segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Rio São Francisco


Rio São Francisco




Trecho do rio São Francisco entre os municípios de Ponto Chique e Pirapora, Minas Gerais.


Mapa da extensão total do rio São Francisco. Em seus 2 830 km o rio passa por cinco estados brasileiros.
Comprimento 2.863 km
Nascente serra da Canastra (MG)
Altitude da nascente 1200 m
Caudal médio 2 943 m³/s
Foz Piaçabuçu (AL), Oceano Atlântico
Área da bacia 641 000 km²
País(es) Brasil


O rio São Francisco é um dos mais importantes cursos d'água do Brasil e da América do Sul. O rio passa por 5 estados e 521 municípios, sendo sua nascente geográfica no município de Medeiros e sua nascente histórica na serra da Canastra, no município de São Roque de Minas, centro-oeste de Minas Gerais. 



Seu percurso atravessa o estado da Bahia, fazendo sua divisa ao norte com Pernambuco, bem como constituindo a divisa natural dos estados de Sergipe e Alagoas e, por fim, deságua no oceano Atlântico, drenando uma área de aproximadamente 641 000 km². Seu comprimento medido a partir da nascente histórica é de 2 814 km, mas chega a 2 863 km quando medido ao longo do trecho geográfico. Seu nome indígena é Opará ou Pirapitinga e também é carinhosamente chamado Velho Chico.

VELHO CHICO
Apresenta dois estirões navegáveis: o médio, com cerca de 1.371 km de extensão, entre Pirapora (MG) e Juazeiro (BA) /Petrolina (PE) e o baixo, com 208 km, entre Piranhas (AL) e a foz, no Oceano Atlântico.
O rio São Francisco atravessa regiões com condições naturais das mais diversas e tem seis usinas hidrelétricas.



As partes extremas superior e inferior da bacia apresentam bons índices pluviométricos, enquanto os seus cursos médio e submédio atravessam áreas de clima bastante seco. Assim, cerca de 75% do deflúvio do São Francisco é gerado em Minas Gerais, cuja área da bacia, ali inserida, é de apenas 37% da área total.
A área compreendida entre a fronteira Minas Gerais-Bahia e a cidade de Juazeiro(BA), representa 45% do vale e contribui com apenas 20% do deflúvio anual.
Os aluviões recentes, os arenitos e calcários, que dominam boa parte da bacia de drenagem, funcionam como verdadeiras esponjas para reterem e liberarem as águas nos meses de estiagem, a tal ponto que, em Pirapora (MG), Januária (MG) e até mesmo em Carinhanha (BA), o mínimo se dá em setembro, dois meses após o mínimo pluvial de julho.
À medida que o São Francisco penetra na zona sertaneja semiárida, apesar da intensa evaporação, da baixa pluviosidade e dos afluentes temporários da margem direita, tem seu volume d'água diminuído, mas mantém-se perene, graças ao mecanismo de retroalimentação proveniente do seu alto curso e dos afluentes no centro de Minas Gerais e oeste da Bahia. Nesse trecho o período das cheias ocorre de outubro a abril, com altura máxima em março, no fim da estação chuvosa. As vazantes são observadas de maio a setembro, condicionadas à estação seca.

História

Povos originais

Tradicionalmente, a etnia Xakriabá ocupa boa parte da extensão do rio São Francisco.

Colonização

Como escreveu Guimarães Rosa, sua história tem sido a história do sofrimento de um rio que há mais de quinhentos anos é fonte de vida e riqueza. Seu descobrimento é atribuído ao navegador florentino Américo Vespúcio, que navegou em sua foz em 1501. A 4 de outubro desse mesmo ano, uma expedição de reconhecimento descia a costa brasileira, rente ao litoral, comandada por André Gonçalves e Américo Vespúcio e vinda do cabo de São Roque. O nome é homenagem a São Francisco de Assis, festejado naquela data. A região da foz era habitada pelos índios, que a chamavam Opará, que significa algo como “rio-mar”. Outra expedição, em 1503, chegou à foz, comandada porGonçalo Coelho, outra vez com Américo Vespúcio. O rio era visitado apenas nas cercanias da foz, pois a mata, a caatinga desconhecida e as tribos ferozes impediam os brancos de penetrar na terra.

