PAZUZU: O DEMÔNIO DA ANTIGA MESOPOTÂMIA QUE VIROU ÍCONE DO TERROR
Muito antes de aparecer nas telas de cinema, Pazuzu já era uma figura temida — e, ao mesmo tempo, utilizada como proteção — pelos povos da antiga Mesopotâmia.
Com uma aparência assustadora, que mistura características humanas e animais, Pazuzu foi representado em estatuetas, amuletos e placas utilizadas em rituais. Milhares de anos depois, seu nome voltaria a ficar conhecido mundialmente graças ao filme O Exorcista, de 1973.
Mas quem era Pazuzu de verdade? Ele era realmente considerado um demônio maligno? E por que alguém usaria a imagem de uma criatura demoníaca para se proteger?
UM DEMÔNIO COM QUASE 3 MIL ANOS DE HISTÓRIA
Pazuzu pertence ao universo religioso da antiga Mesopotâmia, especialmente associado à tradição assíria. Representações suas são conhecidas principalmente do primeiro milênio antes de Cristo.
O Museu do Louvre descreve Pazuzu como um demônio ligado aos ventos e às forças perigosas capazes de trazer doenças. Ao mesmo tempo, ele também podia exercer uma função protetora contra outros espíritos malignos.
Essa aparente contradição é uma das características mais fascinantes de Pazuzu.
Ele era uma entidade demoníaca, mas justamente por ser poderoso entre os demônios, sua imagem poderia ser utilizada para afastar ameaças sobrenaturais.
UMA DAS APARÊNCIAS MAIS ASSUSTADORAS DA ANTIGUIDADE
Pazuzu não possuía uma aparência humana comum.
Nas representações antigas, ele aparece como uma criatura híbrida. Sua cabeça apresenta características semelhantes às de um cão ou leão, enquanto o corpo possui escamas. Ele também aparece com asas, garras e outros elementos de diferentes animais.
O British Museum descreve representações nas quais Pazuzu possui rosto semelhante ao de um leão ou cão, olhos proeminentes e chifres. Em representações completas, aparecem ainda corpo escamoso, asas, patas dianteiras de leão, pés semelhantes aos de uma ave e uma cauda associada a um escorpião.
Essa combinação de características não era simplesmente uma tentativa de criar um monstro assustador. A iconografia tinha relação com a maneira como os antigos mesopotâmicos imaginavam e representavam forças sobrenaturais.
As representações de Pazuzu combinavam características humanas, animais e sobrenaturais.
O DEMÔNIO QUE TAMBÉM PROTEGIA
Aqui está uma das partes mais curiosas da história.
Pazuzu não era simplesmente um "demônio do mal", no sentido moderno da palavra.
Na antiga Mesopotâmia, amuletos com sua imagem podiam ser utilizados como proteção. O Louvre explica que pessoas colocavam pequenas representações de Pazuzu dentro de suas casas ou utilizavam cabeças do demônio como amuletos para afastar outros espíritos malignos.
Ou seja: um demônio poderia ser utilizado para combater outro demônio.
Essa lógica pode parecer estranha atualmente, mas fazia sentido dentro das crenças religiosas daquele período.
PAZUZU E LAMASHTU: UMA BATALHA CONTRA O MAL
Uma das principais funções protetoras atribuídas a Pazuzu estava relacionada à demoníaca Lamashtu.
Lamashtu era considerada uma entidade perigosa para mulheres grávidas e crianças. Por isso, pequenos amuletos com a imagem de Pazuzu podiam ser utilizados como proteção.
O British Museum registra, inclusive, uma grande cabeça de bronze de Pazuzu que provavelmente era suspensa próxima a uma mulher durante o trabalho de parto, com a finalidade de protegê-la contra Lamashtu.
Pazuzu aparece em objetos relacionados a rituais de proteção contra Lamashtu.
AMULETOS DE PAZUZU
Arqueólogos encontraram diversas representações de Pazuzu produzidas em materiais diferentes.
Existem peças de bronze, pedra, cerâmica e outros materiais. Algumas eram pequenas o suficiente para serem carregadas como amuletos.
O British Museum conserva, por exemplo, um pequeno amuleto de Pazuzu feito de lápis-lazúli, datado aproximadamente do século VII a.C.
Também existem amuletos de bronze com argolas, indicando que poderiam ser pendurados ou usados de alguma maneira junto ao corpo.
Legenda da foto: Pequeno amuleto representando a cabeça de Pazuzu, produzido na Mesopotâmia antiga.
UMA INSCRIÇÃO COM O NOME DE PAZUZU
Uma das peças mais famosas relacionadas ao demônio está atualmente no Museu do Louvre.
Trata-se de uma estatueta de bronze com aproximadamente 15 centímetros de altura, proveniente da tradição assíria e datada por volta do século VII a.C. Ela possui uma inscrição cuneiforme nas costas das asas.
A inscrição identifica Pazuzu e apresenta seu caráter associado aos espíritos malignos do ar.
Isso é particularmente importante porque mostra que Pazuzu não é uma invenção moderna do cinema. Sua existência como figura religiosa e demoníaca está documentada em objetos arqueológicos antigos.
