domingo, 23 de outubro de 2016

O Mistério da Taça de Pedra em Vila Velha (Ponta Grossa – Paraná)

VILA VELHA: A CIDADE DE PEDRA, A LENDA DE ITACUERETABA E O MISTÉRIO QUE RESISTE AO TEMPO

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No coração dos Campos Gerais do Paraná, próximo a Ponta Grossa, existe uma paisagem que parece saída de uma civilização perdida. Grandes paredões de arenito, torres, corredores e gigantescas esculturas naturais formam um cenário tão impressionante que, durante séculos, alimentaram histórias sobre uma antiga cidade transformada em pedra.

O lugar é conhecido atualmente como Parque Estadual de Vila Velha.

Mas existe uma pergunta que acompanha a paisagem: E se aquilo que parece uma cidade destruída fosse, na verdade, apenas uma incrível obra da natureza?

A resposta científica aponta para processos geológicos extremamente antigos. Já a tradição associada à região conta uma história muito mais fantástica — a de Itacueretaba, a “cidade extinta de pedra”.

O Parque Estadual de Vila Velha, próximo a Ponta Grossa, atrai visitantes não somente por suas famosas esculturas em rochas, mas também pela beleza natural de suas numerosas cavernas, as Furnas e a Lagoa Dourada.
De Curitiba, seguindo em direção ao oeste, o visitante chega aos Campos Gerais. E na região de Ponta Grossa encontra Vila Velha, a “extinta cidade de pedra”, onde esculturas rochosas com dezenas de metros de altura contam a formação do planeta.
Uma história que começou há 600 milhões de anos, quando a região era coberta por águas oceânicas. Seguiram-se 200 milhões de anos de erupções vulcânicas, que enrugaram o solo e formaram montanhas. Em seguida, a região foi coberta por geleiras.
Alguns milhões de anos depois, o derretimento das geleiras arrastou a areia e pedaços de pedras que existiam no fundo do extinto oceano. Foi assim que a Natureza esculpiu o Parque Estadual de Vila Velha.

São 23 formações rochosas que sugerem imagens de animais, objetos e figuras humanas, como a esfinge, o índio, o camelo e a taça. Há também uma gruta com imensas rochas suspensas, que parecem desafiar permanentemente as leis da Física.

UMA PAISAGEM COM MILHÕES DE ANOS

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As formações de Vila Velha são constituídas principalmente por arenitos, rochas que foram sendo modificadas pela ação da água, do vento e de outros processos naturais ao longo de períodos geológicos muito extensos.

O resultado é impressionante.

A erosão removeu materiais de maneira desigual e criou formas que lembram animais, objetos e até figuras humanas.

Entre as mais conhecidas está a famosa Taça, provavelmente a formação mais reconhecida de Vila Velha.

A famosa Taça de Vila Velha, uma das formações rochosas mais conhecidas do parque.

A aparência dessas estruturas é justamente o que faz com que Vila Velha pareça, para alguns visitantes, uma espécie de cidade monumental em ruínas.


ITACUERETABA — A CIDADE EXTINTA DE PEDRA

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A formação de Vila Velha Itacueretaba, antigo nome do que conhecemos
hoje por Vila Velha, significa aproximadamente “A cidade extinta de pedra”.

Localizada a margem direita do rio Tibagi (o rio do pouso) na vasta e 
 
ondulada ibeteba (planície) que Saint Hilarie, maravilhado, disse ser o
paraíso do Brasil.
Este recanto tinha sido escolhido pelos primitivos habitantes para ser
Abaretama (terra dos homens), onde esconderiam o Itainhareru, o precioso
tesouro. Tendo a proteção de Tupã, era cuidadosamente vigiado por uma 
 
legião de Apiabas (varões), que eram escolhidos entre os homens de todas 
 
as tribos, treinados para desempenhar a honrosa missão.