Expedições, entradas, bandeiras

Entre 1535 e 1560, o primeiro donatário da capitania de Pernambuco, Duarte Coelho Pereira, fundou a cidade de Penedo, no atual estado de Alagoas. Foi o primeiro núcleo povoador das margens, fundada a quase 40 quilômetros da costa. A localização estratégica do povoado, à porta do sertão, mereceu também atenção dos holandeses, tanto que, mais tarde, em 1637, conseguiram nele erigir um forte.
Os franceses já frequentavam a costa, e com certeza por volta de 1526 estiveram no rio São Francisco, tanto que uma pequena baía, próxima à foz, recebeu o nome de Porto dos Franceses. Nas proximidades, ocorreu o famoso naufrágio de uma nau que levava D. Pero Fernandes Sardinha, primeiro bispo do Brasil. Escapando do naufrágio, em 1556, foi preso e devorado pelos índios caetés. As tribos indígenas que ali viviam eram chamadas pelos tupis de tapuias, pois era assim que chamavam qualquer tribo que não tivesse a mesma língua. Havia basicamente na costa do Brasil dois grupos indígenas distintos: os Tupis e os Gês.
A colonização do vale do médio rio se efetuou em duas épocas distintas, a segunda delas quase um século depois da outra. Os primeiros estabelecimentos no médio São Francisco iniciaram-se no extremo a jusante. Exploradores de Olinda, fundada em 1534 e de Salvador, em 1549, se aventuraram pelo vale do rio entre dificuldades imensas, dadas à agressividade da natureza e à presença de selvagens. Um dos primeiros núcleos de colonização foi estabelecido em Bom Jesus da Lapa. Uma expedição vinda de Olinda, entre 1534 e 1550, chegou à região, atingindo Lapa. Anos depois outra expedição, de Salvador, aí esteve. Na metade do século, um grupo de 200 homens fundou ali um estabelecimento e numerosas fazendas de gado. No fim do século XVII a história registra a existência de uma fazenda de gado, próxima à atual cidade da Barra, o principal posto de abastecimento do médio São Francisco.
Com a autorização da coroa portuguesa, em 1543 começou a criação de gado, atividade que marca a história do vale. A exploração se limitava ao litoral, principalmente por causa dos indígenas. Os pancararus, atikum, kimbiwa, truká, kiriri, tuxás e pancararés, são remanescentes atuais dos povos antigos. Lendas sobre riquezas extraordinárias atraíam aventureiros; pensavam encontrar ouro e pedras preciosas. Corriam, sobretudo em Porto Seguro, informações delirantes sobre tribos que se enfeitavam com ouro, pedras verdes e diamantes. Por ordem do rei Dom João III, o governador-geral Tomé de Sousa determinou a exploração do rio, em 1553, a Francisco Bruza de Espinosa, que formou a primeira entrada de penetração, levando um jesuíta basco, João de Azpilcueta Navarro. O roteiro dessa viagem e uma carta do padre são os primeiros documentos que descrevem o rio São Francisco. Não se acharam, porém, as sonhadas minas de ouro e prata, como havia nas terras espanholas do Alto Peru.
Duarte Coelho Pereira, governador, organizou uma expedição cujos navios entraram pela foz, lutou contra os franceses, ali encontrados, que faziam escambo com os indígenas, e os expulsou. Nessa oportunidade, navegou poucas léguas rio acima. Em 1560, um filho de Duarte Coelho, Duarte Coelho de Albuquerque, o segundo donatário de Pernambuco, e seu irmão Jorge lutaram cinco anos contra os caetés.
O rio foi visitado em 1561 pela expedição de Vasco Rodrigues de Sousa e em 1575 na entrada denominada de "Mata-Negro". Marco de Azevedo viajou ao interior com um grupo, em 1577. Sabe-se, também, que em 1583 João Coelho de Sousa penetrou o sertão e chegou ao rio.
Em 1587, o governador Luís de Brito determinou a exploração do rio São Francisco e entregou a responsabilidade a Sebastião Álvares, numa iniciativa fracassada. Gaspar Dias de Ataíde e Francisco Caldas viram sua expedição dizimada em 1588. Em 1590, Cristóvão de Barros entrou pela região, que hoje é o estado de Sergipe, até o baixo São Francisco, estabelecendo um caminho que serviria aos colonizadores e como defesa contra os franceses.
Em 1595, um descendente de Caramuru, Melchior Dias Moreira, de acordo com carta escrita ao Conde de Sabugosa, teria penetrado e ultrapassado o rio São Francisco. Guiados pela cobiça, os colonizadores foram dizimando os índios, que fugiam para o planalto central. Assim, ergueram-se os primeiros e pequenos arraiais, iniciando o domínio da região.
A alcunha «Rio da Integração Nacional» se deve às entradas e bandeiras que nos séculos XVII e XVIII usaram-no como rota para penetrar no interior. Outro nome, «rio dos Currais», se deve a ter servido de trilha para fazer descer o gado do Nordeste até a região das Minas Gerais, sobretudo no início do século XVIII, quando se achava ali o ouro que fez afluir milhões de pessoas à terra, fazendo a fortuna de muita gente e, afinal, integrando a região Nordeste às regiões Leste, Centro-Oeste eSudeste.
Em 1675, jazidas de ouro são encontradas em afluentes do São Francisco pela bandeira de Lourenço de Castanho que massacrou os cataguases da região. Entre as dezenas de expedições dos bandeirantes que palmilharam o São Francisco contam-se Matias Cardoso, Domingos Jorge Velho, Domingos Sertão, Borba Gato e Domingos Mafrense - este último subiu alguns afluentes, chegando às nascentes do rio Parnaíba. Em sua homenagem, há uma cidade chamada Vila Mafrense, no município de Paulistana, Piauí.
Nesta época, os reinóis enfrentavam ainda a resistência de escravos fugitivos. Os quilombos formavam uma verdadeira república negra que desafiou por muito tempo o domínio da Coroa. Em 20 de dezembro de 1695, uma tropa mercenária contratados por Portugal e pelos usineiros de açúcar da capitania de Pernambuco destruiu o último foco da resistência armada dos escravos, ligadas ao famoso Quilombo dos Palmares.
O Ciclo do ouro começou realmente com a bandeira de Fernão Dias Paes Leme, nas últimas décadas do século XVII. O rio das Velhas e o rio São Francisco formavam o caminho natural para o litoral e para Portugal. São Francisco acima subiam as mercadorias necessárias às minerações e fazendas, os barcos que regressavam traziam ouro. Logo se formaram quadrilhas de assaltantes nas estradas e, principalmente, no rio. Para combatê-las, as autoridades designaram bandeirantes como Matias Cardoso de Almeida, seu filho Januário Cardoso e Domingos do Prado Oliveira. Como muitas quadrilhas se refugiavam nas aldeias indígenas, o fato serviu de pretexto a expediçõesgenocidas, como a que Januário Cardoso e o português Manuel Pires Maciel Parente comandaram, destruindo a da maior aldeia indígena daquela região - Itapiraçaba, dos índios caiapós. No começo do século XVIII o bando de Domingos do Prado Oliveira destroçou a grande aldeia dos Guaiabas, na ilha fronteira a São Romão[desambiguação necessária], um pavoroso genocídio. Este bandeirante e sua gente tinham como base o povoado de Pedras de Cima, depois denominado Pedras dos Angicos.
Haveria mais de cem famílias paulistas desde 1690 no chamado «distrito dos couros», que era o vale do Rio São Francisco, com as zonas ribeirinhas dos afluentes, que teriam origem nos expedicionários bandeirantes chamados ao Norte contra os Tapuias e os quilombos, que como Borba Gato se dedicaram inicialmente ao gado - entre seus descendentes muitos dos contrabandistas que no século XVIII sangraram os Quintos do rei, rio abaixo, de bubuia, pelos direitos que se arrogam como detentores das datas e por crescentes exações da Real Fazenda, como o quinto e as capitações. Os paulistas estiveram sempre entre os fautores dos movimentos armados do início da capitania de Minas - a Guerra dos Emboabas, a rebelião de Pitangui, os famigerados motins do sertão com as românticas figuras de D. Maria da Cruz e do padre Antônio Mendes Santiago…

