segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O SICILIANO

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O SICILIANO

A história real do homem que virou uma lenda da Sicília

O filme que levou uma história real para as telas

Em 1987, o diretor Michael Cimino levou aos cinemas O Siciliano (The Sicilian), adaptação do romance homônimo de Mario Puzo, autor de O Poderoso Chefão.

No centro da história está Salvatore Giuliano, personagem interpretado por Christopher Lambert.

Mas Giuliano não nasceu da imaginação de um escritor.

Ele realmente existiu.

Sua curta vida foi marcada por contrabando, violência, política, separatismo, alianças com criminosos e uma morte cercada por controvérsias.

E é justamente essa mistura de realidade e lenda que torna sua história tão fascinante.


QUEM FOI SALVATORE GIULIANO?

Salvatore Giuliano nasceu em 1922, em Montelepre, na Sicília.

A Itália daquele período atravessava profundas transformações políticas e sociais.

A Segunda Guerra Mundial havia terminado recentemente, a pobreza era intensa em várias regiões e a Sicília possuía fortes movimentos favoráveis à autonomia ou independência da ilha.

Foi nesse cenário que Giuliano começou sua trajetória.

Inicialmente envolvido com o mercado clandestino e o contrabando, ele acabou entrando em conflito com as autoridades.

Um episódio ocorrido em 1943 seria decisivo para sua transformação em fugitivo.

Durante uma tentativa de transportar trigo no mercado negro, Giuliano teria sido abordado por policiais.

O confronto terminou com a morte de um agente.

A partir daquele momento, ele passou a viver escondido.


O BANDIDO QUE VIROU HERÓI PARA ALGUNS

Escondido nas montanhas, Giuliano começou a reunir homens armados ao seu redor.

Seu grupo cresceu e passou a realizar assaltos, sequestros e ataques.

Mas sua imagem pública era muito mais complexa.

Para alguns camponeses pobres, Giuliano era apresentado como um justiceiro.

Histórias começaram a circular dizendo que ele roubava dos ricos e ajudava os necessitados.

Com o tempo, sua figura ganhou uma dimensão quase lendária.

Era o tipo de personagem que parecia existir entre dois mundos:

bandido para o Estado;
herói para parte da população.


A IDEIA DE UMA SICÍLIA INDEPENDENTE

A história de Giuliano também se mistura com o movimento separatista siciliano.

Depois da Segunda Guerra Mundial, havia grupos que defendiam uma Sicília independente.

Giuliano passou a colaborar com o Movimento pela Independência da Sicília, conhecido pela sigla MIS.

A política transformou o criminoso em uma figura ainda mais perigosa.

Agora ele não era apenas um homem procurado pela polícia.

Possuía também uma dimensão política.


GIULIANO E A MÁFIA

É impossível contar sua história sem mencionar a Cosa Nostra.

A relação entre Giuliano e os grupos mafiosos foi complexa.

Ele precisava de proteção, contatos e apoio em determinadas regiões.

Ao mesmo tempo, possuía sua própria força armada e sua própria ambição.

O problema era simples:

Giuliano queria poder.

E a Máfia não costumava dividir poder facilmente.

No filme, essa tensão aparece principalmente através de Don Masino Croce, personagem interpretado por Joss Ackland.


PORTELLA DELLA GINESTRA

Um dos episódios mais sombrios relacionados à trajetória de Giuliano aconteceu em 1º de maio de 1947, em Portella della Ginestra.

Uma multidão havia se reunido para comemorar o Dia do Trabalho.

Homens armados abriram fogo contra a multidão.

O ataque matou trabalhadores e deixou dezenas de feridos.

O episódio tornou-se um dos acontecimentos políticos mais traumáticos da história italiana do pós-guerra.

Giuliano e seu grupo foram associados ao massacre.

Até hoje, Portella della Ginestra permanece cercada por debates sobre responsabilidades, motivações políticas e possíveis relações entre criminosos, grupos políticos e setores do poder.


O MISTÉRIO POR TRÁS DO MASSACRE

É justamente aqui que a história se torna ainda mais obscura.

Quem ordenou o ataque?

Giuliano teria agido por iniciativa própria?

Havia interesses políticos por trás da operação?

A Máfia estava envolvida?

Essas perguntas alimentaram décadas de discussões.

A versão oficial dos acontecimentos não conseguiu eliminar todas as dúvidas que surgiram posteriormente.

E foi essa atmosfera de conspiração que ajudou a transformar Giuliano em uma figura lendária.


O SICILIANO, DE MARIO PUZO

O escritor Mario Puzo publicou The Sicilian em 1984.

Puzo utilizou Salvatore Giuliano como personagem central e construiu uma narrativa que mistura acontecimentos históricos com ficção.

O livro não é uma biografia documental.

É um romance.

Por isso, alguns acontecimentos e personagens foram modificados ou dramatizados para a narrativa.

