terça-feira, 14 de março de 2017

Catacumbas dos Capuchinhos de Palermo

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AS CATACUMBAS DOS CAPUCHINHOS DE PALERMO

O misterioso lugar onde os mortos permanecem entre nós

Palermo, Sicília — Itália

Debaixo das ruas de Palermo existe um dos lugares mais perturbadores e fascinantes da Europa: as Catacumbas dos Capuchinhos.

Ali, milhares de restos humanos foram preservados ao longo dos séculos. Muitos permanecem vestidos com as roupas que usavam em vida e são dispostos nos corredores subterrâneos, criando uma das mais impressionantes coleções de múmias da Europa.

Hoje o local é visitado por turistas, mas seus corredores silenciosos contam uma história muito mais profunda sobre religião, morte, memória e diferenças sociais.


UM CEMITÉRIO SOB O MOSTEIRO

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As catacumbas começaram a ser utilizadas no final do século XVI, quando o cemitério do mosteiro dos Capuchinhos já não tinha espaço suficiente.

Em 1599, os frades transferiram para a nova cripta o corpo de um de seus irmãos, Silvestro da Gubbio.

O ambiente subterrâneo favorecia a desidratação dos corpos e acabou contribuindo para sua conservação.

O que inicialmente era destinado aos frades passou, com o tempo, a receber também outras pessoas.


CORREDORES REPLETOS DE MORTOS

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Caminhar pelas catacumbas significa atravessar corredores ladeados por corpos humanos.

Os mortos foram organizados em diferentes áreas, incluindo corredores destinados a frades, sacerdotes, homens, mulheres, crianças, profissionais e famílias.

Alguns corpos estão em nichos.

Outros permanecem em pé.

Há ainda aqueles que foram colocados em caixões ou sobre prateleiras.

A disposição dos corpos também revela aspectos da sociedade de Palermo de séculos passados.


ATÉ AS ROUPAS FORAM PRESERVADAS

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Talvez um dos aspectos mais impressionantes seja perceber que muitos dos mortos continuam vestidos.

Há homens usando ternos e uniformes.

Mulheres aparecem com vestidos e roupas de época.

Frades permanecem com seus hábitos religiosos.

As roupas transformam as catacumbas em uma espécie de retrato da sociedade siciliana de outras épocas.

É como observar uma fotografia antiga — só que as pessoas retratadas realmente estão ali.


MORRER TAMBÉM PODIA SER UMA QUESTÃO DE STATUS

Com o passar dos séculos, ter um lugar nas catacumbas tornou-se associado à condição social.

A mumificação era um procedimento caro, e muitas das pessoas preservadas pertenciam a famílias de melhores condições.

A maneira como o morto era vestido e apresentado também podia refletir sua posição social.

Assim, as catacumbas acabaram se tornando não apenas um espaço religioso, mas também um registro das diferenças existentes naquela sociedade.


QUANDO A MORTE CONTINUAVA FAZENDO PARTE DA FAMÍLIA

Os mortos não eram simplesmente esquecidos.

Familiares visitavam as catacumbas, rezavam por seus parentes e mantinham uma relação de memória com aqueles que haviam partido.

A presença física do corpo tornava a lembrança extremamente concreta.

A pessoa havia morrido, mas continuava ocupando um lugar entre os vivos.


ROSALIA LOMBARDO

A “BELA ADORMECIDA” DE PALERMO

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Entre todos os corpos das catacumbas, existe um que se tornou mundialmente famoso.

Rosalia Lombardo.

A menina nasceu em Palermo em 1918 e morreu em 1920, aos dois anos de idade, vítima de pneumonia.

Seu pai, profundamente abalado pela perda, procurou o renomado embalsamador siciliano Alfredo Salafia.

O resultado foi extraordinário.

Rosalia foi colocada em um pequeno caixão de vidro e seu rosto permaneceu surpreendentemente preservado.