O sistema de sesmarias




O rio São Francisco

por Frans Post, 1635, Museu do Louvre

A ocupação só ocorreu por meio do sistema de sesmarias. O rio São Francisco ocupava parte das terras atribuídas à Casa da Torre
A Casa da Ponte, entretanto, recebeu como indenização por serviços prestados e gêneros fornecidos às guerras, 960 quilômetros de margem de rio, que tinham início no morro do Chapéu, no atual município de Jacaraci, estado da Bahia, estendendo-se até as nascentes do rio das Velhas, em Minas Gerais.



Em 1637, os holandeses invadiram o povoado de Penedo por causa de sua localização estratégica na foz do rio, onde construíram o Forte Maurício, em homenagem a Maurício de Nassau. O domínio holandês permaneceu forte até 1645, quando os portugueses retomaram a região. Outro fator importante da ocupação foram as missões religiosas, iniciadas por frades capuchinhos bretões a partir de 1641. No período da ocupação holandesa, o próprio Maurício de Nassau esteve no São Francisco, tendo dominado a área alagoana, até Penedo.
No sertão do São Francisco a pessoa mais importante foi Manuel Nunes Viana, que se tornou dono da maior fortuna do São Francisco pois obteve procuração da filha do senhor da Casa da Ponte, Isabel Guedes de Brito, para administrar as terras de herança e cobrar o foro sobre a sesmaria. E de homem pobre Manuel Nunes se transformou em potentado em gado e terras, durante o ciclo do couro, no vale do São Francisco, ajudando ainda ao contrabando do ouro para o porto de Salvador e desafiando o conde de Assumar em Vila Rica (atual Ouro Preto).

Missões religiosas


O rio São Francisco próximo a Propriá, em Sergipe

Ajudaram a ocupação as missões, registradas na região a partir de 1641. Franciscanos capuchinhos bretões instalaram os primeiros aldeamentos. Em um relato do frade Martim de Nantes se percebe o comportamento atrabiliário da família de Garcia d'Ávila, em constantes desentendimentos com os franciscanos. Os frades reclamavam da constante interrupção das missões que geralmente instalavam nas ilhas, áreas mais férteis; ora, os vaqueiros da Casa da Torre, no período da seca, que ali dura seis meses por ano, empurravam os rebanhos para comer a lavoura dos índios, obrigando-os a buscar alimento na caça, dispersando-se na caatinga e interrompendo o trabalho de catequese.
Atritos entre missionários e os herdeiros de Garcia d'Ávila permeiam a correspondência entre os sacerdotes e seus superiores. Culminaram na reprovação da ação dos barbadinhos bretões, por parte das viúvas da Casa da Torre. E afinal, na proibição oficial de qualquer comunicação da região com a do sul. Descoberto o ouro nas terras que ficariam conhecidas como Minas, temia a corte o descaminho pelo porto de Salvador, fazendo assim escapar do controle do governo a parte de 20% (o quinto) que cobrava o rei de Portugal. Assim, a carta régia de 1701 proíbe "quaisquer comunicações daquela parte dos sertões baianos com as minas dos paulistas nos sertões mineiros", ameaçando de severas penas os infratores. O que na verdade não impediu o contrabando, mas o tornou mais difícil… O isolamento seria prejudicial pois a região estagnou por falta de contato com comunidades mais cultas. Diz Lacerda: "Atravessa a região o século XIX em melancólico torpor, apenas sacudida pela curiosidade de alguns naturalistas botânicos egeógrafos que a visitaram, e pelo estrelejar das brigas de bandos adversos, facções medievais, como guelfos e gibelinos de gibão encourado, perpetuando rixas familiares, generalizando, com encontros intermitentes, as questões domésticas dos senhores do rio.» Mas o isolamento serviu por outro lado para gerar uma sociedade muito particular, com suas lendas, mitos, folguedos, medos, suas crenças, seu vocabulário.

Século XVIII


O rio São Francisco, em Sítio do Mato, na Bahia.

O Alto São Francisco só foi colonizado a partir da descoberta do ouro, ao término do século XVII e no começo do século XVIII. A região era apenas percorrida no século XVII por exploradores, provavelmente vindos do Norte, sem qualquer povoamento. Descoberto o ouro em 1698, no sítio onde se ergue hoje Ouro Preto, o Alto São Francisco se desenvolveu em consequência da prosperidade mineira, que se expandia. Muitos paulistas se fixaram no alto São Francisco, fundando cidades que hoje têm seus nomes. A descoberta de ouro em Goiás, por volta de 1720, intensificou o povoamento. Já no baixo São Francisco, o povoamento foi dificultado pela formação de aldeamentos de escravos fugitivos dos engenhos.
Desde o início do século XVIII, o desbravamento do São Francisco era completado por gente de Salvador e Recife. Para a fixação, concorreu a descoberta de ouro em Jacobina, no médio vale, junto da cabeceira de seu o afluente o rio Salitre, e pelo povoamento do Piauí, Maranhão e Ceará. Desenvolveram-se as fazendas de criação de gado.
O alto São Francisco a essa altura, estava também povoado e era cruzado pelas rotas de penetração que se dirigiam a Goiás ao longo da qual muita gente se fixava, na exploração de diamantes e ouro ou em fazendas de pecuária. João Leite da Silva Ortiz, auxiliar de Anhanguera, que em 1722 descobriu ouro em Goiás, terminou por viver no local onde se ergue hoje Belo Horizonte, montando fazenda na serra das Congonhas.
Durante o século XVIII, as contínuas descobertas de minerais e pedras provocaram novas colonizações nas áreas montanhosas, causando no vale do rio poucas alterações.Montes Claros, na bacia do rio Verde Grande, teve início neste século como uma área agrícola, e hoje é uma das cidades mais importantes.

