A HISTÓRIA DE AMOR MAIS INUSITADA DO CINEMA, OS SEGREDOS DE MAUDE E AS LIÇÕES QUE PODEM TRANSFORMAR NOSSA MANEIRA DE VIVER
Existem filmes que assistimos e esquecemos. Outros permanecem conosco porque conseguem despertar sentimentos, provocar questionamentos e nos fazer enxergar a vida de uma maneira diferente.
Lançado em 1971, Ensina-me a Viver (Harold and Maude) é uma dessas produções especiais. Misturando comédia, romance, drama e humor negro, o filme apresenta uma das relações mais improváveis da história do cinema: a de um jovem fascinado pela morte e uma senhora de quase 80 anos apaixonada pela vida.
Dirigido por Hal Ashby, o longa acompanha Harold Chasen, um rapaz de aproximadamente 20 anos, pertencente a uma família rica, que parece não encontrar sentido na própria existência. Sua vida muda quando conhece Maude, uma mulher de 79 anos, irreverente, independente e completamente diferente de tudo aquilo que ele conhece.
Mas Maude não é apenas uma senhora divertida e excêntrica. Por trás de sua personalidade existe uma história muito mais profunda, que o filme revela por meio de um detalhe quase imperceptível: uma numeração tatuada em seu braço, relacionada ao campo de concentração de Auschwitz.
Essa pequena revelação acrescenta uma dimensão histórica e emocional à personagem.
Mais de cinco décadas depois, o filme continua conquistando espectadores e levantando questões sobre liberdade, envelhecimento, solidão, preconceito, amor, sofrimento e o verdadeiro significado de viver.
A história de Harold e Maude
Harold Chasen é um jovem de família rica que vive em uma mansão, cercado de conforto material, mas emocionalmente distante das pessoas.
Sua mãe, Mrs. Chasen, é uma mulher preocupada com a posição social, as aparências e o futuro do filho. Ela deseja que Harold se comporte como um jovem normal, frequente ambientes considerados adequados e encontre uma esposa.
Entretanto, Harold não demonstra interesse por nenhuma dessas coisas.
Seu comportamento é bastante peculiar: desenvolveu uma obsessão pela morte e passa a encenar suicídios de maneiras cada vez mais elaboradas.
Em algumas situações, aparece enforcado; em outras, simula ferimentos fatais ou situações violentas. O mais curioso é que sua mãe, em vez de demonstrar o desespero esperado, reage com uma indiferença quase absurda.
Harold também possui um hábito incomum: frequenta funerais de pessoas desconhecidas.
É justamente durante um desses encontros que conhece Maude.
Diferentemente dele, ela não frequenta funerais porque deseja se aproximar da morte. Maude demonstra curiosidade pelas pessoas, pelas histórias e pelas experiências humanas.
Os dois começam uma amizade improvável. Aos poucos, ela apresenta a Harold um mundo que ele praticamente desconhecia.
Ensina-o a dirigir, experimentar coisas novas, apreciar a natureza, fazer música e, principalmente, não ter tanto medo de ser diferente.
A amizade acaba se transformando em amor, provocando indignação na família de Harold e nas pessoas que não conseguem compreender aquela relação.
Maude: a mulher que escolheu viver livremente
Maude é uma das personagens femininas mais singulares do cinema.
Aos 79 anos, não aceita ser definida pela idade. É espontânea, independente, divertida, provocadora e extremamente curiosa.
Não gosta de autoridades, não respeita convenções sociais simplesmente porque existem e não permite que outras pessoas determinem como deve viver.
Maude dirige veículos sem autorização, ocupa espaços públicos de maneiras inesperadas, experimenta atividades diferentes e demonstra uma relação muito particular com a natureza.
Uma de suas características mais interessantes é o hábito de retirar árvores de lugares onde estão crescendo em condições ruins para transplantá-las em ambientes mais adequados.
Essa atitude possui um significado simbólico muito bonito.
Assim como as árvores, as pessoas também precisam de espaço para crescer. Nem sempre o lugar onde fomos colocados é aquele em que conseguimos florescer.
Maude acredita que a vida deve ser experimentada, não apenas observada.
Ela não parece preocupada em parecer adequada aos olhos da sociedade. Sua felicidade está nas pequenas descobertas, nas experiências e na liberdade de fazer aquilo que deseja.
Mas existe algo que o filme revela discretamente: Maude não teve uma vida inteiramente feliz. Sua alegria não significa ausência de sofrimento.