OS APIABAS E O TESOURO PROIBIDO


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Os Apiabas tinham todas as regalias e distinções e desfrutavam de uma vida régia. Era-lhes, porém, vedado o contato com as mulheres, mesmo que fossem de suas próprias tribos. A tradição dizia que as mulheres, estando de posse do segredo do Abaretama, o revelariam aos quatro ventos e, chegada a notícia aos ouvidos do inimigo de seu povo, estes tomariam o tesouro para si. Por justiça, Tupã, o onipotente, deixaria de resguardar o seu povo e lançaria sobre eles as maiores desgraças se o tesouro fosse perdido.
Os Apiabas eram fortes, altivos e bravos; o seu único trabalho consistia em realizar jardins na terra daquelas planícies. Tupã não permitia que, naquele recanto sagrado, houvesse o pecado.
Numa certa época, Dhui ( em nossa língua corresponde a Luís) fora escolhido para chefe supremo dos bravos guerreiros. Como todos os outros, tinha sido preparado, desde a mais tenra infância, para essa sagrada missão. Dhui, entretanto, não desejava seguir aquele destino, celibatário. Seu sangue achava-se perturbado pelo feminil fascínio (era um chunharapixara – mulherengo).
As tribos rivais ao terem conhecimento da notícia, de pronto resolveram aproveitar-se da situação e escolheram entre uma de suas donzelas a que deveria ir tentar o jovem guerreiro e tomar-lhe o coração para arrebatar-lhe o segredo. A escolhida foi Aracê Poranga (Aurora Bonita). Não lhe foi difícil conseguir a atenção do ardoroso Dhui e, pouco a pouco, ia entrelaçando-se a sua habilidosa teia, de tal modo que ele ficou completamente apaixonado e subjugado a seus pés.
Ela já havia entrado no Abaretama com o consentimento de Dhui, que não teve como resistir-lhe ao desejo. Mas Aracê era mulher e Dhui homem. Traiu seus parentes em nome do amor, como ele traiu a sua missão em nome dela. Numa tarde primaveril, quando os Ipês (árvores de casca) já florescidos deixavam cair suas flores douradas numa chuva de ouro, Aracê veio ao encontro de Dhui trazendo uma taça de Uirucuri, o licor dos butiás, para embebedá-lo; mas o amor já dominava sua razão e ela também tomou o licor e ficaram quedados a sombra do Ipê; langüidamente entrelaçados.
Tupã vingou-se desencadeando um terremoto que abalou toda a planície.
A fúria divina convulsionou-se dentro do solo e a região foi destruída, trazendo morte e dor. A Abaretama completamente destruída tornou-se pedra, o tesouro aurífero fundiu-se e liquidificou-se, e os dois amantes castigados ficaram um ao lado do outro petrificados. Ao seu lado ficou a causa de sua desgraça, a taça de pedra …
E, quando ali se passa ainda se pode ouvir o vento repetindo a última frase  de Aracê: Xê pocê ô quê (dormirei contigo). E assim Abaretama tornou-se  Itacueretaba.

A terra se fendeu: são as grutas que encontramos próximas a Vila Velha e o tesouro fundido é aquela lagoa que chamamos de Lagoa Dourada, a qual quando o sol lhe bate em cheio, ainda reflete o brilho aurífero. Dhui e Aracê, equivalente indígena de Adão e Eva, estão ainda hoje lado a lado circundados de Ipês descendentes daqueles que assistiram a morte dos dois. E os sobreviventes daquele povo partiram para outras terras onde a maldição de Tupã não os alcançasse. Fundaram outro império, nessas terras imensas da América do Sul.

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 A TAÇA DE PEDRA

Vila Velha:

Itacueretaba – Poderiam estas colossais estruturas se tratar de colunas de um templo dedicado ao deus Tupã? Restos de alguma coisa? Estas formações rochosas são mesmo esculturas naturais?

