domingo, 2 de agosto de 2026

A história de Clodimar Pedrosa Lô: o crime que marcou Maringá

A história de Clodimar Pedrosa Lô: o crime que marcou Maringá

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O caso de Clodimar Pedrosa Lô é um dos episódios mais trágicos e conhecidos da história de Maringá (PR). O assassinato do adolescente de apenas 15 anos, em 1967, provocou indignação nacional, expôs a violência policial da época e permanece vivo na memória da cidade até hoje.

Quem era Clodimar?

Clodimar Pedrosa Lô nasceu em 23 de janeiro de 1952. Natural do Ceará, mudou-se para Maringá ainda adolescente para morar com familiares em busca de melhores oportunidades. Trabalhava como ajudante no antigo Palace Hotel, carregando malas e realizando pequenos serviços para os hóspedes. Era descrito por parentes como um garoto trabalhador e tranquilo. 

A falsa acusação

Em 23 de novembro de 1967, um hóspede do Palace Hotel informou o desaparecimento de uma quantia em dinheiro.

Sem provas concretas, Clodimar foi apontado como principal suspeito. O gerente do hotel acionou a polícia, que levou o adolescente para a delegacia para interrogatório.

O dinheiro nunca foi encontrado com Clodimar.

A tortura

Na delegacia, policiais tentaram obrigá-lo a confessar o furto.

Segundo documentos históricos e investigações posteriores, Clodimar foi submetido a espancamentos e a diversas formas de tortura. Mesmo negando repetidamente o crime, as agressões continuaram até que ele não resistiu aos ferimentos.

A morte ocorreu ainda naquele dia, dentro das dependências policiais, transformando o caso em um dos maiores escândalos da história do Paraná. 

A repercussão

A notícia causou enorme revolta.

O corpo foi levado a Curitiba para uma nova perícia, que confirmou a violência sofrida pelo adolescente. A imprensa estadual e nacional passou a denunciar o caso, aumentando a pressão para que os responsáveis fossem punidos.

O pai buscou vingança

O pai de Clodimar, Sebastião Pedrosa Lô, viajou do Ceará para Maringá após saber da morte do filho.

Durante anos, esperou por justiça. Convencido de que ela não viria, matou o gerente do hotel que havia acusado Clodimar do furto.

Sebastião foi levado a julgamento, mas acabou absolvido pelos jurados, em um processo que refletiu a forte comoção popular provocada pelo assassinato do filho. 

Mudanças na segurança pública

O caso teve consequências importantes.

A repercussão levou o governo do Paraná a promover mudanças na estrutura das forças de segurança e intensificou o debate sobre abuso policial e tortura durante o período da ditadura militar. Para muitos historiadores, o assassinato de Clodimar tornou-se um símbolo da necessidade de controle sobre a atuação policial. 

O "santo do cemitério"

Com o passar dos anos, surgiu uma tradição popular em torno de Clodimar.

Seu túmulo, no Cemitério Municipal de Maringá, passou a receber milhares de visitantes, especialmente no Dia de Finados. Muitas pessoas deixam flores, velas, cartas e placas de agradecimento por graças que acreditam ter recebido por sua intercessão.

Embora essa devoção faça parte da cultura popular da cidade, não existe reconhecimento oficial da Igreja Católica de Clodimar como santo. A própria família sempre demonstrou cautela em relação aos relatos de milagres. 

Livros, documentários e peças

A história inspirou diversas obras, entre elas:

  • o livro "Sala dos Suplícios: o Dossiê do Caso Clodimar Pedrosa Lô", do pesquisador Miguel Fernando;

  • documentários;

  • peças de teatro;

  • reportagens especiais produzidas ao longo de décadas. 

Memória preservada

Em 2025, foi apresentado na Câmara Municipal de Maringá um projeto para reconhecer Clodimar Pedrosa Lô como Patrono dos Jovens Maringaenses e instituir 24 de novembro como o Dia Municipal de Memória à Clodimar Pedrosa Lô, reforçando seu papel como símbolo de combate à injustiça e à violência. (SAPL Câmara Municipal de Maringá)

Curiosidades

  • Clodimar tinha apenas 15 anos quando morreu.

  • O crime ocorreu em 23 de novembro de 1967.

  • É considerado um dos casos criminais mais marcantes da história de Maringá.

  • Seu túmulo continua sendo um dos mais visitados do Cemitério Municipal.

  • O caso permanece como referência nos debates sobre violência policial, direitos humanos e memória histórica no Paraná. 


Documentos do Caso Clodimar Pedrosa Lô foi lançado no cinema em 18 de março de 2011, levando um grande público a assisti-lo. Em agosto do mesmo ano foi lançado em DVD. Agora, todo internauta poderá assisti-lo "on line" no vídeo abaixo pelo canal do Canal Exclusivo da Gato na Árvore Filmes.



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