E é justamente essa descoberta que acrescenta profundidade à personagem.
A tatuagem de Maude: a marca que revela Auschwitz
Um dos detalhes mais surpreendentes de Ensina-me a Viver aparece em uma cena muito breve.
Em determinado momento, Harold percebe uma numeração tatuada no braço de Maude.
Não é uma tatuagem decorativa, nem um desenho escolhido por ela. É uma marca de identificação relacionada à sua prisão em Auschwitz, durante o Holocausto.
O filme não interrompe sua narrativa para explicar detalhadamente o passado da personagem. Não apresenta cenas de guerra, perseguições ou campos de concentração.
Apenas mostra a tatuagem.
E isso é suficiente para transformar a maneira como o espectador enxerga Maude.
A numeração remete a uma prática utilizada pelos nazistas no complexo de Auschwitz, onde prisioneiros registrados recebiam números tatuados no corpo.
Os números substituíam seus nomes e faziam parte do processo de desumanização imposto às vítimas.
É importante esclarecer que nem todas as pessoas deportadas para Auschwitz recebiam tatuagens. A identificação era realizada nos prisioneiros registrados no campo, enquanto muitas pessoas enviadas diretamente às câmaras de gás sequer eram registradas.
O que essa revelação significa para a personagem?
Depois de conhecer esse detalhe, sua maneira de viver ganha outra dimensão.
Maude não é simplesmente uma senhora excêntrica que gosta de contrariar regras. É uma sobrevivente de uma experiência histórica devastadora.
Ela conheceu um mundo em que pessoas eram perseguidas, aprisionadas, privadas de sua identidade e submetidas a condições desumanas.
Por isso, sua liberdade pode ser interpretada como uma afirmação da própria existência.
Quando Maude dança, canta, dirige, brinca ou simplesmente contempla os pássaros, demonstra uma relação com a vida que contrasta profundamente com a violência que conheceu.
O filme não explica se sua alegria nasceu diretamente dessa experiência, mas permite que o espectador perceba que aquela mulher carrega uma história muito maior do que sua aparência divertida revela.
Uma observação importante: a tatuagem pertence à personagem fictícia Maude. Ruth Gordon, a atriz que a interpretou, não foi sobrevivente de Auschwitz.
O Comitê Internacional de Auschwitz destacou justamente essa cena ao comentar o filme e a morte de Bud Cort, ressaltando como a história de Maude revela uma sobrevivente do Holocausto em poucos segundos de imagem.
Ruth Gordon: a atriz que transformou Maude em uma personagem inesquecível
Ruth Gordon Jones nasceu em 30 de outubro de 1896, em Quincy, Massachusetts, nos Estados Unidos.
Sua carreira atravessou décadas e incluiu trabalhos como atriz, dramaturga e roteirista.
Antes de interpretar Maude, já havia conquistado grande reconhecimento por sua participação em O Bebê de Rosemary (1968), dirigido por Roman Polanski.
No filme, interpretou Minnie Castevet, uma vizinha aparentemente simpática, mas envolvida em acontecimentos assustadores.
Sua atuação lhe rendeu o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante em 1969.
Três anos depois, sua interpretação de Maude demonstrou outra faceta de seu talento.
Ela conseguiu construir uma personagem que poderia facilmente parecer apenas extravagante, mas que se tornou uma figura cheia de humanidade, inteligência e complexidade.
Curiosidades sobre Ruth Gordon
Começou a se interessar por teatro ainda muito jovem.
Trabalhou durante décadas nos palcos e no cinema.
Também escreveu peças teatrais e roteiros.
Foi casada com o escritor e diretor Garson Kanin.
Recebeu o Oscar por O Bebê de Rosemary.
Ganhou o Globo de Ouro por sua atuação em Harold and Maude.
Recebeu um Emmy por sua participação na série Taxi.
Ruth Gordon faleceu em 28 de agosto de 1985, aos 88 anos.
Sua interpretação de Maude permanece como um dos trabalhos mais queridos de sua carreira.
Bud Cort: o ator que deu vida a Harold
Bud Cort, nome artístico de Walter Edward Cox, nasceu em 29 de março de 1948, em Nova York.
Sua interpretação de Harold é fundamental para o equilíbrio do filme.
Com aparência juvenil, expressão melancólica e comportamento reservado, construiu um personagem que parece não encontrar lugar no mundo.
Harold é engraçado, estranho, solitário e, ao mesmo tempo, profundamente humano.