Século XIX

Por volta de 1800, a indústria da mineração começou a declinar, e muitas cidades e povoados diminuíram em tamanho e importância. A agricultura substituiu a mineração. Cidades nascidas da mineração, subsistem da agricultura.
Os primeiros estudos sobre o aproveitamento do potencial socioeconômico foram realizados no século XIX. Em 1852, o engenheiro francês Emmanuel Liais foi contratado pelo imperador Dom Pedro II para estudar o rio e as possibilidades de desenvolvimento de sua navegação. Em 1855, o alemão Henrique Halfeld, contratado pelo Império, desenvolveu estudos semelhantes. Os trabalhos de Halfeld e Liais são considerados os mais importantes do século XIX pela abrangência e pelo rigor técnico
Estiagem de 2014

Devido à severa estiagem na Região Sudeste do Brasil em 2014, em 23 de setembro de 2014 o diretor do Parque Nacional da Serra da Canastra informou em entrevista que a principal nascente do rio São Francisco, localizada em São Roque de Minas, secou. Segundo o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), Anivaldo Miranda, a situação ameaça o nível das barragens da usina hidrelétrica de Três Marias e de usina hidrelétrica de Sobradinho, além de comprometer a biodiversidade e a qualidade da água do rio.

Transposição


Mapa da Transposição — Fonte: Ministério da Integração Nacional/Governo Federal

A transposição do rio São Francisco se refere ao antigo projeto de transposição de parte das águas do rio São Francisco, nomeado pelo governo brasileiro como "Projeto de Integração do rio São Francisco com Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional". O projeto é um empreendimento do Governo Federal, sob a responsabilidade do Ministério da Integração Nacional – MI. Orçado, atualmente, em R$ 6,8 bilhões, que prevê a construção de dois canais que totalizam 700 quilômetros de extensão. O projeto prevê a irrigação da região semiárida do nordeste brasileiro. O ponto polêmico no projeto tem como base o fato de ser uma obra cara e que, supostamente, abrangeria apenas 5% do território e 0,3% da população do semiárido brasileiro e que afetaria intensamente o ecossistema ao redor de todo o rio São Francisco. Há também o argumento de que essa transposição só iria beneficiar os grandes latifundiários nordestinos pois grande parte do projeto passa por grandes fazendas e os problemas com a seca no Nordeste não seriam solucionados. O principal argumento da polêmica dá-se sobretudo pela destinação do uso da água: os críticos do projeto alegam que a água seria retirada de regiões onde a demanda por água para uso humano e dessedentação animal é maior que a demanda na região de destino e que a finalidade última da transposição é disponibilizar água para a agroindústria e a carcinicultura.

Geografia


O cânion do rio São Francisco localizado na cidade de Canindé de São Francisco, divisa de Alagoas eSergipe

Segundo fontes governamentais, tem uma extensão de 2 830 km e uma declividade média de 8,8 cm/km. A média das vazões na foz é de 2 943 m³/s, e a velocidade média de sua corrente é de 0,8 m/s (entre Pirapora e Juazeiro.
O rio São Francisco banha cinco estados, recebendo água de 90 afluentes pela margem direita e 78 afluentes pela margem esquerda, num total de 168 afluentes, sendo 99 deles perenes. É um rio de grande importância econômica, social e cultural para os estados que atravessa. Folcloricamente, é citado em várias canções e há muitas lendas em torno das carrancas (entidades do mal que até hoje persistem. Os trechos navegáveis estão no seu médio e baixo cursos. O maior deles, entre Pirapora e Juazeiro - Petrolina, com 1 371 km de extensão, pode ser analisado em três subpartes, devido a algumas características distintas de seus percursos. O primeiro subtrecho, que se estende de Pirapora até a extremidade superior do reservatório de Sobradinho, próximo à cidade de Xique-Xique, tem 1.074 km de extensão. No médio São Francisco, a navegação é exercida pela FRANAVE, com frota de comboios adequada às atuais condições da via.
As principais mercadorias transportadas são cimento, sal, açúcar, arroz, soja, manufaturas, madeira e principalmente gipsita. No baixo e médio São Francisco, promove-se o transporte de turistas em embarcações equipadas com caldeiras a lenha. Atualmente o rio São Francisco está sendo transposto. O que está dividindo opiniões entre brasileiros que vivem nos estados banhados pelo rio.Características físicas
Declividade Média: 8,8 cm/km
Média das Vazões na Foz: 2.943 m³/s
Velocidade Média de Corrente: 0,8 m/s (entre Pirapora - MG e Juazeiro - BA).

Principais afluentes


Condições pluviométricas


Cheia do rio São Francisco no município de Bom Despacho, em Minas Gerais

As condições pluviométricas, no baixo curso do São Francisco, diferem das constatadas no médio e alto cursos. No baixo vale os meses mais chuvosos são, geralmente, os de maio, junho e julho. O período de estiagem perdura de setembro a fevereiro, sendo outubro o mês menos chuvoso.
No médio e alto vales as maiores precipitações vão de novembro a março. O período menos chuvoso inicia-se em abril, estendendo-se até outubro, sendo junho, julho e agosto os meses de menores precipitações.

Importância econômica


O Complexo Hidrelétrico de Paulo Afonso é um conjunto de usinas, localizado na cidade de Paulo Afonso, que produz 4.000 megawatts de energia, gerada a partir do desnível natural de 80 metros da cachoeira de Paulo Afonso, no rio São Francisco.