Taça vila velha ponta grossa parana

Do antigo Tupi, Itacueretaba foi o nome dado aos monumentais monólitos de pedra da Vila Velha, no estado do Paraná, pelos seus mais legítimos habitantes e senhores daquela região, os povos indígenas. Ita (pedra), cuera (velho, extinto), taba (aldeia, povoação, cidade), ou seja, a cidade extinta de pedra que esses povos de antanho relataram em suas lendas, mostrando o seu apogeu e a sua ruína. Seu nome primitivo era Abaretama, aba (índio, homem), etama (terra, pátria), a terra dos homens que estava protegida pelo deus Tupã e os seus habitantes viviam felizes em toda aquela região.
Após a sua ruína, conforme relata a lenda tupi, Abaretama foi castigada e transformou-se na velha Itacueretaba, que nos dias de hoje impressiona os seus visitantes, diante de suas figuras multiformes e de suas muralhas monumentais, extensos corredores e salões exuberantes entre pedras colossais e de grande magnitude e beleza. A visão do seu conjunto pétreo nesta imensa planície verdejante faz com que ela assemelhe-se mesmo a um conjunto arquitetônico em ruínas, como se fora uma fortaleza extinta. Ao nos aproximarmos dela vem à nossa mente uma espécie de questionamento insistente, fazendo-nos refletir a respeito da lenda tupi e pensar até que ponto esta poderia ter um fundo de verdade.
Para os geólogos sua origem remonta ao Período Carbonífero da Terra que teria ocorrido a cerca de 340 milhões de anos. Segundo informam estes estudiosos, nesta época longínqua, muitos fenômenos geológicos teriam acontecido e, em decorrência, toneladas de areia, detritos e fragmentos rochosos trazidos por massas de gelo passaram a acumular-se naquele local. Tais acúmulos de massas amorfas congeladas provocaram o surgimento de grandes erosões no solo que incorporaram na sua trajetória hecatômbica uma grande quantidade de resíduos rochosos. Terminado o desgelo da região, todos esses materiais ficaram aí depositados e com a contínua erosão produzida pela água e pelo vento todo o material rochoso aí existente passou a ser esculpido naturalmente, levando, no decorrer do tempo, à formação dos grandes blocos de arenito e às suas características multivariadas. Permanecendo sob a ação da chuva, do sol e do vento durante milênios os antigos monumentos continuaram sofrendo profundas erosões, fraturas e diferenciações produzindo, finalmente, as gigantescas figuras de formatos variados e os imensos paredões compactados em aprumo.


Desta forma teríamos na velha Itacueretaba apenas formações rochosas naturais esculpidas ao prazer do tempo e dos elementos por longos anos de ininterrupto trabalho. No entanto, sua estranha forma semelhante a uma cidade abandonada pela ira do deus Tupã não deixou de dar-lhe uma outra conotação que a lenda tupi lhe proporcionara, causando espanto aos seus visitantes diante da multiplicidade de formas aí esculpidas.

Paredões íngremes dão a estes monumentos a visão de uma fortaleza inexpugnável.

O seu nome moderno Vila Velha lhe foi dado por causa destas formações extravagantes e belas e pelo fato de assemelhar-se mesmo a uma imensa cidade em ruínas. Apesar disto, os geólogos continuam afirmando tratarem-se de formações naturais apenas, sob a ação de chuvas fortes e dos ventos da região, depois de grandes transformações que os milênios produziram após o descongelamento. Sua composição geológica, conforme estudos realizados é constituída de arenitos sílico-argilosos, sedimentos permocarboníferos e limonita. Explicam os estudiosos que em face de não haver uniformidade na sua composição geológica, as inúmeras precipitações pluviométricas e os fortes ventos que assolavam a região acabaram por imprimir-lhes as suas formas atuais, mas que elas continuarão a ser remodeladas continuamente no decorrer do tempo.




Uma visão exuberante de uma grande muralha em meio a ruínas colossais.