Sua relação com a morte funciona como uma espécie de protesto silencioso contra a vida que sua família deseja impor a ele.
A chegada de Maude muda completamente essa trajetória.
Curiosidades sobre Bud Cort
Foi descoberto pelo diretor Robert Altman.
Participou de MASH* (1970).
Protagonizou Brewster McCloud (1970).
Participou de Dogma (1999), interpretando Deus.
Trabalhou em A Vida Marinha com Steve Zissou (2004), de Wes Anderson.
Também realizou trabalhos de dublagem, incluindo personagens de animações.
Seu desempenho em Harold and Maude recebeu reconhecimento da crítica e lhe rendeu indicações a importantes premiações.
Uma notícia triste: Bud Cort faleceu em 11 de fevereiro de 2026, aos 77 anos, após uma longa doença.
Sua morte trouxe novamente atenção ao filme e à parceria artística que construiu com Ruth Gordon.
Hal Ashby: o diretor que apostou em uma história fora dos padrões
Hal Ashby nasceu em 2 de setembro de 1929, em Ogden, Utah, nos Estados Unidos.
Foi um dos nomes importantes da chamada Nova Hollywood, período em que cineastas passaram a explorar histórias mais ousadas, personagens complexos e temas que questionavam os valores tradicionais da sociedade.
Antes de se tornar diretor, trabalhou como montador cinematográfico.
Recebeu o Oscar de Melhor Montagem por No Calor da Noite (1967).
Entre seus trabalhos como diretor estão:
Harold and Maude (1971).
A Última Missão (1973).
Shampoo (1975).
Amargo Regresso (1978).
Muito Além do Jardim (1979).
Ashby faleceu em 27 de dezembro de 1988.
Seu estilo de direção ajudou a transformar Ensina-me a Viver em uma obra que mistura humor absurdo, crítica social e reflexão existencial.
Os outros atores e personagens
Vivian Pickles – Mrs. Chasen
Interpreta a mãe de Harold. É uma mulher controladora, preocupada com as aparências e incapaz de compreender o comportamento do filho.
Suas reações às encenações de morte de Harold estão entre os momentos mais irônicos do filme.
Charles Tyner – Tio Victor
Representa a autoridade militar e os valores tradicionais. É uma figura que reforça o contraste entre as expectativas familiares e a liberdade defendida por Maude.
Cyril Cusack – Glaucus
Interpreta o escultor que aparece no universo artístico de Maude, contribuindo para mostrar a relação da personagem com a arte e a criatividade.
Ellen Geer – Sunshine Doré
Participa de uma das situações organizadas pela mãe de Harold para que ele conheça uma possível companheira.
Cat Stevens: a música que deu alma ao filme
A música é um dos elementos mais importantes da produção.
A trilha sonora conta com composições de Cat Stevens, atualmente conhecido também como Yusuf / Cat Stevens.
Suas canções combinam perfeitamente com a personalidade de Maude e com a transformação de Harold.
Entre as músicas presentes na produção estão:
Don't Be Shy.
If You Want to Sing Out, Sing Out.
Where Do the Children Play?.
Miles from Nowhere.
On the Road to Find Out.
Trouble.
A canção If You Want to Sing Out, Sing Out é especialmente importante.
Maude apresenta a Harold a ideia de que existem inúmeras maneiras de ser e de viver.
Não precisamos seguir exatamente o caminho de outra pessoa.
Cada indivíduo possui sua própria maneira de experimentar o mundo.
A música representa a liberdade de ser quem se deseja ser.
Curiosidades dos bastidores
O roteiro começou como um trabalho universitário
A história foi escrita por Colin Higgins como parte de um trabalho acadêmico na Universidade do Sul da Califórnia.
O projeto acabou chamando a atenção da indústria cinematográfica e chegou às telas.
O filme não foi um grande sucesso imediato
Quando estreou, em 1971, teve uma recepção comercial e crítica inicialmente modesta.
Com o passar dos anos, conquistou uma legião de admiradores e se tornou um clássico cult.
A diferença de idade entre os atores também era grande
Ruth Gordon tinha aproximadamente 74 anos durante as filmagens, enquanto Bud Cort tinha cerca de 23.
Uma cena de beijo foi retirada
Uma curiosidade dos bastidores é que uma cena de beijo entre Harold e Maude foi filmada, mas acabou cortada da versão exibida nos cinemas.