O rio São Francisco é também o maior responsável pela prosperidade de suas áreas ribeirinhas compreendidas pela dominação de Vale do São Francisco, onde cidades experimentaram maior crescimento e progresso como Petrolina em Pernambuco e Juazeiro na Bahia devido a agricultura irrigada. Essa região apresenta-se atualmente como a maior produtora de frutas tropicais do país, recebendo atenção especial, também, a produção de vinho, em uma das poucas regiões do m
undo que obtêm duas safras anuais de uvas.

Hidrovia

Equivalente à distância entre Brasília Salvador, essa é, sem dúvida, a mais econômica forma de ligação entre o Centro Sul e o Nordeste.
Com o seu extremo sul localizado na cidade de Pirapora, a hidrovia do São Francisco é interligada por ferrovias e estradas aos mais importantes centros econômicos do Sudeste, além de fazer parte do Corredor de Exportação Centro-Leste. Ao norte, nas cidades vizinhas a Juazeiro e Petrolina, a hidrovia está ligada às principais capitais do Nordeste, dada a posição geográfica destas duas cidades.
O rio São Francisco oferece condições naturais de navegação durante todo o ano, cuja profundidade varia de acordo com o regime de chuvas (calado). Seu porto mais importante é o de Pirapora, interligado aos portos fluviais de Petrolina e Juazeiro e aos marítimos deVitória, Rio de Janeiro, Santos, Salvador, Recife e Porto de Suape, através de rodovias e ferrovias.
Em grande parte do vale do São Francisco as áreas mais propícias ao aproveitamento agrícola situam-se às margens do mesmo. Por esse motivo a maior parcela da população do vale se encontra nas proximidades do rio.
A hidrovia do São Francisco, através do programa "AVANÇA BRASIL", passa por uma etapa de grandes intervenções físicas. Aliadas a isso estão as ações de operacionalidade da via.
Todas essas ações permitirão que a hidrovia do São Francisco atenda a crescente demanda de tráfego, não só na região ribeirinha, mas de todo o país, consolidando-se, assim, como um dos principais elos entre o Sudeste e o Nordeste.

Condições de navegabilidade

O rio São Francisco oferece condições naturais de navegação entre Pirapora e Petrolina/Juazeiro durante todo o ano, com variação de calado segundo o regime de chuvas. É navegável em seus trechos Médio e Baixo, sendo o Médio São Francisco compreendido entre Pirapora e Petrolina/Juazeiro e o Baixo entre Piranhas e a foz. Devido as diferentes características físicas existentes ao longo da via navegável, subdivide-se o trecho Pirapora a Petrolina/Juazeiro em três subtrechos, a saber:Pirapora a Pilão Arcado


PIRAPORA
O trecho Pirapora a Pilão Arcado, com 1.015 km de extensão, apresenta condições bastantes distintas entre o período de estiagem e o de cheia, ocorrendo variações de níveis de até 6,00 m. Na cheia o leito do rio é largo e regular, com estirões naturalmente navegáveis. No período de estiagem, a área molhada é menor, o talvegue se desenvolve entre ilhas e bancos de areia móveis ao longo do canal, que é desobstruído a medida que se torna necessário para manter a segurança da hidrovia. Há também, a existência de travessões rochosos e pedrais em alguns trechos, pedrais junto a margem e pedras isoladas no leito do rio, que são devidamente sinalizados e balizados, garantindo navegação segura. Quanto aos bancos de areia estima-se um volume anual de dragagem na ordem de 150.000m3 a 250.000m3, dependendo das condições do rio. Para todos os pedrais existentes, é feita sinalização com placas e boias, e para alguns deles são feitos estudos quanto a possibilidade de derrocamento.Pilão Arcado à Barragem de Sobradinho
De Pilão Arcado à Barragem de Sobradinho, a navegação é feita pelo Lago de Sobradinho ao longo de 314 km, caracterizando-se como navegação lacustre com excelentes profundidades.Sobradinho a Petrolina/Juazeiro
Trecho com 42 km de extensão e largura variando de 300 a 800m, garante calado de 2,00 m para uma vazão da Barragem de Sobradinho de 1.500m3 /seg. (A vazão defluente regularizada da U.H. de Sobradinho é de2.063m3 /seg).Paulo Afonso a Canindé de São Francisco
De Paulo Afonso a Canindé de São Francisco é navegável do cânion do São Francisco, entre o Complexo Hidrelétrico de Paulo Afonso e a Usina Hidrelétrica de Xingó.

Usina Hidrelétrica de Xingó.

Com uma extensão de 208 km, apresenta navegação turística.