A famosa estatueta de Pazuzu do Museu do Louvre possui uma inscrição cuneiforme nas costas.
PAZUZU EM "O EXORCISTA"
Foi no século XX que Pazuzu ganhou uma nova e assustadora vida.
O personagem aparece associado à história de O Exorcista, obra de William Peter Blatty que deu origem ao famoso filme de 1973.
No início da produção cinematográfica, o padre Lankester Merrin participa de uma escavação arqueológica no Iraque e encontra uma representação de Pazuzu.
Mais tarde, a entidade aparece relacionada à possessão de Regan MacNeil.
O Museu Metropolitano de Arte destaca que a versão cinematográfica apresenta Pazuzu como o demônio associado à possessão da menina e utiliza uma escavação no norte do Iraque como parte importante da história.
Pazuzu ganhou fama mundial após sua associação com a história de O Exorcista, de 1973.
MAS PAZUZU REALMENTE POSSUÍA PESSOAS?
Não há evidência histórica de que uma entidade chamada Pazuzu tenha realmente possuído pessoas.
O que existe são registros arqueológicos e textos relacionados às crenças religiosas da antiga Mesopotâmia. A associação de Pazuzu com possessões demoníacas da maneira apresentada no cinema pertence à ficção moderna.
O interessante é que Hollywood não inventou Pazuzu: o personagem já existia milhares de anos antes do filme.
O cinema transformou uma antiga figura religiosa em um dos ícones mais reconhecidos do terror.
O QUE É FATO E O QUE É FICÇÃO?
FATO: Pazuzu foi uma figura demoníaca real dentro das crenças da antiga Mesopotâmia.
FATO: Existem estatuetas e amuletos arqueológicos representando Pazuzu.
FATO: Algumas dessas peças eram utilizadas com finalidade protetora.
FATO: Pazuzu estava associado aos ventos perigosos e a forças capazes de causar doenças.
FATO: Pazuzu aparece relacionado à proteção contra Lamashtu.
FICÇÃO: Não existe comprovação de que Pazuzu tenha realmente possuído pessoas.
FICÇÃO: A história apresentada em O Exorcista não é um relato histórico sobre um caso real de possessão por Pazuzu.
POR QUE ELE ERA TÃO ASSUSTADOR?
Para os antigos mesopotâmicos, doenças, tempestades, mortes e outros acontecimentos que não podiam ser explicados facilmente podiam estar relacionados a forças sobrenaturais.
Pazuzu personificava uma dessas forças.
Sua aparência monstruosa provavelmente reforçava sua natureza sobrenatural. Porém, justamente por ser poderoso, sua representação também poderia ser transformada em proteção.
É um conceito fascinante: o medo transformado em defesa contra o próprio medo.
PAZUZU SOBREVIVEU AO MUNDO ANTIGO
A antiga Mesopotâmia desapareceu, seus templos foram destruídos e suas crenças deixaram de fazer parte da vida cotidiana. Mas Pazuzu sobreviveu.
Hoje, sua imagem pode ser encontrada em livros, filmes, histórias em quadrinhos, jogos e outras obras de terror.
Sua participação em O Exorcista fez com que uma figura que já possuía milhares de anos de história fosse redescoberta pelo público moderno.
E talvez seja justamente isso que torne Pazuzu tão intrigante.
Ele não nasceu em Hollywood.
Hollywood apenas trouxe de volta um demônio que já estava assustando — e protegendo — pessoas há milhares de anos.
CURIOSIDADES SOBRE PAZUZU
• Pazuzu é associado à antiga tradição assíria da Mesopotâmia.
• Representações suas foram feitas em bronze, pedra, cerâmica e outros materiais.
• Existem amuletos de Pazuzu preservados em grandes museus.
• O Museu do Louvre possui uma famosa estatueta de bronze de Pazuzu.
• O British Museum conserva diversas peças relacionadas ao demônio.
• Apesar de ser considerado uma entidade demoníaca, Pazuzu também podia funcionar como protetor.
• Sua imagem era utilizada contra outros espíritos malignos.
• Ele está particularmente relacionado à proteção contra Lamashtu.
• Sua aparência combina características humanas e de diversos animais.
• Sua fama moderna cresceu enormemente depois de O Exorcista, lançado em 1973.
O MISTÉRIO QUE PERMANECE
Talvez a parte mais assustadora da história de Pazuzu não seja a aparência do demônio.
É o fato de que, há mais de dois mil anos, pessoas realmente carregavam pequenas imagens dele, penduravam sua representação em suas casas e recorriam à sua figura em momentos de medo e perigo.
Para nós, hoje, pode parecer apenas uma criatura monstruosa.
Para aqueles que viveram na antiga Mesopotâmia, porém, Pazuzu fazia parte de um universo em que demônios, deuses, doenças e forças invisíveis eram considerados uma realidade.
E foi justamente essa antiga crença que, milhares de anos depois, ajudou a criar um dos símbolos mais perturbadores da história do cinema de terror.
Pazuzu pode ter desaparecido dos antigos templos da Mesopotâmia — mas nunca desapareceu completamente da imaginação humana.
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