aos outros cidadãos, como votar. O nome, cujo registro mais antigo é de 1867, parece derivar da palavra grega kýklos(do grego κύκλος), que significa "círculo", "anel", e da palavra inglesa clan (clã) escrita com k. Devido aos métodos violentos da KKK, há a hipótese de o nome ter-se inspirado no som feito quando se coloca um rifle pronto para atirar. provavelmente o nome também pode ter origem no nome de um templo maia, chamado kukulcán. onde segundo os maias, "kukul" significa sagrado ou divino e "can" significa serpente, mas não existem dados que comprovem isso.
Em 1872 o grupo foi reconhecido como uma entidade terrorista e foi banida dos Estados Unidos. O segundo grupo que utilizou o mesmo nome foi fundado em 1915 (alguns dizem que foi em função do lançamento do filme O Nascimento de uma Nação, naquele mesmo ano) em Atlanta por William J. Simmons. Este grupo foi criado como uma organização fraternal e lutou pelo domínio dos brancos protestantes sobre os negros, católicos, judeus e asiáticos, assim como outros imigrantes. Este grupo ficou famoso pelos linchamentos e outras atividades violentas contra seus "inimigos". Chegou a ter quatro milhões de membros (outros dizem serem cinco milhões) na década de 1920, incluindo muitos políticos. A popularidade do grupo caiu durante a Grande Depressão e a Segunda Guerra Mundial, já que os Estados Unidos se posicionaram ao lado dos aliados, que eram contrários à ideias totalitárias, extremistas e racistas, como as nazistas.

Decadência


A perda de respeitabilidade da Ku Klux Klan devido aos métodos brutais, ilegais ou meramente arbitrários e as execuções sumárias de inocentes, unidas as divisões internas, levou à degradação de seu prestígio, apesar de a organização continuar a realizar expedições punitivas, desempenhando, por exemplo, o papel de supervisora de uma agremiação de patrões contra os sindicalistas, cuja cota estava em alta depois da crise de 1929.
Na década de 1930, o nazismo exerceu uma certa atração sobre a Ku Klux Klan. Não passou disso, porém. A aproximação com os alemães foi bruscamente encerrada na Segunda Guerra Mundial, depois do ataque japonês à base estadunidense de Pearl Harbor, quando muitos membros se alistaram no exército para lutar contra o "perigo amarelo". Só faltava o tiro de misericórdia ao império invisível. Em 1944, o serviço de contribuições diretas cobrou uma dívida da Klan, pendente desde 1920. Incapaz de honrar o compromisso, a organização morreu pela segunda vez.
Apesar de diversas tentativas de ressurreição (num âmbito mais local que nacional), a Ku Klux Klan não obteve mais o sucesso de antes da guerra. Finalmente, o Stetson Kennedy contribuiu para desmistificar a organização, liberando todos os seus segredos no livro "Eu fiz parte da Ku Klux Klan". Alguns klanistas ainda insistiram e suscitaram, temporariamente, uma retomada de interesse entre os WASP (sigla em inglês para protestantes brancos anglo-saxões) frustrados, que não compunham mais a maioria da população estadunidense.

Marcha de integrantes da KKK em Washington, DC em 1928

Na década de 1950, a promulgação da lei contra a segregação racial nas escolas públicas despertou novamente algumas paixões, e cruzes se acenderam. Seguiram-se batalhas, casas dinamitadas e novos crimes (29 mortos de 1956 a 1963, entre eles 11 brancos, durante protestos raciais). Os klanistas tentaram se reciclar no anticomunismo, combatendo os índios ou atenuando seu anticatolicismo fanático.
As quimeras de Garvey tinham quebrado a solidariedade dos negros num tempo das mais pesadas ameaças; num tempo em que a Ku Klux Klan depois de 50 anos de pausa retomava a sua atividade, e quem sabe se não preparava ainda comoções mais terríveis do que aquelas a que tinha recorrido meio século antes. Os métodos da Ku Klux Klan não se haviam modificado de maneira sensível; agora, como antes, se balanceava (processo pelo qual se fazia deslizar uma vítima manietada por uma estreita barra de aço, dolorosamente, para cima e para baixo, a toda velocidade para criar atrito), espancava, extorquia, boicotava, exilava, linchava e assassinava.
Mas nada surtiu grande efeito e o declínio da Klan já tinha começado desde o fim da década de 1960, época em que só contava com algumas dezenas de milhares de membros. Depois, podia-se tentar distinguir os "Imperial Klans of America" dos "Knights of the Ku Klux Klan", ou ainda dos "Knights of the White Camelia", alguns dos vários nomes das tentativas de ressurgimento. Mas os klanistas não eram mais uma organização de massa. Apesar das proclamações tonitruantes e de provocações episódicas, as "Klans" não reuniam mais do que alguns milhares de membros, comparáveis assim com outros grupelhos neonazistas com os quais às vezes mantinham relações. A organização não parece estar perto de renascer uma segunda vez.


Cruz sendo queimada, atividade introduzida por William J. Simmonk, o fundador da segunda Klan em 1915

Os infernos passaram a chamar-se cavernas e as reuniões passaram a realizar-se em grandes locais muitas vezes sob o céu aberto. Não raro milhares de autos vinham reforçar, guardas a cavalo e a pé cercavam o local e estavam presentes os utensílios com que se entusiasma qualquer estadunidense: a bandeira estrelada, a Bíblia aberta e o punhal desembainhado a fazer pano de fundo, uma cruz em fogo, à noite, que projetava uma luz estranhamente tranquilizadora sobre as filas dos agora uniformizados homens dos capuzes brancos.
De início a Klan só admitia como membros aquelas pessoas oriundas de pais brancos estadunidenses, nascidas nos Estados Unidos; além disso, os pais não podiam comungar na religião católica nem pertencer à raça judaica. Mais tarde deixou-se caducar a exigência de que os pais já deviam ser de nacionalidade estadunidense pois este ponto prejudicara em muito a solícita procura de membros para a Klan e a afluência de meios de contribuição de sócios. O candidato a aceitação era submetido a interrogatórios e em seguida instruído de que a Klan exigia de todos os seus membros obediência cega.
Seguia-se o juramento, batismo, ordenação e apostasia, com a leitura dos parágrafos da fé da Klan em que muito se tratava da raça branca e da religião cristã. Os crimes que a nova Ku Klux Klan até a sua recente proibição cometeu, sobretudo nos estados do Sul dos Estados Unidos, são tão variados e numerosos, tão cuidadosamente velados e tão intimamente amalgamados com as singularidades da vida pública naqueles estados, que nunca seria possível abrangê-los a todos. A simples crônica ou mesmo pequena revista, como nós aqui tentamos oferecer, nunca seria capaz de exprimir como o que aconteceu foi caprichoso e horrível. O mundo teve conhecimento aqui e ali de um registro especialmente alusivo nos jornais, mas depressa ele caiu no esquecimento da consciência mundial, ainda que esta fatalidade passe à posteridade, pois que não houve nenhum dos grandes escritores estadunidenses que alguma vez deixasse passar em branco atuação tão vergonhosa. Atualmente, a Ku Klux Klan conta apenas 
com um efetivo de 3 000 homens em todos os antigos estados confederados, apesar do baixo número de associados, muitos não associados apoiam a organização.