Panorama da Usina Hidrelétrica de Sobradinho





VELHO CHICO


LENDAS E MITOS DO RIO SÃO FRANCISCO



TRÊS MARIAS

Conta a gente mais velha da terra que, há muitos e muitos anos, vivia às margens do Rio São Francisco e do Rio Borrachudo, a família do Sr. Miguelim e D. Helena. Da varanda da casa, avistavam-se as três ilhas, onde a flora e fauna eram exuberantes. Ao lado viam-se as águas cristalinas dos rios que passavam dia e noite. Da união do Sr. Miguelim e D. Helena, nasceram muitos filhos: Tico, Neco, Tunico, Gê, Tiãozinho, Chiquinho, Zezinho, Juninho, Zuza, Popó, Zinho, Dunga, Dão, Nana, Duda, Iam, Niquinha, Lica e as trigêmeas Já (Maria Loredo), Lia (Maria ‘Teresa), Tita (Maria Amônia). As trigêmeas eram lindas moças de longos cabelos negros, corpo esbelto, sorriso alegre. Encantavam as pessoas, irradiando uma beleza suave. Elas gostavam de nadar no Rio São Francisco. Eram sereias sob as águas. Mais pareciam cristais moles, confundindo-se com a água pela transparência da cor azulada. As Marias eram religiosas. Iam sempre à missa, uma vez por mês, por cortesia. Elas tinham por talento a voz. Gostavam de cantar, principalmente à noite, após o pôr-do-sol, naquele momento mágico, quando o rio se mistura com a noite. Nas margens do Rio São Francisco, em um certo trecho, havia muitas pedras que formavam uma espécie de cadeiras, poltronas com braços também de pedras. Assim como um encosto de uma muralha íngreme. Naquela cadeira que a natureza esculpiu com o tempo, as Marias gostavam de se sentar e ali permanecer por longo tempo vendo o rio caminhar devagar, os pescadores, os viajantes.., e sentir o afago da brisa. Certo dia, como de costume, as Marias foram para o seu esconderijo no regaço das pedras e nunca mais foram vistas. Depois que as Marias desapareceram, os moradores da região, barranqueiros, viajantes, navegantes e pescadores passaram a chamar as três ilhas de Três Marias. As ilhas desapareceram um dia com a construção da Barragem, ficando a região conhecida como Três Marias em homenagem às belas sertanejas. 


 Velho Chico

A carranca nos barcos não é uma escultura de um animal conhecido. É um monstro, um ser fantástico capaz de assustar o “Negro d’Água”. Existe uma crença entre os barqueiros que, antes de o barco afundar por qualquer acidente, a carranca dá o aviso. Ouvem-se claramente três gemidos. Debaixo dos barcos do Rio São Francisco é costume traçar, em baixo relevo, um signo de Salomão. Dizem ser preciso que fique bem escondido, debaixo d’água, para que ninguém o veja. Este signo serve para afastar o “Negro d’água”, virador de canoas.

Outras histórias 

O São Francisco como qualquer rio desperta na comunidade ribeirinha os mais profundos sentimentos afetivos, exercendo enorme influencia sobre o imaginário das pessoas, criando as mais diversas lendas e mitos, firmando por conseqüência a identidade cultural desse povo. Assim justifico a postagem de uma pequena seqüência de mitos e lendas que permeiam nas comunidades que vivem a margem do Velho Chico.

A Lenda da Origem do Rio

Vivia os índios, nos chapadões, em várias tribos felizes. Entre esses estava uma linda mulher, a doce Iati. Era noiva de um forte guerreiro, quando houve uma guerra nas terras do norte e todos os guerreiros se foram para a luta. Eles eram tantos que os seus passos afundaram a terra formando um grande sulco. Entre eles se foi o noivo da formosa índia que tomada de saudades pelo seu amado chorou copiosamente. Suas lágrimas foram tantas que escorreram pelo chapadão despencando do alto da serra formando uma linda cascata, e caindo no sulco criado pelos passos dos Guerreiros, escorreram para o norte e lá muito longe se derramou no oceano, e assim se formou o rio São Francisco.

O Rio Dorme

A lenda do sono conta que o Velho Chico, que trabalha o dia inteiro para atender as necessidades das pessoas, e a meia noite as águas adormecem, o rio se aquieta por alguns minutos, e todos os seres de suas águas adormecem. Nesses poucos momentos não se pode despertá-los, pois acordados as águas se enfurecem virando as canoas e inundando as terras. Não se deve, portanto desrespeitar o leve sono das águas. Quando o rio dorme as almas dos afogados se dirigem para as estrelas, a mãe d'água sai e se senta nas pedras no meio do rio e enxuga os longos cabelos, os peixes param no fundo do rio, as cobras perdem o veneno. Se alguém despertar as águas ficam tumultuadas e boiam todos os cadáveres dos afogados e não há quem possa navegar. Essa calmaria pode parecer o momento ideal para se pescar e navegar, mas a lenda conta que o despertar do rio pode custar caro



O Nego D’água ou Caboclo D’água



NEGO D'ÁGUA OU NEGRO D'ÁGUA

Diz a lenda que o Negro D'água ou Nego D'água habita diversos rios tais como o rio Tocantins, Rio Grande e o rio São Francisco onde possui um monumento do escultor juazeirense Ledo Ivo Gomes de Oliveira, obra com mais de doze metros de altura e que foi construída dentro do leito do rio São Francisco, em sua homenagem, na cidade de Juazeiro (Bahia).
Manifestando-se com suas gargalhadas, preto, careca e mãos e pés de pato, o Negro D'água derruba a canoa os pescadores, se eles se lhe recusarem dar um peixe.
Em alguns locais do Brasil, ainda existem pescadores que, ao sair para pescar, levam uma garrafa de cachaça e a atiram para dentro do rio, para que não tenham sua embarcação virada.
Esta é a História bastante comum entre pessoas ribeirinhas, principalmente na Região Centro-Oeste do Brasil, muito difundida entre os pescadores, dos quais muitos dizem já ter o visto.
Segundo a Lenda do Negro D'Água, ele costuma aparecer para pescadores e outras pessoas que estão em algum rio.
Não se há evidências de como surgiu esta Lenda, o que se sabe é que o Negro D'Água só habita os rios e raramente sai dele, sua função seria como amedrontar as pessoas que por ali passam, como partindo anzóis de pesca, furando redes dando sustos em pessoas a barco,etc.


Suas características são muito peculiares, ele seria a fusão de homem negro alto e forte, com um anfíbio. Apresenta nadadeiras como de um anfíbio, corpo coberto de escamas mistas com pele.

Há quem afirme de viva voz que já viu aquela figurinha atarracada de cabeça grande e olho no meio da testa. O "nego d'água" que habita nos locais dos rochedos do meio do rio, como também escava suas covas na base do barranco da beira do rio, o que provoca tombamento do mesmo. Para afugentá-lo desses locais que terminava alargando o rio, os beiradeiros jogam nesse ponto cacos de vidro, que amedrontam o caboclo d'água. Apesar de viver também fora d'água ele nunca se afasta muito da beira do rio. Quando não gosta de um pescador, afugenta os peixes, tange-os para longe da rede de pesca. Como a caipora, adora fumo, costume que faz com que os pescadores atirem fumo a água para cair nas graças do negrinho que gosta desse agrado, costuma aparecer nas casas de farinha das ilhas ou dos barrancos e noite de farinhada, comumente depois que os trabalhadores se acomodam para dormir, passeando entre os que estão adormecidos, para roubar-lhes fumo ou beijo.