Entretanto, queremos reportar ao espírito de nossos antepassados brasílicos e às suas lendas, especialmente comoventes e que se mostram muitas vezes como histórias fantásticas de um tempo perdido e a antiga Abaretama. Hoje Itacueretaba, pode continuar inspirando no íntimo de muitos que a visitam que estas venham tratar-se mesmo de ruínas de uma cidade e de um tempo grandioso em passado longínquo de nossa terra. Isto por causa de tudo aquilo que se descortina diante dos olhos destas pessoas, estruturas colossais e paredões uniformes, colunatas areníticas e figuras antropomorfas e zoomorfas gigantescas, como a querer dizer-lhes algo velado sobre a sua verdadeira origem.

Em face disto não poderíamos nos desvestir do mérito desta magnífica lenda tupi com tanta facilidade que, vencendo as barreiras do tempo e de uma transmissão estritamente oral, o que, sem duvida, deforma muitos dos princípios reais de sua história original, manteve-se viva na tradição destes povos mais antigos do Brasil, sustentando-se por sua força até os dias de hoje. Tanto que a memória viva do Abaretama, que foi transformado no Itacueretaba, preservada pelos antigos povos tupis, faz da região de Vila Velha um local amaldiçoado, uma vez que foi destruído pela ira do deus Tupã.
Quando penetramos em seus contrafortes em meio aos seus corredores longitudinais e observamos seus imensos paredões pétreos, a antiga lenda baila fortemente em nossa mente e obriga-nos a imaginar-nos percorrendo pelo interior de uma antiga cidade em ruínas. Tal impressão em nossa mente não nos parece produzida pela simples vontade de querer que ela assim seja definida, mas por causa dos grandes monólitos ajustados na forma de colossais colunatas e estruturas fortemente estabelecidas. Além disto, causa-nos séria discussão mental o fato de ao observarmos em volta vermos apenas uma planície verdejante que se estende próximo ao rio Tibagi, sem que nela sejam notados quaisquer indícios de outras pedras amontoadas ou formações geológicas semelhantes a estas de Itacueretaba.



Poderia se dizer que esta escultura se trata de uma esfinge? O que estaria ela fazendo ali?

Sabendo-se que a extensão deste conjunto megalítico é de cerca de 2000 metros de comprimento e 600 metros de largura, numa área de 1200 km2 aproximadamente, é de indagar-se o porquê de tal acontecimento geológico ter-se localizado num espaço tão restrito, diante do que a própria geologia expõe em suas teses, argumentando terem ocorrido o deslocamento de grandes massas de gelo e produzido grandes erosões no solo. Teria a natureza caprichos tão bem delineados assim, ao ponto de concentrar num pequeno espaço toda a sua “arte” e deixar as demais sem quaisquer resquícios de sua atividade?



Uma grande cabeça, coroada ao lado de paredões descomunais aumentam o seu mistério.


Quando nos detemos na lenda do Abaretama, a terra dos homens, escolhida pelos primitivos habitantes da região e a divina proteção do deus Tupã para preservar o “precioso tesouro”, o Itainhareru, e nos colocamos diante dos contrafortes de Vila Velha, o Itacueretaba, a cidade extinta de pedra, tendemos a acreditar mais nesta antiga história transmitida com desvelo pelos anciães desta raça no decorrer do tempo do que nos estudos geológicos feitos pelos nossos contemporâneos.