Por causa de sua aparência, recebeu o apelido:

“A Bela Adormecida.”


O MISTÉRIO DO EMBALSAMAMENTO DE ROSALIA

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Durante décadas, o método utilizado por Salafia permaneceu um mistério.

A preservação era tão impressionante que surgiram histórias de que o corpo de Rosalia estaria praticamente intacto.

Pesquisas posteriores ajudaram a revelar que Salafia havia utilizado uma combinação sofisticada de substâncias para impedir ou retardar a decomposição.

Seu trabalho fez de Rosalia um dos exemplos mais famosos de preservação funerária do século XX.


ELA REALMENTE ABRE OS OLHOS?

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Existe uma das histórias mais assustadoras associadas à menina.

Visitantes e fotografias feitas em diferentes momentos deram origem à impressão de que Rosalia estaria lentamente abrindo os olhos.

A história alimentou inúmeras teorias sobrenaturais.

Mas especialistas apontam explicações naturais relacionadas à posição das pálpebras, à iluminação e ao modo como as imagens foram registradas.

Não existe evidência científica de que a menina esteja realmente abrindo os olhos.

Ainda assim, quando observamos seu rosto através do vidro, a sensação é inquietante.


A CAPELA DAS CRIANÇAS

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Uma das áreas mais delicadas e perturbadoras é aquela destinada às crianças.

A presença de pequenos corpos entre os corredores torna o ambiente particularmente comovente.

Diferentemente de um simples esqueleto arqueológico, algumas dessas crianças ainda apresentam roupas e características que permitem imaginar sua idade.

É uma das partes das catacumbas que mais evidencia que, por trás daqueles restos mortais, existiram pessoas que foram profundamente amadas por suas famílias.


O “MUSEU DA MORTE”

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As Catacumbas dos Capuchinhos são frequentemente associadas ao apelido “Museu da Morte”.

O nome é sombrio, mas combina com a atmosfera do lugar.

Centenas de figuras permanecem silenciosamente nos corredores, algumas há centenas de anos.

Não há movimento.

Não há vozes.

Apenas paredes, roupas antigas e rostos que resistiram ao tempo.


UM ARQUIVO HUMANO SUBTERRÂNEO

As catacumbas podem ser assustadoras, mas também possuem enorme importância histórica.

Elas preservam informações sobre:

  • costumes funerários;

  • roupas de diferentes épocas;

  • religião;

  • estrutura social;

  • técnicas de mumificação;

  • história das famílias de Palermo;

  • infância e mortalidade;

  • relação entre vivos e mortos.

Por isso, mais do que uma atração macabra, as catacumbas podem ser entendidas como um arquivo humano subterrâneo.


UMA IMAGEM QUE PERMANECE NA MEMÓRIA

Imagine caminhar por um corredor escuro e encontrar dezenas de pessoas que morreram há séculos.

Elas continuam ali.

Vestidas.

Organizadas.

Silenciosas.

Algumas parecem estar de pé esperando alguém.

E, em um pequeno caixão de vidro, uma menina parece simplesmente dormir.

Rosalia Lombardo.

Morreu em 1920.

Mas, para quem visita as catacumbas, a sensação é de que o tempo simplesmente parou.


📍 CATACUMBAS DOS CAPUCHINHOS

Local: Palermo, Sicília, Itália
Origem: final do século XVI
Primeiro corpo famoso preservado: Silvestro da Gubbio
Múmia mais famosa: Rosalia Lombardo
Embalsamador: Alfredo Salafia
Apelido: “Museu da Morte”

As galerias oficiais das Catacumbas também disponibilizam uma seção de fotografias do interior. Galeria oficial das Catacumbas dos Capuchinhos

Fonte histórica: o portal oficial das Catacumbas informa que o complexo possui galerias subterrâneas e cerca de 2.000 esqueletos e corpos mumificados; outras fontes turísticas apresentam estimativas diferentes para o total de restos mortais. (Catacumbas de Palermo)

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