É em personagem encantada transformando-se em outro animal ou objeto. Um pescador contou que pescava a noite quando percebeu um vulto de um animal morto boiando na correnteza. Remou apressadamente em direção ao animal, percebendo ao se aproximar que se tratava de um cavalo, e aí tentou encostar a canoa para verificar a marca ou ferro, para avisar ao dono, quando o animal afundou e logo em seguida, a canoa foi sacudida, percebendo o pescador que um nego d'água agarrado à borda da embarcação tentava virá-la.
Nesse instante lembrou-se o pescador que trazia um pequeno pedaço de fumo, que imediatamente atirou para o neguinho que dando cambalhotas, desapareceu no fundo das águas. Alguns dizem que existe apenas um nego d'água em todo o rio, outros dizem que são muitos. O fato é que o nego d'água, povoa a imaginação de todo menino beiradeiro, o que sossega os corações das mães, pois a noite os pequenos só se aproximavam da água acompanhados por adultos.
O fato de ter ficado por longo período isolado desenvolveu, no são franciscano, suas crendices e medos dentro do seu próprio universo. Nada trazido de outras regiões. A maioria dos duendes, bons ou maus, são ligados a água, da qual fazem seu habitat.

O Minhocão


O escritor barranqueiro Wilson Lima, assim se refere ao minhocão “O minhocão” ou surubim rei, é o rei do rio, mandando e desmandando em tudo na vontade dos peixes e na vontade das águas. Na opinião de muitos "o minhocão" é um surubim de mais de trezentos anos de idade que perdeu as barbatanas de tão velho, ficou roliço sem escamas e que enfurecido por isso vive fazendo mal, virando embarcações, comendo os outros peixes. Dizem que do minhocão nascem os porcos d'água, monstros das profundezas, muito feios, que têm a frente de porco e o resto do corpo de peixe e que nadam muito, e sob as ordens do minhocão cavam os barrancos fazendo-os tombar e danificam assim as roças de vazante plantadas pelos beiradeiros.

A Pesadeira


Uma mulher com um gorro vermelho na cabeça que se senta no peito daqueles que dormem de papo pro ar. Por isso é que há sempre a recomendação a todos que são estranhos ao vale quando ali chegam são advertidos para não dormir nesta posição, pois a pesadeira virá sentar-se no peito desse desprevenido, mas há uma vantagem, aquele que conseguir tirar ou roubar sua roupa da pesadeira, a torna sua escrava e conseguirá tudo que desejar.
Contam que certo beiradeiro deitou-se para a sesta, quando sentiu o peso da pesadeira sentada em seu peito. Ainda entre dormindo e acordado o sabido estendeu o braço e tirou a touca da pesadeira que satisfez todos os seus desejos; era muito pobre, se tornou o homem mais rico da região.

A lenda da Mãe d’água – Rio São Francisco


A Mãe D’água vive no fundo do rio, lá no seu palácio encantado, e se veste com lindos vestidos da cor do céu, das águas, e cheios de estrelinhas vindas do céu e também de peixinhos do rio e outros vindo domar. Um encanto!
A Mãe D’água é linda, tem cabelos louros, que ora ficam pretos também. Seu sorriso é brilhante e sua voz divina. Seu canto é ouvido ate longas distâncias. É um canto que encanta, fazendo com que homens entrem em sua águas, e sejam levados pela correnteza até o fundo do rio à procura dessa canção.
No mar ela recebe o nome de Janaína, Senhora do mar, e Yemanjá. Nos rios, lagos, outros a chamam de Oxum, Oxum Apara, e aqui no Rio São Francisco nós a conhecemos como a Mãe D’água. Sendo uma mulher do rio, uma linda mulher e rainha, visita as lavadeiras e só com o seu sorriso e olhar poderá ajuda-las nas pesadas tarefas da lavagem de roupas.
As pessoas da população ribeirinha falam que já viram a Mãe D’água diversas vezes, conversam com ela, têm momentos felizes e para agradecer as visitas, compram sabonetes, perfumes, rosas, anéis, colares, espelhos, e levam para ofertar e o fazem cantando, depositando como carinho os presentes nas águas do rio, e no momento das oferendas as ondas do rio ficam agitadas, fazem maretas mesmo, embelezando mais o Angary, o local do rio onde ela aparece.

A lenda da Serpente da Ilha do Fogo


Dizem que há muito tempo atrás, uma menina que morava na cidade de Juazeiro era possuidora de uma grande beleza. Certo dia, nas margens do rio São Francisco, ela permaneceu por muitas e muitas horas olhando seu reflexo nas águas que estavam cristalinas e acabou esquecendo das horas e da sua casa. Quando chegou às 18 horas, no badalar do sino, ela se transformou em uma gigante e terrível serpente.
A lenda conta que a serpente tem muitos metros de comprimento e que hoje vive debaixo de um morro na Ilha do Fogo, entre Juazeiro e Petrolina, iluminando as noites sem luar. Muitos pescadores e barqueiros afirmam terem visto os focos de luz que vem dos olhos da serpente. Ela estaria presa por três fios de cabelo de Nossa Senhora das Grotas, padroeira da cidade de Juazeiro, e que quando esses fios partirem, ela se soltaria e toda a região seria inundada, sem restar mais vida humana na região.
Para completar, também reza a lenda que, dois fios já se partiram provocando grandes inundações na região e que a culpa disso são os muitos pecados cometidos pelas duas cidades.
O que não falta são lendas na região da bacia do rio São Francisco, mas o que é mais interessante é que a maioria delas gira em torno do Velho Chico e que, no final das contas, é em sua própria defesa e geralmente em prol do bem da população.