O filme entrou para o Registro Nacional de Filmes dos Estados Unidos
Em 1997, foi selecionado pela Biblioteca do Congresso para preservação no National Film Registry, reconhecimento concedido a produções consideradas cultural, histórica ou esteticamente importantes.
As frases de Maude: ensinamentos que merecem ser levados para a vida
Talvez a maior riqueza de Ensina-me a Viver esteja nos diálogos.
Maude não é uma filósofa convencional, não apresenta discursos acadêmicos e não tenta ensinar por meio de regras.
Sua sabedoria aparece nas situações mais simples, nas brincadeiras, nas conversas e nas atitudes.
Algumas de suas falas são tão atuais que poderiam facilmente fazer parte de uma reflexão sobre a vida nos dias de hoje.
As frases a seguir são traduções livres dos diálogos originais, podendo variar conforme a dublagem ou a legenda brasileira.
"Todos têm o direito de fazer papel de bobo. Você não pode deixar o mundo julgar você demais."
Maude diz isso quando Harold demonstra receio de fazer uma cambalhota porque acredita que pareceria ridículo.
Ela mostra que ninguém deveria viver preocupado o tempo inteiro com a opinião dos outros.
Muitas pessoas deixam de dançar, cantar, mudar de aparência, experimentar atividades ou realizar sonhos porque têm medo do julgamento alheio.
Reflexão: quantas coisas você gostaria de fazer, mas ainda não fez por medo do que alguém poderá pensar?
"É melhor não ser moralista demais. Você acaba se privando de muita vida."
Maude apresenta uma visão provocadora sobre as regras sociais e os julgamentos.
Não significa que devemos abandonar valores, respeito ou responsabilidade.
A reflexão está em não transformar a moralidade em uma ferramenta para condenar tudo aquilo que é diferente de nós.
Às vezes, as pessoas estão tão preocupadas em julgar a vida alheia que esquecem de viver a própria.
Reflexão: estamos realmente vivendo nossos valores ou apenas fiscalizando as escolhas dos outros?
"Para mim, serão sempre pássaros gloriosos."
Maude conta uma história sobre Alfred Dreyfus, que, durante seu período de prisão na Ilha do Diabo, imaginava pássaros maravilhosos.
Anos depois, descobriu que aqueles pássaros eram apenas gaivotas.
Mas Maude conclui que, para ela, continuariam sendo pássaros gloriosos.
Essa fala revela que a beleza de uma experiência não depende apenas daquilo que ela é objetivamente, mas também da maneira como escolhemos enxergá-la.
Uma gaivota pode ser apenas uma ave comum para algumas pessoas. Para outra, pode representar liberdade, esperança e a lembrança de um momento extraordinário.
Reflexão: será que não estamos deixando de perceber coisas maravilhosas porque nos acostumamos demais com elas?
"Se você quer cantar, cante. Se quer ser livre, seja livre."
A mensagem aparece na música If You Want to Sing Out, Sing Out.
Maude apresenta a Harold a ideia de que existem inúmeras maneiras de ser e de viver.
Não precisamos seguir exatamente o caminho de outra pessoa.
Cada indivíduo possui sua própria maneira de experimentar o mundo.
Reflexão: você está vivendo a vida que deseja ou aquela que outras pessoas escolheram para você?
"O mundo ainda ama profundamente uma gaiola."
Maude faz uma crítica à maneira como a sociedade tenta controlar a liberdade dos outros.
A gaiola não precisa ser necessariamente física.
Pode representar um relacionamento controlador, uma profissão que nos sufoca, o medo de mudar, a necessidade de agradar ou as expectativas impostas pela sociedade.
Reflexão: quais são as gaiolas invisíveis que ainda nos impedem de viver?
"Alcance. Arrisque. Mesmo que se machuque."
A ideia está presente nos ensinamentos de Maude a Harold: não basta observar a vida de longe.
É preciso participar dela.
Conhecer pessoas, criar vínculos, experimentar coisas novas e aceitar que nem tudo dará certo.
Porque quem nunca se permite arriscar também deixa de descobrir muitas coisas que poderiam transformar sua história.
Reflexão: quantas oportunidades deixamos passar simplesmente porque temos medo de sofrer ou de errar?
As árvores também ensinam
Uma das metáforas mais bonitas do filme aparece quando Maude encontra árvores crescendo em condições inadequadas e decide transplantá-las.
Ela não se limita a observar o problema. Procura uma maneira de mudar a situação.
Essa atitude pode ser aplicada à própria vida.