Segundo a lenda, os remanescentes do povo antigo, tão logo acontecera a terrível destruição se mudaram para outras paragens, fundando outros impérios distantes das terras que foram amaldiçoadas por Tupã. Suas ruínas ficaram como testemunho de seu poderio antigo e sua lenda sobreviveu como um tênue registro imorredouro de sua glória para prevenir as gerações que surgissem após o seu grande desastre.
Sem dúvida, Vila Velha encanta por sua beleza e grandiosidade e nos permite especular sobre os seus monumentos pétreos extravagantes, mesmo que já tenhamos um parecer definitivo da ciência sobre a sua origem. Entretanto, um pouco de tradição tupi, pensamos, faz com que ela se torne ainda mais atraente e há quem diga que a lenda é uma forma poética de preservar a verdadeira história dos povos, seus erros e acertos no decorrer do tempo, de forma que ela se mantenha viva e contundente na memória, além de servir de um forte instrumento cultural e de aprendizado para a sua descendência e preservação do conhecimento de seus ancestrais.
Segundo a lenda, os remanescentes do povo antigo, tão logo acontecera a terrível destruição se mudaram para outras paragens, fundando outros impérios distantes das terras que foram amaldiçoadas por Tupã. Suas ruínas ficaram como testemunho de seu poderio antigo e sua lenda sobreviveu como um tênue registro imorredouro de sua glória para prevenir as gerações que surgissem após o seu grande desastre.


Vista do alto dos monumentos. Em volta há apenas uma planície verdejante e nenhum outro sinal de monólitos.

Lenda ou realidade geológica, a velha Itacueretaba está aí presente com suas pedras modeladas e seus paredões íngremes, que parecem querer sussurrar em nossos ouvidos, quando dela nos aproximamos, que existe muito ainda a ser contado de seu passado, algo muito além das especulações que podem ser feitas por quantos queiram fazê-lo sobre a sua verdadeira origem. De qualquer forma não se pode querer punir alguém por ter anseios de descobrir a verdade, esteja ela envolta pelo racionalismo científico contemporâneo ou encoberta por uma velha lenda, preservada por estes antigos povos destas igualmente antigas terras do Brasil. As fotografias que anexamos a este artigo mostram que pode ter havido algo mais por estes lados do vasto continente sul-americano, cheio de mistérios por serem desvelados.

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A Taça de Vila Velha. Para a ciência, uma formação natural de arenito; para a tradição lendária, uma imagem associada à antiga história de Abaretama.


FURNAS: OS ABISMOS DOS CAMPOS GERAIS

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A região de Vila Velha não impressiona apenas pelas formações de arenito.

Nas proximidades estão as famosas Furnas, grandes cavidades naturais que parecem verdadeiros abismos abertos no solo.

As águas, a vegetação e as paredes rochosas criam uma paisagem quase cinematográfica.

Em determinados momentos do dia, a luz solar pode produzir reflexos coloridos nas águas, aumentando ainda mais a sensação de estar diante de um cenário misterioso.


A LAGOA DOURADA

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Outro lugar cercado de beleza e histórias é a Lagoa Dourada.

Seu nome está relacionado ao aspecto dourado que a superfície da água pode adquirir quando recebe a luz do sol.

Na antiga narrativa apresentada no texto, entretanto, existe uma interpretação muito mais fantástica:

a lagoa seria o tesouro derretido de Abaretama.

Essa associação faz parte da lenda — não de uma explicação geológica comprovada.


BURACO DO PADRE: UMA CACHOEIRA DENTRO DA PEDRA

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Outro dos lugares mais impressionantes dos Campos Gerais é o Buraco do Padre.

O local possui um enorme anfiteatro natural de pedra, dentro do qual uma cachoeira despenca formando um cenário extraordinário.

O nome do lugar está associado à presença histórica de religiosos, especialmente jesuítas, que teriam utilizado a região para momentos de recolhimento e contemplação.

Legenda: A cachoeira do Buraco do Padre despenca dentro do grande anfiteatro rochoso.


O CÂNION DO GUARTELÁ

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Os mistérios geológicos dos Campos Gerais não terminam em Vila Velha.

A região também abriga o Cânion do Guartelá, uma das paisagens naturais mais impressionantes do Paraná.

O enorme vale apresenta paredões rochosos, vegetação e vestígios arqueológicos que ajudam a contar a história da ocupação humana da região.