Em 1987, Michael Cimino levou essa história para o cinema.

Christopher Lambert assumiu o papel de Giuliano.


CHRISTOPHER LAMBERT COMO GIULIANO

Christopher Lambert interpretou Giuliano como um homem jovem, carismático e extremamente determinado.

O filme enfatiza sua aparência quase heroica.

Essa escolha é importante porque ajuda a mostrar como nasce uma lenda.

Um homem procurado pela polícia pode ser transformado em símbolo.

Um criminoso pode ser lembrado como justiceiro.

E uma história violenta pode acabar adquirindo contornos quase míticos.


A TRAIÇÃO DE ASPANU PISCIOTTA

Um dos personagens mais importantes da história é Gaspare "Aspanu" Pisciotta, interpretado no filme por John Turturro.

Pisciotta era extremamente próximo de Giuliano.

Na realidade histórica, os dois tinham uma relação muito estreita.

E justamente por isso sua participação no destino de Giuliano é tão perturbadora.

Giuliano confiava nele.

Mas, no mundo de alianças instáveis retratado pelo filme, confiança podia ser uma sentença de morte.


 A MORTE DE GIULIANO

Salvatore Giuliano morreu em 1950, aos 27 anos.

Seu corpo foi encontrado em Castelvetrano.

Durante anos, a versão apresentada sobre sua morte foi questionada.

A narrativa oficial afirmava que Giuliano havia sido morto durante uma operação policial.

Mas posteriormente surgiram informações que colocaram essa versão em dúvida.

A possibilidade de uma execução planejada e de uma conspiração passou a fazer parte da história.

E o mistério ajudou a transformar sua morte em um dos episódios mais intrigantes da história criminal italiana.


O QUE ACONTECEU DEPOIS?

A morte de Giuliano não encerrou a história.

Seu nome continuou aparecendo em investigações, julgamentos e debates políticos.

Seu companheiro Pisciotta também teria um destino trágico.

Em 1954, enquanto cumpria pena na prisão de Ucciardone, em Palermo, Pisciotta morreu após ingerir estricnina.

Ele tinha feito acusações e revelações sobre os acontecimentos envolvendo Giuliano.

Sua morte alimentou ainda mais as teorias de conspiração.


LIVRO X FILME

É importante separar três coisas:

1. O SALVATORE GIULIANO REAL

Um homem que viveu na Sicília, participou de atividades criminosas e esteve ligado ao movimento separatista siciliano.

2. O SALVATORE GIULIANO DE MARIO PUZO

Uma versão literária, construída para um romance.

3. O SALVATORE GIULIANO DO CINEMA

Uma interpretação cinematográfica baseada no livro e dirigida por Michael Cimino.

Essa diferença é fundamental.

O filme não deve ser tratado como um documentário.

Ele utiliza acontecimentos históricos como base, mas dramatiza personagens e situações.


POR QUE O FILME CONTINUA INTERESSANTE?

Porque O Siciliano não conta apenas a história de um criminoso.

Ele apresenta uma pergunta muito mais inquietante:

Como nasce uma lenda?

Giuliano era bandido ou herói?

Libertador ou criminoso?

Rebelde ou instrumento de interesses políticos?

Vítima de uma conspiração ou homem que acabou destruído pelas próprias escolhas?

Talvez seja justamente a impossibilidade de encontrar uma resposta simples que mantenha sua história viva.


CURIOSIDADES

• Mario Puzo escreveu o romance antes da adaptação cinematográfica.

• Christopher Lambert interpretou Giuliano no filme de 1987.

• John Turturro interpreta Aspanu Pisciotta.

• Joss Ackland interpreta Don Masino Croce.

• Salvatore Giuliano morreu muito jovem, aos 27 anos.

• Sua morte permanece associada a controvérsias sobre a versão oficial.

• O massacre de Portella della Ginestra tornou-se um dos episódios mais importantes relacionados à sua história.

• A obra de Puzo não é uma biografia, mas um romance baseado em acontecimentos e personagens históricos.


A ÚLTIMA IMAGEM

Imagine a Sicília do pós-guerra.

Montanhas.

Pequenas aldeias.

Homens armados escondidos.

Camponeses pobres.

Políticos disputando poder.

A Máfia observando.

E um jovem de apenas 27 anos transformado em lenda.

É nesse cenário que termina a história de Salvatore Giuliano.

Ou talvez seja justamente aí que ela começa.

Porque algumas mortes encerram uma vida.

Outras criam um mito.

O SICILIANO

Uma história de sangue, poder, traição e silêncio — entre a realidade e a lenda.

ONDE ASSITIR:

NA PLATAFORMA DE STREAMING- OLDFLIX



2 comentários:

  1. O link não é válido, está fora da web.

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  2. Junior, não estou achando link para atualizar, mas a hora que encontrar, o farei. Obrigada.

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