Às vezes, precisamos mudar de ambiente, abandonar hábitos, rever relacionamentos e procurar condições melhores para crescer.
Reflexão: será que estamos tentando florescer em um lugar que já não nos permite crescer?
O amor entre Harold e Maude: uma relação que desafia o julgamento
A diferença de idade entre os personagens é o elemento que mais chama a atenção inicialmente.
Harold é jovem, mas demonstra uma relação problemática com a existência. Maude é idosa, mas parece possuir mais energia e curiosidade do que todos ao seu redor.
O relacionamento provoca desconforto porque rompe expectativas sociais.
A produção questiona por que tantas pessoas acreditam ter o direito de determinar quais relações são aceitáveis e quais devem ser condenadas.
Mas existe algo ainda mais importante: Maude não tenta transformar Harold em uma cópia de si mesma.
Ela o incentiva a descobrir sua própria personalidade.
O amor, nesse sentido, aparece como uma experiência de transformação e descoberta.
O final de Ensina-me a Viver: uma despedida dolorosa
Atenção: esta parte contém spoilers.
O aniversário de 80 anos de Maude marca o momento mais triste da história.
Harold prepara uma surpresa e pretende pedi-la em casamento.
Entretanto, Maude revela que decidiu encerrar sua vida naquele dia, por meio de uma overdose de medicamentos.
Ela acredita que já viveu o suficiente e que não deseja ultrapassar os 80 anos.
Harold fica desesperado e tenta impedir sua morte, mas Maude acaba falecendo.
A cena é dolorosa porque justamente aquela pessoa que lhe ensinou a descobrir a beleza da vida é quem agora está partindo.
Depois da morte de Maude, Harold aparece em uma cena aparentemente trágica, com seu carro funerário destruído após cair de um penhasco.
Por alguns instantes, o espectador pode acreditar que ele também morreu.
Mas Harold está vivo.
Ele surge tocando banjo, saltitando e demonstrando uma liberdade que não existia no início da história.
O carro destruído representa simbolicamente o fim de sua antiga obsessão.
Harold finalmente compreendeu que não precisava continuar encenando a morte para chamar a atenção ou escapar da própria existência.
Maude partiu, mas aquilo que lhe ensinou permaneceu.
O legado de Harold e Maude: um filme que continua ensinando gerações
Harold and Maude estreou em 1971, mas suas questões continuam atuais.
Vivemos em uma sociedade que frequentemente valoriza a aparência, a produtividade, o sucesso material e a aprovação externa.
Maude representa quase o oposto de tudo isso.
Ela não está preocupada em parecer adequada, não tenta provar que é importante e não mede sua felicidade pela quantidade de bens que possui.
Sua riqueza está nas experiências, na liberdade e na capacidade de encontrar beleza onde outras pessoas enxergam apenas banalidade.
Talvez seja por isso que o filme tenha conquistado o status de clássico cult.
Em 1997, foi selecionado para o National Film Registry da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos.
Mais do que uma história de amor incomum, é uma obra que nos convida a questionar a maneira como estamos conduzindo nossa própria existência.
Porque, no fim, uma das perguntas mais importantes deixadas por Maude não é quanto tempo temos para viver, mas o que estamos fazendo com o tempo que recebemos.
Uma última reflexão...
Talvez a grande mensagem de Maude seja que não precisamos esperar uma mudança extraordinária para começar a viver de maneira diferente.
Podemos começar com uma música, uma caminhada, uma conversa, uma viagem, uma árvore plantada ou uma experiência que sempre tivemos vontade de conhecer.
Não precisamos ter todas as respostas.
Não precisamos agradar a todos.
Não precisamos passar a vida inteira tentando caber nas expectativas de outras pessoas.
A vida não deveria ser apenas uma sequência de obrigações, compromissos e preocupações.
E talvez seja por isso que, tantos anos depois, Maude continue nos ensinando a viver.
Ficha técnica
| Informação | Detalhes |
|---|---|
| Título original | Harold and Maude |
| Título brasileiro | Ensina-me a Viver |
| Ano | 1971 |
| País | Estados Unidos |
| Direção | Hal Ashby |
| Roteiro | Colin Higgins |
| Gêneros | Comédia, drama e romance |
| Duração | Aproximadamente 91 minutos |
| Maude | Ruth Gordon |
| Harold | Bud Cort |
| Trilha sonora | Cat Stevens |
| Distribuição | Paramount Pictures |
ONDE ASSISTIR:
AMAZON PRIME
APPLE TV

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