É mais uma demonstração de como os Campos Gerais reúnem geologia, natureza, arqueologia e tradição em um mesmo território.


O QUE DIZ A CIÊNCIA?

A pergunta inevitável é: Vila Velha foi realmente uma cidade transformada em pedra?

Até onde chegam as evidências científicas, não.

As formações são explicadas por processos naturais de erosão e desgaste do arenito ao longo de milhões de anos.

A aparência de muralhas, torres, animais e objetos acontece porque diferentes partes da rocha resistem de maneiras diferentes à ação dos elementos.

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A erosão do arenito produz formas naturais que podem lembrar construções, animais e figuras humanas.

O próprio material-base ressalta essa interpretação geológica, descrevendo a ação prolongada da água, do vento e das mudanças ambientais na formação das estruturas.


MAS POR QUE PARECE TANTO UMA CIDADE?

É justamente aqui que Vila Velha se torna um prato cheio para quem gosta de mistérios, lendas e teorias.

Ao observar os paredões, algumas formações realmente lembram:

  • estátuas;

  • colunas;

  • muralhas;

  • animais;

  • figuras humanas;

  • taças;

  • ruínas de uma antiga cidade.

Essa aparência alimenta a imaginação de visitantes e pesquisadores independentes há décadas.

O material original inclusive questiona se essas estruturas poderiam representar algo além de simples formações naturais.

Mas é importante separar especulação de evidência: não há comprovação arqueológica de que Vila Velha seja uma antiga cidade construída por uma civilização desconhecida.


UMA “CIDADE” ESCULPIDA PELA NATUREZA?

Talvez a explicação mais fascinante seja justamente a mais simples.

Durante milhões de anos, a própria natureza funcionou como escultora.

Água, vento, variações ambientais e erosão foram lentamente retirando partículas das rochas.

O que restou parece uma arquitetura monumental.

Não existem ruas construídas, inscrições comprovadamente relacionadas a uma civilização perdida ou estruturas arquitetônicas reconhecidas pela arqueologia.

Existe, entretanto, algo igualmente extraordinário:

uma paisagem natural capaz de fazer o ser humano enxergar uma cidade onde a geologia criou esculturas.


A LENDA QUE SOBREVIVEU

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A história de Abaretama e Itacueretaba permanece como uma narrativa lendária associada à região.

Ela fala de amor, traição, tesouro, guerreiros, punição divina e uma cidade destruída.

A força dessa história está justamente em sua capacidade de transformar uma paisagem geológica em uma narrativa fantástica.

Quando alguém observa a Taça, os paredões e as enormes estruturas de arenito, é quase inevitável lembrar da antiga história da cidade de pedra.


VILA VELHA: ENTRE A GEOLOGIA E O MISTÉRIO

No fim, talvez não seja necessário escolher entre lenda ou ciência.

A ciência explica como as rochas foram formadas.

A tradição explica como os seres humanos passaram a interpretar aquela paisagem.

E o mistério nasce justamente do encontro entre as duas coisas.

Vila Velha é uma obra da natureza — mas também é uma obra da imaginação humana.

Suas pedras não precisam ter sido construídas por uma civilização perdida para parecerem antigas muralhas.

Não precisam ser estátuas para lembrarem rostos.

E não precisam esconder um tesouro para continuarem despertando curiosidade.

Porque, depois de milhões de anos, as pedras continuam contando histórias.

E talvez essa seja a verdadeira magia de Itacueretaba: uma cidade que, segundo a lenda, foi destruída pelo tempo — mas que, na memória e na paisagem dos Campos Gerais, jamais desapareceu.


CURIOSIDADE

O nome Vila Velha combina perfeitamente com a aparência do lugar: as gigantescas formações de arenito realmente podem lembrar as ruínas de uma antiga cidade abandonada. O material original destaca justamente essa impressão de “cidade em ruínas” provocada pelo conjunto de paredões, colunas e formas naturais.

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