CARRANCAS


Os dicionários de língua portuguesa definem a palavra carranca, como sendo figura sombria, de cara feia e disforme, indicativo de mau humor.
Segundo os historiadores, as barcas que circulavam pelo rio São Francisco foram as únicas embarcações primitivas de povos ocidentais que usaram figuras de proa ou carrancas.


Essas esculturas surgiram na cultura nordestina, mais propriamente no meio da civilização ribeirinha do Médio São Francisco por volta de 1875/1880 e durou até o ano de 1940, quando se encerrou o ciclo das embarcações no Brasil.
Essas figuras ocupam lugar de destaque na arte popular nordestina, pela expressividade artística e pela originalidade tipicamente brasileira.
Existem muitas versões históricas sobre o aparecimento das carrancas, na região nordestina. Porém a tese decorrente de estudos antropológicos, que possui maior probabilidade, é a que defende o aspecto lendário das carrancas, que segundo a crença e o misticismo do povo primitivo que habitava aquela região, as carrancas serviam de amuletos de proteção e salvaguardavam os barqueiros, viajantes e moradores contra as tempestades, perigos e maus presságios.
Serviam também para espantar os animais e os duendes moradores do rio São Francisco que de noite saiam das profundezas das águas para assombrar barqueiros, tentar mulheres e roubar crianças. Esses seres ao verem as figuras das carrancas nas proas, de olhos esbugalhados, de bocas enormes escancaradas e agressivas, se espantavam e se recolhiam aos seus esconderijos.
A forte tendência à submissão e à crença no poder sobrenatural das carrancas é explicado a partir do primitivismo e ingenuidade dos habitantes, que eram povos extremamente supersticiosos e acreditavam em várias lendas.
Quanto ao aspecto econômico pode-se dizer que o surgimento dessas figuras horripilantes de aspecto grosseiro, talhadas em madeira, tenha sido um dos mais relevantes motivos para a emancipação comercial, política e social da região do Médio São Francisco.
A característica plástica predominante em todas as carrancas, corresponde ao fato delas apresentarem fisionomias de animais, cabeças de humanos e vice-versa. E o traço mais marcante dessas figuras são as vastas cabeleiras e os olhos de humanos que elas possuem.
Cabe aos artesãos nordestinos da região do Médio São Francisco, o mérito pela criação de uma imaginária popular, de aspecto mítico e decorativo, baseada na cultura regional, porém com fortes influências da arte peninsular da Idade Média.


Com o declínio do ciclo das barcas no Brasil, em 1940, essas esculturas artesanais deixaram de ser figuras de proa e passaram a ser objetos de arte popular presentes nos museus, exposições, feiras artesanais e coleções.
Um dos principais e mais famosos artesãos do ciclo das barcas foi o escultor Francisco Biquiba Dy Lafuente Guarany, que durante toda sua trajetória, semeou e difundiu seus dotes artísticos com o povo de sua região. Hoje é grande o número de artesãos espalhados pelos sertões do Nordeste do Brasil.
Devido à grande procura e aceitação, o comércio das carrancas expandiu-se muito, tornando-se uma atividade alternativa para os carranqueiros do Nordeste.
Fazer carrancas além de ser uma expressão significativa da arte popular, é uma atividade rentável para o artesão.

Lontras 


“Lontras”As lontras são bonitas e moram no Rio São Francisco.
São exímias nadadeiras.Nadam bem e bonito.
Elas são cobiçadas. Seu pelo é marrom, macio tal qual um belo veludo. Muitos chegam a confundi-las com o Nego D’água, quando estão fazendo piruetas nas andanças em natação.
Dizem que, quem vê uma Lontra é sinal de boa sorte, e um futuro feliz.
As bonitas prenunciam sorte, felicidade, fortuna e muito verde no sertão.
Vê-las é um começo de vida feliz.


ROMÃOZINHO


Romãozinho é uma criatura do folclore brasileiro. Ele é um menino, filho de um agricultor e já nasceu mau e sem pau. Ele sempre gostou de maltratar os animais e destruir as plantas.
Uma vez, sua mãe mandou-o levar o almoço ao pai, que trabalhava na roça. Ele foi de má-vontade. No meio do caminho, ele comeu a galinha, colocou seus ossos na marmita e levou-a ao pai. Quando o pai viu os ossos em vez da comida, ele perguntou o que aquilo significava. Romãozinho, perfidamente, disse:
- Deram a mim isso... Eu penso que minha mãe comeu a galinha com o homem que vai a nossa casa quando você não está lá, e enviou-lhe somente os ossos.
Enlouquecido de raiva, o pai voltou logo para casa, puxou do punhal e matou a esposa. Antes de morrer, a mãe amaldiçoou o filho que ria, dizendo:
- Você não morrerá nunca! Você não conhecerá o céu ou o inferno, nem repousará enquanto existir um vivente sobre a terra!


Romãozinho riu ante a maldição e foi embora. Desde então, o menino nunca cresceu, anda pelas estradas e faz travessuras: quebra as telhas dos telhados a pedradas, assusta os homens e tortura as galinhas.
Mas também às vezes faz coisas boas. Há uma história que diz que uma mulher grávida estava sózinha e entrou em trabalho de parto, e no desespero chamou por Romãozinho e este foi à casa da parteira que depenava uma galinha, a galinha de repente saiu da mão dela e saiu voando, a parteira saiu correndo atrás e a galinha foi jogada na casa da mulher que estava em trabalho de parto.
Este mito é algo semelhante ao do judeu-errante, que também nunca morreu por causa de uma maldição. Muitos acreditam que o Romãozinho atua hoje, em crianças vândalas e menores infratores, que, influenciados pelo moleque fazem as piores crueldades por aí.

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