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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

CARRANCAS DE FERRO FUNDIDO: OS SOLDADINHOS E OS BUSTOS FEMININOS QUE ENFEITAVAM AS JANELAS ANTIGAS

Pequenos personagens de ferro que guardavam as janelas de madeira das casas, dos sítios e das antigas fazendas

Eles tinham rostos de homens, soldados e mulheres. Alguns exibiam chapéus, penteados elaborados e expressões sérias; outros apresentavam traços delicados, como pequenas esculturas em miniatura. Presos às janelas de madeira, esses personagens de ferro faziam parte das ferragens utilizadas nas construções antigas.

Conhecidas popularmente como carrancas, bonecas ou soldadinhos de janela, essas peças uniam uma função prática a um acabamento decorativo bastante peculiar. Embora pequenas, chamavam a atenção pela aparência e pela variedade de formas, especialmente nos modelos que apresentavam rostos humanos e bustos femininos.

Hoje, essas ferragens despertam a curiosidade de colecionadores, antiquários e pessoas apaixonadas pela arquitetura de antigamente. Algumas ainda são encontradas em casarões preservados; outras sobreviveram às reformas e demolições, permanecendo guardadas como lembranças de antigas propriedades rurais.

Mas quem eram essas pequenas figuras? Por que algumas tinham aparência de soldados enquanto outras representavam mulheres? E como eram utilizadas nas janelas de madeira?

ANA DAS CARRANCAS: A DAMA DO BARRO QUE TRANSFORMOU A DOR, A FÉ E A ESPERANÇA EM ARTE

Uma mulher sertaneja que conquistou o Brasil com as próprias mãos

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No coração do sertão pernambucano, uma mulher de origem humilde transformou uma matéria-prima simples em um dos trabalhos mais reconhecidos da arte popular brasileira. Seu nome era Ana Leopoldina dos Santos, mas o Brasil aprendeu a conhecê-la como Ana das Carrancas, a inesquecível Dama do Barro.

Sua história é marcada pela perseverança, pela criatividade, pela fé e por uma ligação profunda com o barro. Com as próprias mãos, Ana deu forma a figuras de expressões fortes, bocas abertas, dentes aparentes e olhos vazados, criando um estilo tão particular que suas obras se tornaram reconhecíveis entre inúmeras outras manifestações do artesanato brasileiro.

Mais do que produzir objetos decorativos, Ana construiu uma linguagem artística que carregava sua identidade, suas experiências e sua maneira de compreender o mundo.

Sua trajetória também revela a força das mulheres artesãs nordestinas, que, durante gerações, trabalharam para sustentar suas famílias, preservar conhecimentos tradicionais e transmitir às novas gerações uma cultura construída com paciência e dedicação.

Ana não nasceu em uma família rica, não frequentou uma escola de belas-artes e não precisou abandonar suas origens para conquistar reconhecimento. Pelo contrário: foi justamente a partir de sua experiência no sertão, de suas dificuldades e de seu contato com o rio São Francisco que encontrou o caminho para desenvolver uma obra extraordinária.

Reconhecida como uma das grandes mestras da arte popular brasileira, ela deixou uma herança que continua viva nas mãos de seus familiares, nas coleções culturais e na memória de Petrolina, cidade pernambucana que se tornou inseparável de seu nome.